Sexta-feira e estou vendo novela enquanto
escrevo, fazendo hora até o desenho dos meninos acabar e eu sair para buscar o Gui. Confesso que há anos não sou adepta de novelas, que vi muito com minha mãe e irmãs, mas aprendi a ficar sem quando tive os meninos. Enzo ainda pequeno se impressionava com as cenas de novelas, pois não é só nudez e sexo, mas violência, amoralidade e imoralidade, falcatruas… enfim, como no nome da novela que passa agora, os Sete Pecados e muitos outros estão nestes folhetins.
Esta novela tem um quê especial, além do elenco, com o qual eu simpatizo: se passa em São Paulo. Já estou ficando meio paulistana e eu sempre tive uma tendência a ser “bairrista”, não escondo. Mas o que vejo na tela agora não é uma cena bonita: a personagem da Gabriela Duarte (não acompanho então não sei os nomes) é uma jovem diretora de escola pública na periferia paulistana e vê seus esforços por melhorar a escola serem destruídos por jovens revoltados. Triste. Mais triste ainda é a ficção acontecer tão simultaneamente a notícias reais: Educadora de São Bernardo teve parte do dedo decepado na porta por aluno de 10 anos e aluno que queimou cabelo de professora não será punido. Não sei nem o que comentar, sinceramente. Só posso repetir o que disse a Lu Ivanike hoje no blog dela sobre um caso semelhante em Curitiba no post Revolta, nojo, indignação, repúdio…
A falta de educação não está só entre os mais jovens, está também em outras gerações. Hoje soube que a diretora de um órgão público da justiça paulista foi chamada de “p” por outros funcionários em conversa deles no msn, que acabou no a”Diário Oficial do Estado de São Paulo”. Já pensou? Parece que às vezes a justiça alcança os valentões, como no caso da violência contra a empregada doméstica no Rio de Janeiro.
Para terminar a sexta-feira bem: minha querida Lina e seu blog de musicólatra está de casa nova, estou sendo Relações Públicas e convidando a todos Ginger Musicalmente Musical.
Links:
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Encarando o Capitão Cueca
from posterous June 29th, 2007
Tem desabafo meu hoje, contando do nosso passeio de domingo com os meninos.
Encarando o Capitão Cueca
Costumo levar Enzo e Giorgio em muitos eventos culturais, como já contei aqui em outros desabafos. No domingo 24/06, prestigiamos o Dia C: Capitão Cueca Invade a Saraiva, evento promovido pela editora Cosacnaify.
Foi tudo novidade, porque não lemos o livro primeiro para entender quem é o Capitão Cueca, mas segui a intuição por conta do livro Ricky Ricota e seu super robô, do mesmo autor, Dav Pilkey, que o Enzo adora e lê (inteiro) quase que diariamente desde que ganhou.
Como na história do ratinho Ricky, a trama se passa na escola, com aquele tradicional ambiente competitivo e travesso dos filmes típicos norte-americanos. Haroldo e Jorge são dois meninos muito traquinas e criativos, e inventaram um novo super herói (Capitão Cueca) e passam a vender os gibis dele no recreio da escola. A história segue o esquema gibi, sem nada de politicamente correto, mas divertindo as crianças.
O “Dia C” tinha duas atividades: um teatro na sala de eventos na livraria e uma oficina de gibi.
O teatro reuniu umas 30 crianças que sentaram no chão e se divertiram com as bobagens que Haroldo e Jorge aprontavam. Os pais e mães, confesso, ficaram meio de fora da diversão, que era mesmo para meninos e de segunda infância. Alguns menores, como Giorgio (4 anos), se empenharam em participar, aventurando-se até a levantar o pé (era pé e não mão, tudo muito informal e fora do convencional) quando o elenco foi escolher crianças da platéia para imitar o Capitão Cueca e ganhar kits da editora.
Após o teatro, Capitão Cueca foi autografar livros e as crianças ganharam lanche, tudo no espaço infantil da livraria. No setor de DVDs infantis, onde há carpete e pufes, as crianças foram se reunindo e a artista Liana Yuri começou sua oficina de gibi e “vire-o-game“, um joguinho de imagens legal que faz parte dos livros.
