Arquivo: July 16th, 2007

Quase maioridade do ECA

Postado em Cotidiano e sociedade, Mãe com filhos no dia 16/07/2007

No dia 13 de julho o Brasil se encantou com a abertura do Pan, que nos deu a chance de mostrar aos nossos filhos boas razões para sentirem orgulho do seu País. Mas havia na sexta-feira treze outro motivo para comemoração e honraria brasileiros: o Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA, completou 17 anos. Quase maioridade de uma lei que nos colocou entre os países do mundo que protegem os seus menores, garantindo-lhes direito ao “desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade”.
Blogs discutem o alcance da lei, especialmente a redução da maioridade penal (que se tornou tema de discussão no país com caso João Hélio e outros tantos que envolvem adolescentes) e a limitação das condições de trabalho remunerado e legalizado de menores, como se discute aqui, levando-os à informalidade pura e simples. Para quem deseja saber mais do estatuto e das conquistas indico dois links: do Governo e do Gilberto Dimenstein.
Vale lembrar que o ECA não foi criado para as crianças em situação de risco, mas para que elas não estejam nesta condição. Ele garante direitos básicos como saúde, educação, segurança, acesso à cultura. Suas regras cabem tanto ao lar quanto à escola, como podem conferir aqui, e, acima de tudo, são um dever da sociedade como um todo. Cada um pode fazer sua parte.

Na próxima semana sai a lista dos classificados para o 3º Concurso Causos do ECA, um concurso literário e cultural que procura disseminar histórias de cidadania vivida por meio da efetivação das diretrizes previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Ratatouille

Postado em from posterous no dia 16/07/2007

Este texto foi publicado no Desabafo de Mãe.

Algumas misturas dão certo. Outras não. Na minha concepção, ratos e crianças combinavam, mas ratos e cozinha não! Mas depois de ver o filme Ratatouille (chamado de Ra-ta-tui pelas crianças brasileiras) mudei de idéia. E mudamos um pouco a capacidade de apreciar alimentos em família.

Apesar de Enzo começar a apreciar a boa culinária (ou seja, provar e gostar de muita coisa saudável e apetitosa), quem me surpreendeu foi Giorgio. Aos quatro anos, como a maioria das crianças desta idade, ele não come nada diferente. Fica na sua “rotina” gastronômica e não se arrisca. Mas ao voltar do cinema quando assistimos Ratatouille, ele logo me falou: “vou provar estas comidas juntas que nem o Rémy, vai ficar bom!”

No começo do filme, o ratinho Rémy ensina isto para o irmão pardo e gordinho, tentando explicar o que aprendeu nas aulas de culinária que via na TV da casa sobre a qual vive o clã de ratos chefiado por seu pai. As aulas eram do chéf Gusteau, que acaba sendo o mentor espiritual do ratinho cozinheiro no filme todo.

A partir daí, são muitas trapalhadas dignas dos melhores desenhos animados, com direito a belas paisagens francesas e detalhes incríveis do interior do suposto famoso restaurante francês. Já notaram como os ratinhos funcionam bem no imaginário infantil? Nossa geração (e outras antes) foi fã de Jerry (do gato Tom) e Mickey Mouse. Algum tempo depois, foi a vez do Stuart Little e Hamtaro ganharem as crianças do mundo. Pois Rémy tem essas qualidades e ainda é nobre de espírito, enfim, é impossível não amá-lo.

Não gostei do enfoque da imprensa que começava as sinopses dizendo que o ratinho sonhava em ser um grande chef. Na verdade, a grande sacada da história é o fato de ele pouco a pouco, em virtude das coincidências e infortúnios de sua vida, descobrir em si a capacidade de ser chef.

O mesmo ocorre em nossas vidas. Altos e baixos que acabam nos levando ao sucesso de forma inusitada. Como no filme Carros, uma das mensagens ressalta que vivemos escolhendo carreira e família e, ainda assim, é possível encontrar um caminho onde as duas coisas convivam em harmonia.

A outra mensagem, repetida à exaustão e que encantou Enzo, é de que “todo mundo pode cozinhar”. Não ser um grande chef, mas todo mundo pode fazer aquilo que sonha se estiver disposto a se empenhar de coração. Para os pais fica a mensagem de que devemos estar dispostos a permitir que nossos filhos busquem (e encontrem) sua felicidade e realização, mesmo que seja em condições inusitadas para nós.

Não deixe de ver o filme, especialmente se, como nós, você também é fã de outros sucessos Disney Pixar, como Monstros S.A., Toy Story, Vida de Inseto, Os incríveis, Procurando Nemo e Carros.

O que conta o filme?
“Ratatouille” é o nome de um prato da culinária francesa popular feito com ingredientes que crianças não gostam: tomate, berinjela e pimentão. Para piorar, grande parte da animação se passa na cozinha. Mesmo assim, com tantas coisas adultas, o filme agrada em cheio às crianças porque tem uma história simples e engraçada.

Remy é um rato que está em Paris e gosta de culinária, mas o fato dele não ser humano dificulta seus sonhos. Num lance do destino forma uma improvável parceria com um rapaz desajeitado, Linguini, o novo ajudante de cozinha de um tradicional mas decadente restaurante parisiense.