Desabafo é destaque na imprensa na semana das Mães
Postado em from posterous no dia 15/05/2007
Estou muito orgulhosa, porque o Desabafo de Mãe é um dos dois sites citados na matéria da revista Época que traça o perfil das mães atuais, classificando-as (pela faixa etária) em Millennials, Geração X (a minha) e Boomers. As mães do novo milênio – Batizadas nos Estados Unidos de millennial moms, elas usam blogs, Orkut e qualquer tecnologia que sirva como aliada na criação dos filhos
A matéria da Época se assemelha à outra publicada neste mês em outra publicação da Editora Globo, a revista Crescer e trata-se de um Manual de Sobrevivência da Mãe do Século XXI.
Na sexta-feira já tínhamos sido destaque na matéria Internet é espaço para reunir mães – Modernas, mamães usam a tecnologia para falar com e dos filhos do portal RBS, subsidiária da Globo no RS e SC.
E hoje, coincidentemente, a manchete do Desabafo é um texto meu sobre o Enzo em que eu pergunto: Inteligente é Diferente?
Que honra e que responsabilidade!
Dia da mães ou das filhas
Postado em from posterous, Mãe com filhos no dia 13/05/2007É Dia das Mães.
Acabo de ler uma mensagem que minha mãe me mandou pelo dia e que me fez refletir sobre aquela velha história de que os filhos não crescem e que, de certo modo, todos nós precisamos continuar nos sentindo filhos.
Passei o café da manhã conversando com minha irmã -que me visita nestes dias- sobre nossas avós e outras mães da família…. que interessante ver como nós todas temos algo em comum e que depois de sermos mães conseguimos entender melhor toda a história da humanidade.
Um Domingo muito Feliz!
Segue a mensagem da minha mãe:
Samantha, minha filha, já é dia das mães, 00:05 de 13.05, e escrevo para dizer o que o dia hoje significa para mim. Foi o seu nascimento que me conduziu à condição de mãe e embora já tenha anteriormente contado isso a você, lembro sempre deste momento na minha vida, quando você tinha poucos meses de vida e morava já num quarto sozinha, no apartamento do Edifício América, na Praça Rui Babosa, era uma noite de domingo, e chovia, eu olhava da janela do seu quarto, que era grande, nele estava aquele armário azul e no meio um tapetinho redondo sob o seu berço entalhado e as suas coisinhas na cômoda do jogo e os enfeites dos seus primeiros brinquedos, a caixinha de música, o cortinado presente da vovó Maria, você dormia nos seus lençóizinhos de cetim branco, que agora você detesta, um sono tranqüilo e eu ohando o seu sono, via pela janela, as pessoas andando na chuva e refletia reconfortada que não era mais sozinha,pois tinha você. E você foi sempre minha companheirinha, tão séria, tão compenetrada, tão inteligente, tão cheira de personalidade e determinação. Nunca me esqueço de quando você decidiu que não queria mais usar fraldas a noite, tinha dois anos e meio e disse,: não vou mais usar fraldas para dormir e não fez mais xixi nas fraldas, ou na cama. Você sempre teve domínio próprio, que eu considero uma grande virtude, Por isso sei que tudo aquilo que você desejar fazer vai conseguí-lo. Só não esqueça de ser generosa com essa menina tão comportada e disciplinada e não deixe de dar-lhe aquele dia da permissão, eu estou começando a adotar essa prática, com a minha vidinha tão cheia de rotinas e me permitindo de vez em quando romper com elas para dar uma folguinha para a minha menina. É dificil ser mãe, esposa, dona de casa, profissional, participante ativa da comunidade e tirar folguinhas, porém é necessário, e algumas horinhas só, já nos reabastecem, com os pequenos fica difícil, quem sabe vocês conseguem tirar junto as feriazinhas de horas. Você é muito criativa, vai conseguir voltar a fazer isso. Filha, agradeço a Deus pela sua vida. Agradeço a Deus pela vida dos seus filhos, meus amados. Abençôo-os e ao Guilherme e oro a Deus para que os guarde, proteja, livre-os de todo o mal do mundo, que Senhor os mantenha debaixo de Seu esconderijo e dê a você e ao Guilherme luz, sabedoria para continuarem edificando as suas vidas na direção da verdade, do amor, da lealdade, da compreensão, na direção de Deus. Feliz dia das mães. Você é uma mãe nota 10!. Beijos da sua mãe que a ama.
Inteligente é diferente?
Postado em from posterous no dia 13/05/2007
Hoje Enzo chegou em casa muito animado. Já vi que foi um dia especial. Logo no almoço descobri a razão:- Mamãe, hoje teve ditado de números grandes e pequenos e o maior número foi o meu. Todo a turma me aplaudiu, foi super legal!