As crianças foram se achegando, pegando lápis de cor de uma caixinha que ela trouxe e parecia a canastrinha da Emília (do Sitio do Picapau Amarelo) e usando as folhas de sulfite que ela ensinou depois a dobrar e fazer quadradinhos. Interessante ela ter levado desenhos do livro em figurinhas auto-colantes, ajudando quem não conseguia desenhar. Giorgio usou-os e me surpreendeu “escrevendo do seu jeito” uma historinha enorme.
Pena que a desenhista estava mais interessada na produção dos meninos maiores, como Enzo, e não deu muita atenção ao menino de 4 anos que lhe mostrava orgulhoso sua produção. Enzo, aos 7 anos, optou por desenhar e escrever sua própria estória e inventou um personagem: Super Cometa. Em dois dias ele já rendeu outros dois gibis em casa, estamos com um cartunista promissor!
Enfim, deixando cansaço dos pais à parte e descontando o atraso de meia-hora para começar a peça (marcada para 14h), valeu a pena por ver os meninos se divertindo, criando e se sentindo importantes. O evento, apesar de ser uma oportunidade muito boa de conviver com os filhos e se divertir em família, não me convenceu a comprar o livro, pela falta de valores éticos que envolvia a história. Uma pena, pois tenho outras (várias) excelentes obras da mesma editora.
Na escola também temos que participar
mãe com filhos June 27th, 2007

Tenho uma teoria de que a geração à qual pertenço é de pais que decidiram participar.
Como na propaganda da nossa infância e que virou bordão nacional, “não basta ser pai, tem que participar”, hoje pais e mães procuram estar sempre ligados ao que acontece com seus filhos. Mas e a escola? O ambiente no qual nossos filhos passam muito tempo, que nos descabelamos para escolher bem (ou para pagar bem) ou simplesmente para ter vagas, este segundo lar tem recebido nossa atenção e ouvido nossa opinião?
O Junshin, primeira escola dos meus filhos em Curitiba, mesmo sendo uma escola particular de educação infantil, tinha uma Associação de Mães e podíamos participar da realidade da escola e das professoras. Em São Paulo encontrei um pouco disto, na figura da orientadora da escola, Sylvia Tolosa, e gostaria de encontrar mais casos como o dela e da professora Andréia Poca, que mantém três blogs sobre a escola pública onde leciona no Rio de Janeiro, uma deles chamado Blogando com a comunidade. A bióloga Lu Ivanike também escreve em seu blog sobre a relação com os alunos e a escola, deixando transparecer para nós a realidade na qual está inserida.
Tenho conversado com Gláucia, uma amiga-mãe-virtual e mãe de Mateus e Júlia, sobre um conselho de pais na escola onde nossos filhos estudam. Falamos com outras mães e já se percebe que a vontade é coletiva, os pais querem ter a chance de opinar de forma mais ativa no que a escola oferece aos seus filhos e à comunidade. Este foi também um dos temas eu conversei com a colaboradora do Desabafo Emanuelle Albuquerque, de Natal, RN, que conheci no sábado, numa visita dela a São Paulo. As fotos do nosso encontro estão aqui.
E a escola dos seus filhos, tem aberto este espaço para sua participação? Conte aqui, queremos ouvir sua história e sua opinião também. Deixe um comentário
Uma lição de amor (e algumas homenagens)
A Vida Como A Vida Quer June 27th, 2007
Hoje é basicamente um dia de citações de colegas
virtuais, pois tenho pouco tempo e boas dicas. Depois de assistir o filme Uma lição de amor, em que Sean Pean faz um pai com retardo mental que ensina a advogada super ocupada (Michelle Pfeifer) a encontrar tempo para ficar com o filho, eu prometi que vou aproveitar melhor minhas noites com Enzo e Giorgio. O filme ainda me brindou com uma trilha sonora maravilhosa dos Beatles (com ênfase no álbum Abbey Road).
Vamos às homenagens:
O Dinheirama, blog que me ensina muito sobre o mundo (para mim) desconhecido das finanças, completou 100 posts e 600 assinantes (via feed), com mais de 40 mil visitas. Uma marca e tanto para apenas 3 meses de vida. O Conrado Navarro merece e fiquei muito contente por ele.
