Archive for February, 2008

Eu me rendo: o retorno

relacionamentos February 28th, 2008

collage7.jpgHoje aconteceu uma coisa engraçada no blog. Chegou um comentário que valia um post. Convido para que leiam lá o texto integral de Lila Fonseca. A frase final diz:

“É a isso que eu me rendo! A fazer tudo aquilo a que tenho competência!”

Foi sobre o texto Eu me rendo, da Danuza Leão, que eu postei em 01/09/2007 e que quem quiser pode conferir aqui. Se você não se convenceu, vou deixar o primeiro parágrafo para decidir se clica no link ou não:

“Quantas mentiras nos contaram; foram tantas, que a gente bem cedo começa a acreditar e, ainda por cima, a se achar culpada por ser burra, incompetente e sem condições de fazer da vida uma sucessão de vitórias e felicidades.
Uma das mentiras: É a que nós, mulheres, podemos conciliar perfeitamente as funções de mãe, esposa, companheira e amante, e ainda por cima ter uma carreira profissional brilhante.
É muito simples: não podemos. “

Postei o texto não exatamente porque concordo com todas as palavras (não mesmo), mas porque gostei da crítica ao ideal de mulher que as revistas femininas defendem, ainda que subliminarmente. Este ideal que já discuti no Nossa Via em “Que padrão de beleza é este?” e a exigência de ser super mulher que ainda pesa sobre todas nós. Eu tenho amigas que conseguem dar conta de tudo, aliás, hoje mesmo falei com uma delas no fone: executiva (administradora), mãe de dois filhos educados e inteligentes, que mora muito bem, dá atenção ao marido toda noite (não estou entrando em detalhes sobre o tipo de atenção, considero todas formas de convivência conjugal importantes), chega em casa tarde e ainda prepara o jantar pessoalmente, pouco antes de ler um livro para cada filho antes de irem para cama. Outro dia conversávamos sobre cansaços e alegrias de ter dois filhos e ela me contou que planeja ter mais um. Quer mais? Ela não tem um grama de peso extra, é magrinha na medida. Na verdade, é tão atenciosa que lembra aquelas personagens “Helena” das novelas do Manoel Carlos, com exceção de que ela tem um ótimo casamento – e as personagens dele não.

Bem, eu não sou assim, deve ser por isso que eu me rendi. Adoro a comida que a empregada faz, fico chateada quando não vou à manicure toda semana, adoro meus guarda-costas mas não me culpo por gostar de ficar sem eles, sou uma bagunceira com tudo menos com meu mundo virtual-eletrônico. Mas, acima de tudo, sou uma crítica das exigências que a sociedade faz à mulher atual. Com a mesma veemência eu defendo os homens atuais. Exige-se que sejam sensíveis, bons cozinheiros, massagistas, atletas, amantes incríveis, profissionais super bem sucedidos (como hoje trabalhamos, eles precisam “gastar” muito mais para nos impressionar), pais de propaganda de gelol, filhos e genros dedicados e tolerantes, homens cultos, tudo sem deixar de ser muito másculos. Eu me rendo à minha incapacidade de não ser capaz de ser tudo e de ser feliz assim mesmo, a despeito da minha negação ao modelo pré-estabelecido.

E você? Faça como a Lila e me deixe contente me mostrando um novo ângulo sobre o mesmo tema! (E se por acaso resolver postar no seu blog, me mande o link ou faça trackback. ;) )

P.S. A imagem é de duas figuras de super mulher que eu tinha na infância: Mulher Maravilha e Supermãe (que vinha em quadrinhos da revista Claudia, eu acho) : universos que não se encontram, mesmo que desejemos. Será?

Mulheres

Uncategorized February 27th, 2008

Hoje recebi aviso ou convite para três eventos relativos ao Dia da Mulher e faço questão de divulgar:

  1. Lunna convida para a postagem “Eu gosto de ser mulher” no dia 01/03.
  1. Meire e Lys estão promovendo uma Pela Valorizaçao da Mulher Brasileira no dia 08 de março.
  2. No dia da mulher acontece também a 1ª Jornada Internacional de Mulheres Escritoras e o lançamento do livro Talento Brasileiro em Prosa e Verso. A promoção é da Rebra (Rede de Escritoras Brasileiras) e quem me convidou foi a Vivi, uma querida amiga de infância, que é um dos talentos descobertos pela entidade.
1ª Jornada Internacional de Mulheres Escritoras
Encontro para o intercâmbio de experiências entre mulheres escritoras do Brasil e do mundo. Por meio de palestras, debates, bate-papos e apresentações musicais, a Jornada proporcionará o diálogo entre as escritores e a comunidade riopretense sobre temas relacionados ao universo literário feminino.
De 07 a 09/03, de sexta a domingo.

Revivendo o francês

Uncategorized February 27th, 2008

je-parle-francais.jpgAs brincadeiras de teclar em francês às vezes no chat me fizeram pensar em tentar o curso do idioma no Livemocha, site de relacionamentos sobre o qual já postei aqui. Nem acredito que na época da faculdade eu era tão fluente em francês e escrevia com tanta facilidade, hoje, se ainda consigo ler meio mal (pelo menos isto), escrever é uma tortura… esqueço onde colocar os acentos e os verbos, hoje não lembrava da conjugaison d’avoir!

