Bibliotecas comunitárias
Postado em Little readers, livros, Mãe com filhos no dia 31/07/2007
semanas de julho um encontro especial. O Congresso Vaga Lume reuniu interessados no incentivo à leitura e na inclusão social. O encontro, que faz parte do Programa Expedição Vaga Lume, trouxe à São Paulo 74 pessoas de 19 municípios da Amazônia Legal Brasileira. Eles participaram de uma capacitação para planejar, implantar e acompanhar bibliotecas rurais comunitárias, com o objetivo de disseminar o conhecimento de sua metodologia e formar equipes para atuar no programa. Gostou? É possível ajudar de várias formas e uma delas é a doação de livros. Maiores informações no site ou fone (11) 3032-6032.O objetivo da entidade é tornar-se referência nacional na aplicação da metodologia de implantação de bibliotecas comunitárias como estratégia de desenvolvimento humano e comunitário. Não é mesmo bárbaro? E me lembra muito um objetivo que temos no Desabafo de Mãe: oferecer cultura de qualidade e de forma acessível para as crianças, indicando obras (livros, filmes, peças de teatro, música) que compartilhamos com nossos filhos e consideramos que podem ser bons para outras crianças. Enfim, uma boa conversa de mães (e pais), indicando para um amigo o que funcionou com seu filho. Você também tem alguma experiência legal com seu filho que queira contar? Faça como a Erica Daikawa, do Japão, que nos contou sobre a leitura de Quem mexeu no meu queijo? Para crianças. Conte para nós!
E por falar em livros, hoje tem um desabafo chamado “Um dia raivoso“, que conta como o livro Todo Mundo Sente Raiva me ajudou a tratar duas crises com meus meninos neste domingo. Aline já tinha comentado sobre a ajuda que os filmes lhe dão, em Seu filho é uma Veruca? e Procurando Nemo – Uma lição de Vida para os pais.
Verdadeira lição de vida para os pais é o Desabafo de Mãe de hoje no portal, escrito por Renata Azevedo, chamado O dia seguinte, em que ela emociona a todos contando como está conseguindo superar, aos poucos, a perda de seu filho Vinícius, de apenas dois anos e sobre a mãe pela metade que sente que é para o filho Gabriel, que nasceu há poucos meses.
Eu sou uma aventura
Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 31/07/2007Hoje uma das manchetes do Desabafo de Mãe é um desabafo
meu chamado “Um dia raivoso“, que conta como o livro Todo Mundo Sente Raiva me ajudou a resolver umas crises que meus filhos viveram no domingo. Depois da confusão toda, os meninos decidiram mostrar seus sentimentos numa redação (Enzo) e desenho (Giorgio) que estão postados nos seus blogs.Por falar em blog, tem também um texto da Renata, de quem falei aqui há alguns meses. Vale a pena conferir.
Minha amiga virtual Aline Dexheimer está lançando um jornalzinho que se chama EU SOU UMA AVENTURA, segundo ela “sem fins lucrativos, apenas para divulgar e espalhar coisas boas belo mundo”. Adepta da filosofia positiva e otimista no dia-a-dia, confesso que Aline às vezes até me deixa nervosa de tão calma que é… risos. Ela criou um blog e uma comunidade no Orkut sobre o tema. Mãe de trigêmeos da idade do Giorgio e ainda tranquila, ela me parece uma aventura mesmo!
Enfim, minha aventura de férias com os meninos em casa acaba hoje e tanto eu quanto eles estamos animados com a volta às aulas. E começaremos bem: em ritmo de Pan, eles começam judô amanhã numa academia muito conceituada (o sensei fundador era oitavo dan, um dos mais famosos do Brasil) e eu farei academia no mesmo horário. Tomara que consigamos perseverar.
Em tempo: Enzo foi conferir o espetáculo Peter Pan – Todos podemos voar, no Credicard Hall neste domingo, a convite do amigo Mateus e sua família. Pelo que vi na mídia o espetáculo, apesar do preço salgado, vale a pena.
Blogagem Coletiva – EU EXIJO ORDEM E PROGRESSO! (17.08.07)
Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 30/07/2007A Poliane, do Rumorejo, está convocando amigos para uma Blogagem Coletiva – EU EXIJO ORDEM E PROGRESSO! (17.08.07). Repito abaixo o texto de convocação dela.
