Turn, turn, turn
Postado em Música no dia 20/12/2007Quero transcrever um trecho bíblico hoje para a blogagem coletiva de Natal, mas não vou citar o salmo 23 do post anterior, cujo texto curto e simples é tão repetido – na maioria das vezes sem a verdadeira compreensão da promessa que se faz a Deus ao repetir suas palavras.
Deixo a seguir um dos meus trechos favoritos, de Eclesiastes 3, 1-8. Percebam que Salomão, filho do salmista David, é rei num momento diferente de seu pai e suas preocupações como autor são outras, tanto quando o momento de seu povo. Mas a mensagem é a mesma.
O vídeo do you tube tem The Byrds em Turn, turn, turn, música que conheci na trilha sonora de Forrest Gump e foi feita com base nas palavras bíblicas a seguir. Percebam que escolhi um trecho que fala de aceitação do tempo de cada um e do tempo de Deus, porque acredito que a aceitação do outro e de suas escolhas -quaisquer que sejam- é a maior lição que devemos nos esforçar para realizar em vida, é o verdadeiro amor. Muitos vão ler minhas palavras hoje na blogagem e não me aceitarão, talvez nunca mais voltem ao meu blog, mas quem voltar o fará porque, de todo coração, me aceitou. Se você é um deles, sabe que não me importa se o nome da sua festa de fim de ano é Natal, Hanuka, Yule ou O-bon, desde que você a viva com o coração sincero e também respeite o nome que eu dou às minhas festas também.
Tudo neste mundo tem seu tempo;
cada coisa tem sua ocasião.
Há um tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de plantar e tempo de arrancar;
tempo de matar e tempo de curar;
tempo de derrubar e tempo de construir.
Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar;
tempo de chorar e tempo de dançar;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las;
tempo de abraçar e tempo de afastar.
Há tempo de procurar e tempo de perder;
tempo de economizar e tempo de desperdiçar;
tempo de rasgar e tempo de remendar;
tempo de ficar calado e tempo de falar.
Há tempo de amar e tempo de odiar;
tempo de guerra e tempo de paz.
P.S. A bíblia que eu uso é uma edição em francês, foi presente do meu Amor na minha formatura do curso, em 1992. Para quem entende o idioma, indico que leia em voz alta este trecho em francês, soa lindo e fala ao coração. (Para quem quiser também, o Salmo 23 está aqui)
Descanso em Ti
Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 20/12/2007Soube através de alguns amigos da blogosfera cristã que hoje tem blogagem coletiva de Natal.
Não posso dizer que sou “cristã” no sentido que estes amigos são. Não faço parte de nenhuma congregação e nunca me converti, sou uma livre-pensadora. Mas fui batizada, fiz primeira comunhão, casei e batizei meus filhos, tudo dentro do cristianismo católico, que só freqüentei nos tempos de missas bilíngues da escola Junshin, onde meus filhos estudavam. Acho importante deixar clara minha relação com o cristianismo para não parecer falsa – o que, efetivamente, quem me conhece sabe que não sou.
Meus ancestrais vieram de países e crenças diversas – protestantes do lado alemão, católicos do lado português, budistas do lado japonês – e meus pais fizeram uma busca por 25 anos que trouxe para nosso lar vários dogmas, discutidos com veemência por mim e meus irmãos desde a mais tenra infância e que fizeram de nós livres-pensadores de muita fé, o que aos olhos de uns é uma qualidade, de outros um defeito. Há dez anos meus pais são evangélicos e minha mãe visivelmente se encaminha para ser pastora quando se aposentar do Direito, pois já terminou a faculdade de teologia e é uma das líderes da Igreja Filadélfia, no bairro do Cabral, em Curitiba.
Os dogmas cristãos do novo protestantismo brasileiro, que à primeira vista me pareceram muito fechados e sufocantes, têm se mostrado libertadores para mim à medida em que, através do convívio com minha mãe e sua amiga pastora Ivanilde Coutinho, encontro eco deles em meu ser. Descanso em Ti, lembro-me de ter lido algo assim. Creio que a fé verdadeira, a que nos traz paz de espírito e tranqüilidade para confiar no Pai, seja exatamente isto.
Aprendi o verdadeiro sentido desta frase com um livro que minha mãe me mandou de presente há dez anos. Ela acabara de se converter e desejava tentar me mostrar sua nova fé. O livro se chama Nada me faltará, de Philip Keller, e trata do famoso Salmo 23 à luz das experiências de um pastor de ovelhas, explicando as metáforas utilizadas pelo salmista para os que, como eu, não entendem nada do cuidado com ovelhas. Neste singelo livro eu descobri que minha atitude diante de Deus sempre foi de uma dócil ovelha do seu rebanho e percebi que esta imagem de mim mesma me satisfaz plenamente no sentido da fé que eu creio ser correta. Se há algo cristão que eu poderia deixar como mensagem nesta blogagem é dizer que é possível ser uma ovelha deste rebanho sem perder seu livre-arbítrio.