Enfm, o tal Livemocha é bom. E nele é possível teclar – claro, com as precauções de sempre na web que é wild mesmo – com outros aprendizes do idioma escolhido. ;) A Kaká e a Simone já me adicionaram lá. E você?

P.S. A imagem da sacola (fofa) achei neste site.

Divinização do leite materno

mãe com filhos, saude February 27th, 2008

 

Acho que todo mundo sabe que eu sou uma entusiasta do aleitamento materno. O que nem todo mundo sabe é que sou com ressalvas. Por que? Bem, eu tive uma experiência maravilhosa amamentando meus filhos por um bom tempo – 1 ano e 9 meses o mais velho, 1 ano e 4 meses o caçula – mas na mesma época vi outras mães e bebês próximos a nós não viverem da mesma forma. E notei que estas mulheres, maravilhosas à sua maneira, se sentiam frustradas, inferiores, menos capazes até de amar porque não alcançavam esta “glória”. Neste sentido eu me considero uma militante do aleitamento materno (especialmente o exclusivo, até os 6 meses, como eu fiz) mas sou totalmente contra a divinização do leite materno.

Sábado eu estava no salão de beleza e tive uma conversa muito interessante e esclarecedora com uma médica obstetra, Viviane Vargas. As mulheres atuais são assim: uma fazendo pedicure, outra se arrumando para uma festa e dá-lhe conversa séria no salão. Rolou praticamente uma entrevista e o papo foi tão bom que já deixei uma ping pong combinada com ela. Breve eu posto aqui. Mas, por enquanto, deixo-os com alguns detalhes da conversa: Viviane trabalha na maior maternidade do estado de São Paulo, a Casa Maternal Leonor Mendes de Barros e me contava de uma pesquisa (pedi a pesquisa, leio e discutiremos os números aqui depois) feita com as mães de lá. Uma minoria estava em condições de amamentar. A grande maioria, segundo ela (que é mãe de um bebê fofucho de 3 meses), têm dificuldades com o aleitamento e uma boa parte não tem condições físicas de amamentar, porque tem o bico do seio ou o ducto lácteo inadequado, porque não se alimenta bem para produzir leite bom (aquele papo do “leite fraco” pode ser verdade em alguns casos) ou não tem boas condições de vida. Viviane me fez pensar na realidade das pobres moças a quem eu orgulhosamente afirmo que estimulei a aleitar no peito quando era voluntária de um programa em Curitiba (perto de minha residência tinha uma favela e o posto de saúde atendia a elas no projeto “mãe curitibana“). Morando sem conforto algum, “em casebres insalubres, trabalhando demais (em casa, fora de casa ou em ambos), com outros filhos para criar e com um marido que é mais um filho, porque se nega a ajudar porque paga as contas e é homem”. Realmente, as condições são tão diversas das minhas que tive que me calar e admitir que estava militando no caminho errado.

Amamentar é ótimo (eu recomendo), mas não devemos divinizar este ato, porque algumas mães simplesmente não conseguem aleitar e se sentem muito frustradas desnecessariamente.

P.S. Ontem no Desabafo de Mãe Sikora comentou que a filha passou a adoecer mais quando deixou o leite materno. Também notei isto nos meus. Mas a relação é mais emocional do que física, com certeza. As mães que aleitam por bom tempo vão até 9 meses e nesta fase os bebês começam a engatinhar e com isto descobrir um mundo novo totalmente fora do alcance dos seus olhos e mãozinhas (no colo) e até da visão dos adultos que cuidam da casa. A outra questão de que lembro é que nesta fase começamos a forçá-los a conviver com amiguinhos e a troca de “vitamina S” rola animada!
[update] Relembrei este post por conta de umas declarações de Maria Mariana que li em entrevista da revista Época. Dizia

A maioria das mulheres não está preocupada em amamentar? 

Maria – Muitas não estão. Amamentar não é um detalhe, é para a mãe que merece. É importante e simplifica a vida. Vejo muitas mulheres com preocupações estéticas, se o peito vai cair, se vai ficar alguma cicatriz se o peito rachar. Aí o leite não vem. Amamento há nove anos seguidos. Só desmamo um quando engravido do outro. Minha caçula, de 2 anos, ainda mama. Existe a realidade de cada um, mas é preciso elevar a consciência sobre o que fazemos. Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto. 
Claro que eu opinei aqui e estou lendo o livro para continuar a tratar do tema.[/update]

Quintana no Paraíso

poesia, são paulo February 26th, 2008

quintana-no-paraiso-poeminho-do-contra.jpgNa volta do passeio pelo Masp sábado me deparei com uma mini-exposição sobre Mario Quintana na estação Paraíso de metrô. Tirei duas fotos, uma do poeminho do contra, meu favorito, e outra deste soneto ótimo:

AH! OS RELÓGIOS

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios…

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida – a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.

E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém – ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são…

A Cor do Invisível

quintana-no-paraiso-ah-os-relogios.jpg

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