ATENÇÃO A TODOS OS BLOGUEIROS INDIGNADOS E INSATISFEITOS…
VAMOS UNIR AS NOSSAS FORÇAS NO DIA 17.08.07, DIA QUE COMPLETARÁ UM MÊS DO ACIDENTE DA TAM, MOSTRANDO O NOSSO DESCONTENTAMENTO E DIZER COM LETRAS GARRAFAIS QUE EXIGIMOS ORDEM E PROGRESSO!!
A iniciativa é de Veridiana, do blog 30&alguns. Já confirmei minha presença, e você?
Aniversário do Vô Juca
Postado em from posterous no dia 29/07/2007
Eu não conheci meus avós, que já eram falecidos quando nasci, mas nunca consegui colocar ninguém no lugar deles. Cresci ouvindo histórias e construindo, peça a peça, uma imagem do que eles seriam como pessoas e sonhando com os avós que seriam para mim. Vô Juca, pai da minha mãe, jornalista e idealista, foi uma referência intelectual para mim. Apesar de ouvir mil histórias sobre ele, foi na biblioteca que herdamos dele que o decifrei. Críticas ao socialismo soviético em plena década de 40, finas edições da obra completa de Nietzsche e Machado de Assis, uma enciclopédia completa e imensa anterior à segunda guerra mundial, biografias de bandeirantes e narrativas de viajantes ao extremo oriente. Isto sem falar nos discos dele, incríveis, alguns em 78 rotações, misto de bossa-nova e clássicos eruditos, que minha avó fez questão de deixar para mim antes de falecer. Estão lá, na minha mãe, porque ninguém mais tem um toca-discos apropriado. (risos)
Herdei também o dicionário dele, várias vezes reencadernado e cheio de marcas de caneta. Falavam-me dele os títulos, as anotações a caneta tinteiro nos trechos que gostava, páginas não abertas de livros que deve ter descartado.
E os artigos, que como hoje são os blogs, há tempos fizeram sua voz interior falar mais alto. Infelizmente um incêndio na UEPG, ainda na minha infância, acabou com o acervo do Diário dos Campos, jornal que foi dele por décadas em Ponta Grossa. Mas na década de 1990 minha mãe foi agraciada (sim, considero graça divina isto) com um livro de colegens, um clipping feito por um funcionário do jornal e guardado por anos a fio. Ao saber que a neta estagiava com uma advogada filha do José “Juca” Hoffmann, este senhor gentilmente nos presenteou com suas colagens da época em que foi funcionário do Diário. Histórias mil para contar, não?
A jornalista Alessandra Bucholdz, que atualmente trabalha no Diário dos Campos, andou fazendo um levantamento dos pioneiros do jornal e nos ajudou a juntar os pedaços da história profissional dele. Vou ver se tem link para incluir aqui depois. No momento, deixo meu agradecimento a ela.
Hoje ele faria aniversário, 103 anos! Parabéns para ele.
P.S. É também aniversário da avó do Guilherme, única “bisa” que meus filhos conhecem, nascida há 92 anos na Andaluzia.
E-books
Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 28/07/2007Ainda não sou muito adepta da leitura de
e-books, mas recentemente uma amiga do via6 me mandou algumas conceituadas gramáticas em arquivo pdf e com as obras de referência comecei a perder o preconceito. E o blog Viciados em Livros tem me ajudado muito, sempre dou uma passada lá e os títulos infantis acabam me convencendo a tentar. Semana passada Enzo estava passando aqui e viu a foto do Arthur e os Minimoys, tive que baixar para ele. Hoje foi Flicts que me chamou atenção lá.
Este livro do Ziraldo é encantador como toda sua obra. Outro dia Ana Virgínia, uma jornalista aque é professora de ioga em Belo Horizonte mandou um desabafo sobre sua emoção ao visitar com o filho Rafa, de 7 anos, a exposição que homenageia a obra dele. E me lembrou Flicts e um comentário que o astronauta Neil Armstrong fez sobre Flicts: “the moon is flicts“. Para entender o porquê, só lendo o livro. Mas a história do exemplar em inglês e do autógrafo está contada aqui. E há outras homenagens ao livro aqui.