[update] Como sempre faço, seguem os participantes da blogagem coletiva:
- Blogosfera Cristã
- A gruta do Lou
- Salve nosso planeta
- A menina e as montanhas
- Pensieri e Parole
- Quem tecla…
- Rapensando
- Isli Pereira
- Conferindo Tudo
- Blog do Ronald
- André Wernner
- Musicólotra
- Luz de Luma
- Saia Justa
- I stand 4 Him
- [xmitzx]
- Célia Rodrigues
- Rumorejo
- Meus Passos
- Romanos 12:2
- Everson Barbosa
- Papo de Teólogo
- Abraço de Deus
- Frenesy
- Amigo Careta
- Coluna do Leitor
- Coisa boa
- Lulu on the Sky
- Pensando alto
- Soro Gospel
- Desabafo de Mãe
- Coisas Coisadas
- Eu e o Renascer das cinzas
- Guerreiro do Senhor
- Hippos
- Oscar Luiz
- 30 e alguns
- Flainando na Web
- Suzana Sotero
- Aline Silva Dexheimer
- Escritos e Descritos
- Rosa147
- IpodJesus
- Mamanunes – Koinonia
- Daniel Dliver
- Roberto On line
- BeaDisciple
- Meu mundo e nada mais
- Artes do Giorgio
- Amando ao próximo
Blues
Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 20/12/2007Quem me presenteou no amigo oculto literáro foi a Letícia Coelho.
Visito o blog dela sempre, fala com veemência sobre política e, como diz nossa amiga em comum, ela assiste TV Senado, o que nos faz pensar. O presente que ela me deu, uma poesia inédita de sua autoria, tem uma coisa que combinou comigo: gosto muito de blues. Não é mais a trilha sonora principal da minha vida, mas já foi.
Meu obrigado e que seja o inicio de uma amizade.
Abacaxi no amigo oculto
Postado em poesia no dia 20/12/2007
Estou novamente num terreno estranho. Visito diariamente o blog que criou o amigo oculto literário, mas não sou escritora ou poeta como os envolvidos que brindaram os leitores com poesias e posts criando clima de suspense sobre o amigo.
Eu peguei um abacaxi… não no sentido figurado, é que os amigos eram frutas e escolhíamos uma. Gostei do abacaxi, porque a fruta é um espetáculo à parte: nasce majestosamente no meio de uma bromélia (um tipo de flor que aprecio) e é maravilhosa para sucos e sobremesas. Minha amiga oculta deve chamar abacaxi de pineapple ou ananas. E temos mais afinidades além do país onde fica a revista para a qual eu escrevia até abril: somos fãs dos textos da pessoa que nos convidou para esta roubada brincadeira e gostamos de deixa-la constrangida (risos), não somos poetas nem escritoras. Fácil de adivinhar, não? Ela está se apresentando aqui: Hellen Schmidt. Foi um prazer conhecê-la.
Para homenageá-la posto abaixo um poema de Baudelaire, em francês, pois soa lindo e falará mais direto à alma da homenageada neste idioma, creio eu. Para quem quiser ler a tradução, ei-la aqui. A lua é homenagem à nossa amiga em comum, que me orientou na escolha do poema.
Tristesses de la lune
Ce soir, la lune rêve avec plus de paresse;
Ainsi qu’une beauté, sur de nombreux coussins,
Qui d’une main distraite et légère caresse
Avant de s’endormir le contour de ses seins,
Sur le dos satiné des molles avalanches,
Mourante, elle se livre aux longues pâmoisons,
Et promène ses yeux sur les visions blanches
Qui montent dans l’azur comme des floraisons.
Quand parfois sur ce globe, en sa langueur oisive,
Elle laisse filer une larme furtive,
Un poète pieux, ennemi du sommeil,
Dans le creux de sa main prend cette larme pâle,
Aux reflets irisés comme un fragment d’opale,
Et la met dans son cœur loin des yeux du soleil.
P.S. Curiosidades do abacaxi na minha vida: Eu adorava abacaxi até passar a ter alergias sérias na segunda infância e ter que cortar alguns alimentos, então abacaxi virou “um abacaxi” no sentido figurado e passei a detestar até o cheiro da fruta. Ninguém me entendia e pouca gente respeitava esta minha dificuldade – já notaram que bolo de aniversário sempre tem abacaxi? E, interessante, ao engravidar eu tive vontade de comer abacaxi e isto denunciou que alguma coisa estava estranha em mim antes mesmo do teste de gravidez.
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