O novo Boombust está no ar e estou entre os convidados para os testes em beta (testar funcionalidades e criar redes), ao lado de muita gente boa, como é possível conferir aqui. Honra e responsabilidade que espero corresponder, assim que conhecer melhor o projeto, que dizem ser um 9rules brasileiro.
Por fim, mais uma de Curitiba. O arquiteto e escritor Silvio Sano, autor de Sonhos que de cá segue e Encontros e Desencontros, é um dos oito escritores nipo-brasileiros que serão homenageados no XVII Imin Matsuri 2007, em Curitiba, no próximo final de semana. Tudo lindo, exceto pelo frio que deve fazer no Parque Barigui, que sediará o evento, um dos primeiros das celebrações do Imin 100 – o 1º centenário da imigração japonesa no Brasil. As obras serão encenadas por alunos da FAP contratadas pelo SESC Água Verde. Postei mais detalhes no meu blog movimento dekassegui.
Arte e reciclagem
cotidiano e sociedade, sustentabilidade June 27th, 2007
O inverno e meu saudosismo de Curitiba. Hoje li que a feira do Largo terá identidade visual e fiquei imaginando se vai manter o charme. O belo de lá é ter tanta gente diferente com artesanato e arte se espalhando por aquelas ruas onde a cidade de Curitiba nasceu. Enfim, pode ser só antipatia minha porque que a campanha é promoção da prefeitura e do Ministério do Turismo, que ficou mal visto depois do que a Ministra disse do caos aéreo. Ou uma vontade de ser dona de lá e não deixar nada mudar, para conservar a parte da minha vida, todos os domingos que passeei lá com o Gui quando namorávamos, éramos recém-casados ou passeávamos com nossos bebês. A gente tem esta mania de querer que os lugares que foram marcantes na nossa vida sejam sempre iguais e fiquem lá nos esperando, como ficam em nossa memória e sonhos. Enfim, surpreendeu-me saber que cerca de 18 mil pessoas passam pela feira todos os domingos e que é a terceira maior feira do Brasil, com cerca de mil artesãos. Dentre eles descobri no blog da Lu Ivanike um grupo que me lembrou as carteiras de Carité (Manu me presenteou com uma lindíssima): Manga de Pano, que estão todo domingo na Feirinha do Largo da Ordem (na curva depois da Mesquita). Ainda sobre artistas: vi uma dica de reportagem sobre um artista autista carioca no blog Melhoramento Constante que vale a pena conferir em Caveirão de papel, do temor à arte. Feitas com papel de jornal, verniz, cola, tinta, garrafas pet e madeira, as miniaturas chamam a atenção pela perfeição. Dois pontos lindos nesta história me chamaram atenção de imediato: o uso construtivo de materiais recicláveis e a pureza de espírito do artista.
Hoje meus artistas e eu voltávamos da feira e tivemos uma conversa que me trouxe o mesmo sentimento. Sempre converso com uma moça que vive de reciclagem de lixo e costuma estar aqui na região no dia da feira, a Fátima. Pergunto das crianças (filhos de
16, 14 e 7 e netos de 1 e 2 anos), para quem dôo eventualmente roupas, calçados, gibis e livros (dou lápis de cor e livro para criança porque acredito que fazem parte de uma infância saudável e feliz) e cobro os estudos, pois tenho dado materiais escolares para eles no começo do ano letivo. Enfim, ela conversava conosco e ao mesmo tempo amassava latinhas de alumínio e os meninos ficaram curiosos, então quando voltávamos para casa me perguntaram: Com que ela trabalha, mamãe? Expliquei que era com reciclagem de lixo e eles responderam: Mas então ela tem o melhor trabalho do mundo! Enzo ainda complementou falando que reciclagem é um trabalho muito importante. Tive uma sensação de que estou fazendo bem meu próprio trabalho – o de mãe.