O blog está com uma campanha pelo livro acessível, vale a pena conferir aqui.
Já que falamos do tema, vale a pena conferir a discussão sobre publicar ou não em papel no Digestivo Cultural.
Backup
Postado em from posterous no dia 28/07/2007Ontem tive que reformatar meu computador, um check-up anual, digamos assim. Tentei lembrar de tudo para fazer backup e descobri que o firefox e thunderbird contam uma excelente ferramenta: MozBackup. Vou fazer backup mais vezes por garantia, porque achei o sistema excelente, não perdi nada. E descobri que o Del.ici.ous também faz backup, uma forma de passar os links para quem não usa? Aliás, quem quiser me adicionar à sua rede lá, meu perfil é samegui.
Consumidor consciente
Postado em A Vida Como A Vida Quer no dia 27/07/2007
Fui às compras logo cedo antes de trabalhar. Consumo
inevitável: vegetais, frutas, carne, gasolina no carro. Eu tento usar a máxima “Pense Globalmente, Compre Localmente“, apesar de toda dificuldade que temos atualmente para saber de onde as coisas vêem. Ainda bem que aqui em São Paulo tem aquela tradição de morangos de Aibaia, figo de Valinhos e outras coisas que nos dão noção da sua origem.Estou falando de consumo por conta de duas notícias que li hoje.
Uma diz que o modo stand by dos aparelhos elétricos é responsável por até 20% da conta de luz. Eu já tinha sido alertada sobre isto em 2001, uma amiga que mora na Noruega, Celma, me avisou por e-mail quando o Governo local sugeriu aos cidadãos que evitassem este desperdício. Minha estratégia é ter um filtro de linha em alguns locais, assim desligo o filtro ao invés de desligar todos os aparelhos. Mas confesso que estava meio displicente e agora vou me emendar. Segundo o release que li hoje e comenta pesquisa do Inmetro, é possível notar a redução de consumo na conta de luz. Lembrete: menos consumo, mais do que aliviar o bolso, significa um comportamento mais ecológico, que nem preciso repetir aqui, né? Descobri também uma Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste) que fez teste com aparelhos ligados 24 horas durante 30 dias, mas, infelizmente, apesar dos excelentes temas, exige cadastro e pagamento para acesso aos textos. Que pena!
A outra questão do consumo eu li no badalado blog Síndrome de Estocolmo em que Denise Arcoverde convida a todos a boicotar a L’oreal, que entre outras coisas, recentemente foi condenada por racismo em suas campanhas publicitárias. A foto da atriz sul-africana Charlize Theron foi bem escolhida para mostrar a cara da empresa. Ela também falava do boicote à Nestlé, num texto que vale a pena conferir.
Gostei mesmo do convite dela para que nós, brasileiros, passemos a usar o boicote a empresas como um instrumento de protesto e transformação. Vamos participar?
Dia das avós
Postado em Família no dia 26/07/2007
Quem teve uma avó carinhosa já sorri ao ver este título. Gente de sorte teve duas. Não convivi com os avós, mas tive uma Batian (vó em japonês), Bisavó, Tataravó e uma Vó Gorda. Era assim que chamávamos minha avó Maria Augusta, mãe da minha mãe, uma pessoa cujo amor ainda está presente no meu dia a dia, mesmo 19 anos depois de seu falecimento. O amor fica sempre presente em nós, tanto a ausência de amor quanto a presença dele nos marcam de forma indelével. Novos ramos podem surgir nas nossas árvores, até enxertos (assim meu sogro se refere a mim e os outros genros e nora), mas não podemos trocar as raízes. E as raízes são os avós.
Vovó, única e insubstituível
Postado em Família, Mãe com filhos no dia 26/07/2007Há dias estamos falando sobre o Dia da Avó. Tudo começou com uma comemoração na escola dos meus filhos e minha dúvida sobre o que fazer: as avós deles não moram aqui, seria certo mandá-los para aula neste dia em que os colegas fariam sachês e tomariam chá com suas avózinhas? Segui meu coração: convidei uma vizinha de edifício que tem 70 anos, adora meus filhos e poderia ir representar o papel. Enzo aceitou, foi orgulhoso lá e explicou que não era sua avó, mas era uma boa amiga-avó. Mas Giorgio, que também adora esta vizinha, não aceitou: ficou sem jeito e me falou baixinho: – Mas mamãe, vão pensar que é minha vó de verdade e a vovó Ita vai ficar triste. Admirei sua altivez e a lealdade com a vó querida, que é minha mãe e um dos esteios da vida dele. Ao mesmo tempo também me vi nele. Eu não conheci meus avós, que já eram falecidos quando nasci, mas nunca consegui colocar ninguém no lugar deles.
