Arquivo: July 10th, 2007

9 de julho

Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 10/07/2007

Maria Augusta, em seu Jardin, contou outro dia sobre o Brocante 1900 que acontece na região francesa onde mora. Ela dizia que demorou a entender o fascínio das pessoas por estas antiguidades e coisas velhas. Para mim, o tal “vide-grenier” (esvazia celeiro) em que se vende tudo que se possa imaginar, lembrou os cartazes “Familia Vende Tudo” que vejo em frente a algumas casas de São Paulo.
Na hora lembrei de outra referência ao tema: no livro Caçador de Pipas, de Khaled Housseini, o afegão se volta para esta atividade quando muda para San Francisco, CA. A analogia é bela porque mostra como o povo exilado pelo Talibã valorizava as tradições e objetos de familia que perderam para sempre.
Esta ligação com as tradições é o que me chama atenção neste feriado de 9 de julho. Vi outro dia fotos de um edifício (um cotonifício na Mooca, que foi o local da primeira greve operária no Brasil) e que foi bombardeado na revolução constitucionalista de 1932, à qual se refere o feriado. O levante de São Paulo contra as tropas federais fiéis ao governo de Getúlio Vargas, que durou três meses de lutas e só acabou quando os paulistas depuseram as armas, resultou na convocação da Assembléia Nacional Constituinte dois anos depois. Vejo neste evento o que nossa sociedade sempre precisa e nunca consegue ter: mobilização. Mas este tema fica para outro dia.
Do feriado: passamos o domingo em Embu das Artes e meus filhos se encantaram com umas antiguidades de lá que soaram completamente novas para eles, dentre elas relógios despertadores (daqueles que se dá corda e despertam com “trim”) e telefones de discar! (risos)

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