Arquivo: June 18th, 2007

Nada como um bom blend!

Postado em from posterous no dia 18/06/2007

Hoje é aniversário do meu pai.
Não posso começar o texto falando de outra coisa, afinal, são 65 anos, que lindo!
Já faz tempo que ele tem o cabelo branco e que se aposentou, mas é um cara que eu considero jovem fisicamente. Espero que ele viva muito ainda, pois eu o amo muito e tenho dificuldade de imaginar a família sem ele e minha mãe juntos. Meus pais são de etnias muito diferentes (meu pai é filho de japoneses e minha mãe descendente de alemães e portugueses), têm poucas coisas em comum, mas são ligadíssimos como pais. Já chegaram ao divórcio e mesmo assim nunca deixamos de ter finais de semana em familia, férias na praia e natal juntos. Parte disto eu credito à resiliência do Shiraishi-san.
Nesta data nós nós (a colônia japonesa) também comemoramos 99 anos da imigração e a festa fica até reduzida por conta de todos os planos para o centenário da imigração em 2008. É uma data simbólica, a chegada do primeiro navio com imigrantes japoneses no Brasil, o famoso navio Kasato Maru, e se tornou o Dia do Imigrante. Em um século (pouco mais para os alemães e italianos, muito mais para os portugueses e africanos) muitas etnias enriqueceram nosso país. Para mim a diversidade é o que garante a evolução da nossa espécie, não (só) porque promove um melhoramento genético, mas principalmente porque promove a aceitação, união, crescimento coletivo, inclusão. Nada como um bom
blend, não é? Recomendo dois textos nesta data em que a imigração deve nos lembrar que devemos ser capazes de amar e de nos misturar para sermos dignos de sermos humanos: O que realmente importa? e Mais sobre preconceito.
Também é aniversário da tia Darci, cunhada do meu pai e uma irmã que o acompanhou desde a infância juntos em Ribeirão do Pinhal, PR. Ela é mãe da Leninha, minha querida e sempre distante (fisicamente) prima, que hoje me honrou com o Thinking Blogger Award no seu blog Leninha, no Mundo da Lua e dos Kiwis. Que querida! A Lê, como a Ina (minha prima que aniversaria hoje também), tem um feliz casamento inter-étnico. Viva a diversidade.

Estou postando abaixo um texto que eu fiz e está num blog de fotos de familia que mantemos a sete chaves, com senha. É sobre o ditian, avô que temos em comum.

Sadanori Shiraishi, o Ditian!

 

Não sei o ano da foto, que me foi enviada ao Japão em 1999, ano do centenário dele, por tia Aiaco. Creio que tenha sido restaurada e digitalizada pelo Gilberto, a quem sou muito grata por ser um dos primeiros a cuidar do acervo da família.
Ditian é uma figura tão mítica para mim, tão envolta em histórias mirabolantes, que sempre me pareceu irreal. Esta foto, com a exata pose e carisma que meu pai sempre enalteceu nas histórias (repetitivas, porque Shirashi que se preze conta as histórias igualzinho mil vezes!), me fez crer em todas as aventuras dele.
Sabem aquele pai do Peixe Grande? Pois aquilo tudo ainda é pouco perto do que este japonês de Fukuoka, que migrou sozinho para o Brasil aos 14 anos, fez por aqui. Fugiu de índios a quem conquistara por parecer com eles quando morou no Mato Grosso, em pleno pré-guerra teve uma sociedade com um francês para plantar menta, fez o parto de nove dos dez filhos que teve com a esposa, mas acima de tudo foi um homem político, envolvido nas causas em que quis.
Por acaso ou não, meu pai foi o único filho a quem ele não viu nascer, pois estava preso em 1942, quando o Brasil prendeu imigrantes do”Eixo”. Quando li sobre isto no livro de Fernando Morais identifiquei exatamente a cidade onde meu pai nasceu e entendi parte da minha própria história. Creio que o Ditian tenha sido uma figura marcante na época dos Corações Sujos, seja de um lado, seja de outro, porque ele nunca foi de ter meias idéias ou calar sua opinião.
Será que tive a quem puxar? (risos)

P.S. O cineasta David França Mendes, de O Caminho das Nuvens, está preparando dois projetos que contam parte desta história e é possível acompanhar tudo no seu blog.

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