Cresci ouvindo histórias e construindo, peça a peça, uma imagem do que eles seriam como pessoas e sonhando com os avós que seriam para mim. Vô Juca, pai da minha mãe, jornalista e idealista, foi uma referência intelectual para mim. Apesar de ouvir mil histórias sobre ele, foi na biblioteca que herdamos dele que o decifrei. Falavam-me dele os títulos, as anotações a caneta tinteiro nos trechos que gostava, páginas não abertas de livros que deve ter descartado. E os artigos, que como hoje são os blogs, há tempos fizeram sua voz interior falar mais alto. Do meu Ditian (avô em japonês, o meu vindo de Fukuoka) eu herdei a coragem de empreender e a capacidade de comunicação. Minha batian (avó) também o tinha: fez diários a vida toda, nos quais divagava e refletia o desenvolvimento da grande familia que formou aqui, sem perder os laços com sua familia em Niigata.
Muito tradicional e receosa, ela não aceitou o casamento de meu pai com uma “gaijin” (estrangeira) e simplesmente não compareceu. Nem tampouco veio conhecer a primeira neta, apenas mandou-me um presente quando eu já tinha nove meses. Mas ao conhecer minha mãe praticamente se mudou para nossa casa e tive uma infância rica e diferente, meio bilíngue e cheia de brincadeiras antigas e curiosas por conta dela. Eram outros tempos em que as avós eram senhoras aposentadas bordando ou fazendo crochê com seus vestidinhos e anáguas (quem lembra disto?) e viviam na dependência de seus filhos ou maridos.
Hoje as avós são outras. Minha mãe e minha sogra trabalham, apesar de sempre falarem em aposentadoria. Estudam, independente de sua formação anterior, sempre em busca de aprimoramento pessoal e no ano passado uma terminou o mestrado, outra o segundo curso superior. Dirigem seus próprios carros, são donas de seu dinheiro, enfim, decidem suas vidas. Nada parecido com as avós que eu tive, exceto por uma coisa: são doentes pelos netos.
Minha avó materna era doente por mim (cheguei logo após sua viuvez e ainda com instintos maternos aos 49 anos) e o carinho dela nunca me deixa. Ela me deu o sentido de ancestralidade: conheci sua avó (minha tataravó) e sua mãe (minha bisavó) era uma visita frequente mesmo anos depois do falecimento de minha vó. O amor é assim: se faz presente, independente do tempo que passe (no nosso caso são quase 20 anos). Penso na reação dela, na sua satisfação com cada etapa de minha vida, no carinho que daria para meus filhos, no orgulho que sentiria de mim e esta sua presença amorosa faz com que ela continue presente. Mesmo morando longe há dois anos e meio, vejo como os avós de meus filhos também são presentes no dia-a-dia deles. A internet nos ajuda, então posto os desenhos e textos deles nos respectivos blogs, o que ajuda muito nas conversas telefônicas.
Minha vida de blogueira começou assim, com fotologs para os tios e avós corujas. As fotos na geladeira ajudam e mais que tudo, a identificação de características dos ancestrais em um e outro traz a família de volta, dá a eles (e a nós) sensação de fazer parte de algo maior, como no filme Tigrão, em que ele e a turma do Ursinho Pooh buscam construir a árvore da sua família. Os avôs nos dão as raízes, eles são o porto-seguro de onde saímos e para o qual sabemos que podemos voltar, não importa o que aconteça. Novos ramos podem surgir nas nossas árvores, até enxertos (assim meu sogro se refere a mim e os outros genros e nora), mas não podemos trocar as raízes. Foi o que vi na reação do Giorgio com o Dia da Avó: a consciência de que é impossível colocarmos outras pessoas no lugar dos avós. Podemos ter bons amigos mais velhos, mas vô é uma figura única e insubstituível.
