Charge e o juiz que não fechou os olhos
from posterous September 17th, 2007
Sempre achei charges uma forma incrível de contar a realidade. Talvez por ter sido uma criança notívaga (nome bonito para quem era insone e castigava os pais toda noite) e ter me habituado ao Jornal da Globo desde muito cedo. Lembro nitidamente do fascínio que sentia por charges de nomes famosos e as crônicas de Carlos Drummond de Andrade retratando momentos importantes da nossa história atual. Sonhava ser cronista do cotidiano, acabei jornalista, nunca tive dom para o desenho. A história que está acontecendo hoje me encanta tanto que a vivo intensamente desde criança. Aos 11 anos, quando da morte do Tancredo, fiz um clipping imenso das revistas semanais sobre ele para guardar e não omiti esta forma de expressão que considero meio jornalistica, a charge.
Esta imagem do Blog do chargista Edson Takeuti me fez relembrar o perfil do juiz do STF Joaquim Barbosa, intitulada O juiz que não fechou os olhos. Interessante a postura dele, representando uma esperança de dias melhores. Vale a pena ler e entender o perfil do juiz-relator, que tem a posição de, como diz a reportagem, “dono do processo do mensalão”. Ele ditou o ritmo da tramitação nestes 16 meses de “avaliação” e deu-nos a boa notícia de que 40 mensaleiros são agora réus.
Além de comentários pertinentes sobre racismo (o juiz é o primeiro negro no STF, mas sua boa fama já superou isto e -ô maldade- o rumor de que estaria lá pela política de cotas!), chamou-me atenção o fato de, finalmente, alguém usar a tecnologia a favor do povo. Por quê? Ele digitalizou tudo, evitando que o processo saísse de seu gabinete. Deu uma senha para cada advogado do caso e eles tinham acesso por meio eletrônico. Fantástico! Assim, apesar de cada acusado ter direito a 15 dias (creio que de posse do processo) para elaborar sua defesa, o que levaria 20 meses foi feito em um, graças à tecnologia e ao bom senso do juiz. Ele já não merece nossos parabéns só por isso?








