Descaso e desperdício
Postado em from posterous no dia 22/06/2007
E começou nosso inverno.
Meu corpo sulista ainda sente falta do frio, apesar de ser meu terceiro inverno paulistano. Fico sempre numa expectativa meio contraditória de que esfrie, apesar de apreciar tanto este inverninho que tem tardes de 25 graus e céu limpinho. Deve ser meio orgânico, pois o Gui, nascido e criado nos invernos com neve de Lages, SC, sempre fica contente quando está uma noite fria e tem aquele “cheiro” familiar, do ar gelado e do céu lindo. Aliás, no Japão tínhamos ambas as coisas: o céu limpo e tempo seco e o frio delicioso. Saudades.
No entanto, por mil fenômenos ambientais (que já estamos cansados de ouvir, mas fingimos não escutar) o inverno será seco demais e já se discute o racionamento de água na Grande São Paulo, que sofre com desperdício e falta de investimentos. Incrível a diferença de consciência que vejo aqui e que tinha em Curitiba (nem vou comentar do Japão, mas escrevi sobre o lixo de lá em fiscalização do lixo é uma prática enraizada). Simone comentou do lixo que não é lixo , programa curitibano no desabafo onde seu filho joga o lixo?
Percebo aqui um descaso, egoísmo, inconseqüência e ignorância neste assunto. A questão ecológica nem entra na pauta, aqui é a falta de noção do outro, de perceber que se você gasta muita água vai faltar para o outro, de que se entope (já vi gente socando) lixo nos bueiros outras pessoas serão prejudicadas com enchentes, de que uns podem ter umidificador de ar e esterilair, mas todos merecem qualidade no ar que respiram.
E o lixo, gente? Que tristeza! Eu separo, é natural, minha família separa há pelo menos duas décadas lá em Curitiba. E vejo que aqui, apesar de a coleta seletiva ser inexpressiva, há alternativas. Perto de minha casa tem um Batalhão de Bombeiros e lá tem um local para coleta seletiva de lixo. Acostumar-se a levar o lixo reciclável até algum lugar é um exercício exigente, mas logo que se começa é como praticar esporte ou fazer academia, a preguiça logo perde para a satisfação. Às vezes vejo carros muito chiques parando lá e as mulheres abrindo os porta-malas com os sacos de lixo separados e penso: esta pessoa morou fora do Brasil. Desejo sinceramente que chegue o dia em que este pensamento não me venha à mente e sejamos todos moradores
melhores do Planeta Terra.
Não fui muito amena, não é mesmo? Não há mais tempo para sermos.
Mas deixo aqui link para fotos lindas das Jóias de René Lalique para compensar!
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