Crianças no semáforo
Postado em Cotidiano e sociedade no dia 25/07/2007Você ainda se compadece das crianças que param ao lado do seu carro nos sinaleiros para pedir esmolas ou tentar vender seu trabalho de mascate ou de limpa vidros?
A mim ainda emociona. Como o professor de inglês Jihad Abou Ghouche, de Foz do Iguaçu, PR, que criou um programa para alimentar alunos da escola de sua esposa, porque “tinha vergonha de comer sabendo que eles passavam fome”, eu tenho muitas vezes vergonha de continuar indo a meus passeios com meus filhos e deixar aquelas crianças ali, ao relento, correndo todos os riscos que não se deve correr.
Hoje recebi um release da Maxpress que falava de uma campanha publicitária lançada pela Fundação Projeto Travessia e que alerta sobre o trabalho infantil nos semáforos.
Os anúncios exibem o rosto de pequenos malabaristas de farol que deveriam estar lendo, estudando ou simplesmente brincando. E levantam o debate sobre a questão, enfatizando que “O trabalho infantil só ocorre por falta de políticas públicas eficientes de inclusão social”.
Dei uma olhada no site da entidade e de todos os projetos, que incluem cartões de Natal (não sou muito adepta destes projetos que a gente só compra algo e não faz nada pessoal), interessei-me por um dos mais antigos, atuante desde 1996, o Programa de Educação na Rua no Centro. A empresa em que trabalho fica na Liberdade, bem no centro de São Paulo, e é triste notar o estado das crianças e jovens que moram nas ruas de lá. Falta-lhes a mais básica dignidade e muitas vezes o mínimo da condição humana.
A proposta do programa me lembrou ações do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua em Curitiba, que conheci e acompanhei (fiz reportagens à noite com eles) em 1995. Daquelas crianças, vi um se tornar educador de rua, formar família e ajudar alguns de seus amigos, superando inclusive as drogas. E aprendi a ter esperança na recuperação do ser humano, sempre que ele for tratado com dignidade e respeito.
Os projetos e história do Travessia podem ser conhecidos em seu site http://www.travessia.org.br.
One of us
Postado em Música, teatro no dia 25/07/2007Recentemente pude assistir a reprises de duas
entrevistas muito agradáveis com Ariano Suassuna. Como não podia deixar de ser, encantou-me a forma como ele conta sua própria história familiar (o pai foi assassinado num imbroglio ligado à morte de João Pessoa) e como conta com simplicidade de sua obra, como se fosse um principiante sem muita fé em si mesmo. Fala tudo com sinceridade e a firmeza que a história e a ciência concedem aos bons docentes. Fiquei ainda mais fã.
Mas continuo sem ter lido um único livro dele. Falha imensa que me faz parecida com muitos brasileiros: apreendo a cultura de meu país pela mídia televisiva e cinematográfica, até mesmo no que concerne à literatura. Por um lado uma pena, por outro uma bênção, pois me orgulha termos profissionais tão bons que consigam nos passar o sabor de um Suassuna nas telas como fez Guel Arraes com o Auto da Compadecida, um dos meus filmes favoritos.
Pois o Teatro Guaíra, em frente ao qual fiz faculdade em Curitiba, celebra Suassuna de 26 a 29 de julho no Mini-Guaíra. E o que é melhor, com entrada franca. Uma das histórias que compôs meu querido “Auto”, a do pai avarento e o porquinho que seria dote da filha estão em “O Santo e a Porca“, peça de estréia do Grutun!, Grupo de Teatro da UniBrasil. A iniciativa é fruto de uma leitura de poemas que os alunos fizeram para próprio autor em sua visita a Curitiba no início de junho. A direção é de Alex Wolf e coordenação de Victor Folquening.
P.S. Parece que não tem nada a ver, mas tem: já prestaram atenção à letra da música One of Us, de Joan Ozbourne? Estávamos ouvindo-a no carro no domingo e traduzindo para os meninos e me lembrei de imediato de uma passagem do Auto em que Jesus se apresenta como um negro para o Chicó, para testar sua fé.
“If God had a face, what would it look like“?


