Arquivo: June 19th, 2007

Carreira e filhos são incompatíveis?

Postado em Mãe com filhos no dia 19/06/2007

Há algumas semanas eu me deparei com uma chamada no bloglines do Brazen Careerist uma postagem em que Penélope Trunk desabafava sobre a experiência de levar carreira e filhos juntos em Blending my kids and my career. O texto , em inglês, é risível e ao mesmo tempo desesperador, dependendo do quanto você se identifica com a mãe que lançou um livro sobre carreira (o blog dela fala sobre as novas regras para o sucesso na carreira) e que precisa driblar os filhos para dar uma entrevista para TV. A cena que ela pinta da entrevista que deu a uma rádio trancada no closet, é hilária.
Ela não está sozinha. Mel, no blog Familia Moderna, também diverte e ao mesmo tempo entristece na sua narrativa da efemeridade do trabalho doméstico em Profissão mãe e esposa! O lado triste fica por conta das escolhas que as mulheres se sentem forçadas a fazer e da culpa que a sociedade continua a nos impingir. Um exemplo está na matéria as mães devem parar de trabalhar?publicada da revista Época desta semana. Sinceramente, apesar de ser uma mãe que deixou de trabalhar para passar o primeiro ano com os filhos, não me identifiquei com a abordagem, pois enfatiza o sentimento de perda no âmbito familiar.
Minha opção ficou no meio termo, como li que fez Erika em trabalhar fora x trabalhar em casa . Então não vejo esta perda. Encaro a nova maternidade que nossa geração vive como uma escolha, nossa e de nossos companheiros. Uma mulher que tinha uma carreira e opta por deixá-la de lado para ficar mais com os filhos conta com um grande companheiro, tanto quanto a mulher que opta por não parar de trabalhar para ser só mãe.
Minha mãe é advogada, sempre trabalhou, mas ficou alguns anos conosco, pois achou que precisava. Minha sogra também sempre trabalhou. Emanuelle, arquiteta e colaboradora do Desabafo em Natal, RN, escreveu um texto muito terno sobre o tema em Como Nossos Pais. As mulheres de outras gerações lutaram pelo direito de trabalhar, mas não creio que nós estamos lutando pelo direito de ficar em casa: lutamos pelo direito da escolha, que não precisa ser definitiva, porque a infância das crianças é agora, mas nossa vida produtiva como profissionais pode ser longa. E feliz.

P.S. Não somos só nós, mulheres que sentimos esta pressão e desejo de ter mais tempo para a família. Os pais o sentem também e as opções deles são ainda mais duras. Manoel nos contou sobre o preço de uma especialização e a dificuldade de reagir às cobranças da filha por sua falta de tempo.