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blog com grelos
A Vida Como A Vida Quer June 24th, 2007

Tenho a tarefa de indicar alguns blogs para o prêmio Blog com Grelos (não me perguntem o que é grelos, não descobri) que recebi da Marta F. Lisboa, de Estremadura, Portugal, a quem não conhecia nem virtualmente. Ela é criadora do prêmio “especial para mulheres que, na sua escrita, mostram uma preocupação pelo mundo à sua volta e ainda conseguem dar um pouco de si e dos seus sentimentos e com isso tornar mais leve a vida dos outros. Mulheres, mães, profissionais que espalham a palavra de uma forma emotiva e cativante. Que nos falam da guerra mas também do amor“. A idéia é bárbara porque como os blogueiros sabem, há uma diferença sutil entre os blogs de homens e mulheres e nos de mulheres, entre as profissionais, as mães, as não-mães. Mas já falei disto no Boombust, não vou me repetir.
Cito então cinco mulheres, e claro seus blogs, que considero que cabem no descrito acima, mesclando capacidade crítica, inteligência, sem perder o lado feminino e afetuoso.
Discussão ou conversa?
A Vida Como A Vida Quer June 24th, 2007
Discussão: do latim quatere (chacoalhar) e dis (partir, quebrar, dividir), disquatere virou discutir, que significaria pegar um assunto e agitá-lo, até ele se subdividir em partes menores, mais fáceis de ser compreendidas que no total. Segundo Max Geringer (risos, é que leio a coluna dele) “é por isso que, em qualquer discussão, todos os envolvidos sempre parecem ter um pouco de razão: cada um só vê a parte que lhe interessa”.
E os blogs, são instrumentos de discussão ou conversas apaziguadoras de amigos?
Depende da afinidade ou falta de afinidade eu temos com o autor do blog que lemos. Eu gosto mais deles como ponto de partida para uma subdivisão em pontos de vista interessantes e enriquecedores. Mas eles nem sempre são um retrato fiel de nossa personalidade, estão mais para um auto-retrato meio cubista, surrealista, no mínimo impressionista (citei porque são três dos movimentos que adoro).
Ontem pensei um tanto nos blogs porque eu e minha familia passamos o dia com a Manu, do Carpie Diem. Conhecia Manu, que é arquiteta em Natal, RN, dos textos no Desabafo e do seu blog, em que fala da vida de arquiteta e posta belas poesias de sua autoria. Foi delicioso vê-la pessoalmente e ter horas para conversar solto enquanto passeávamos por alguns prédios bonitos de Sampa -pensei num roteiro de arquiteta e segui alguns desejos dela, que, por sorte, nos levaram a locais que apreciamos muito. Voltei para casa e pensei: quanto será que todos escondemos sob a ponta do iceberg? Porque eu a considerava uma pessoa agradável e inteligente no msn e nos textos, mas quanta coisa boa fui descobrindo ao longo do dia. Duas eu preciso comentar: a visão crítica e aberta ao mesmo tempo que notei em suas colocações e a serenidade com que ela apreciou a arte comigo e com os meninos na Pinacoteca.
Por falar em Pinacoteca: é maravilhosa a oportunidade de conferir a exposição “Imagens do Soberano”, acervo do Palácio de Versailles, que está em exposição lá. Levei os meninos e se comportaram bem, além de terem se encantado com os “luíses” XIV a XVI, inclusive como crianças. Na última sala, as imagens de Maria Antonieta nos dão uma noção desta rainha tão controversa. E me deixaram com mais curiosidade sobre o filme de Sophia Copolla.
Aos sábados as visitas são gratuitas e é um ambiente bom para mostrar para as crianças as diversas formas e escolas artísticas. Já tínhamos ido lá e há sempre uma novidade a encantar as crianças, na arte contemporânea ou em mostras como a de Versailles ou do Rio de Janeiro na rota dos mares do sul (que adoramos). Deixo aqui outra dica para os pais que gostam de apresentar cultura aos seus filhos: a coleção Folha Grandes Mestres da Pintura tem nos rendido momentos muito agradáveis de leitura e apreciação das imagens com os meninos e nos permitido acompanhar a percepção deles sobre os adultos (como diz o Giorgio).
Um único ponto negativo sobre nosso passeio cultural: passamos pelo MAM e Oca e a exposição Leonardo da Vinci- A exibição de um Gênio continua lá, mas com preço muito salgado para um programa familiar. Por que não fazem pacotes para família como nos jogos de futebol do Paulistão?