Este é meu filho que completa 7 anos no dia 12 de maio. Não faz gols, mas ganha aplausos na aula de matemática, fala de astronomia, desde os três anos quer ser paleontólogo e geólogo – e sabe o que estas profissões fazem. Ele parece aquele menino da propaganda “mãe, quero brócolis, peraí mãe, só mais um probleminha de matemática antes de eu brincar”. E é.
Enzo fez tudo meio adiantado em termos intelectuais, mas seu desenvolvimento físico e emocional sempre foi normal. Aliás, como só tínhamos ele e foi a primeira criança nas duas famílias, nunca achamos ele muito diferente até entrar na escola. A primeira característica da inteligência dele que notamos foi a boa memória, ainda bebê. Podíamos passar um tempo sem ver a pessoa, mas ele sabia se era familiar ou não. Logo ele aprendeu os nomes e cumprimentava: “oi Fulano”. Sem tia, sem tio, só o nome, de igual para igual. É assim até hoje. Sabe os nomes completos dos coleguinhas de maternal e jardim que deixou em Curitiba em 2004 e os daqui, colegas dele ou amigos da família. Com a mesma facilidade ele assimila dados científicos dos animais que lhe interessam (agora são escorpiões e aranhas, depois de muitos dinossauros e felinos), sabe os kanjis de vários nomes e começa a brincar de fazer rimas com palavras em inglês.
Estas características nos levaram a fazer um teste psicólogico quando ele completou seis anos. Não só de QI, queríamos saber se era necessário fazer algo mais para ele, se precisava mudar de classe para se integrar, se precisava de aulas-extra, enfim, se a gente estava agindo certo. Os pais sempre estão se questionando, é uma característica da nossa geração. Até então não tínhamos feito nada a sério para o Enzo além de dar brinquedos e jogos, ler livros e ver filmes.
A avaliação confirmou nossa suspeita e diagnóstico: inteligência superior à média, emocional condizente com a idade biológica. Mantivemos ele na mesma classe e estamos contando com o apoio da escola para ele não ficar “de saco cheio” das tarefas quando as achar fáceis. Ele faz contas de cabeça, mas estamos ensinando a “armar” a conta do lado para mostrar para a professora como fez. E aumentamos as linhas das redações e interpretações de texto, porque ele sempre tem mais e mais para escrever.
Cores primárias e secundárias, letras, números, tudo foi assim com ele, assim que começou a falar sabia-os sem esforço e antes de dois anos falava com concordância nominal e verbal. A leitura foi natural, mas não forçamos a escrita, porque minha sogra, que é pedagoga, nos orientara a não pressionar por habilidades motoras, que dependem de amadurecimento físico e não só intelectual. Além do mais, Enzo é sinistro e os canhoteiros tem uma habilidade motora “diferente”.
Diferente é o que temos tentado evitar que ele pareça. Nesta semana ele veio me perguntar o que significa NERD. Expliquei. Na hora ele me olhou e disse: – Mas então eu sou NERD? Não respondi, mas ele entendeu.
Com sete anos começa oficialmente a segunda infância dele. Tenho medo desta fase porque trará esta idéia de ser “atleta” ou “nerd”, “legal” ou “esquisito”, porque os grupinhos se dividem. E as diferenças vão aparecer, se reforçar, assim como os interesses. Ano passado um colega que tinha ciúme do Enzo falou: – Já que você é um gênio da ciência, porque não inventa uma poção para fazer você sumir? Isso dói. Dói nele e mais ainda nos pais. Será que ele vai ser aceito?
Muitos pais que desconfiam que seus filhos são mais inteligentes que o normal e já ouvi falar que alguns desejam isto, certos de que será uma garantia de um futuro bem sucedido. Desde que começamos a avaliar o Enzo tenho lido e conversado muito com pessoas envolvidas, inclusive descobri o Mensa, associação que integra pessoas de QI elevado e que faz os testes para adultos. Concluí que o que pesa mesmo no sucesso de um ser humano é afeto e incentivo bem dosados, uma vida feliz que lhe dê as raízes para construir a árvore a vida com firmeza. Muitos gênios não se transformam em nada porque não conseguem sair de seu mundo e interagir de forma saudável com o mundo real. É preciso ter com quem interagir e ter um círculo de amigos que nos ajudem verdadeiramente a crescer.
Lembrei de um fato da formatura de pré do Enzo, há 6 meses. Os avós trouxeram dois presentes “geniais”: meus pais deram um telescópio, meus sogros um microscópio. Assim que saiu do palco, ainda de beca, ele os abriu e foi correndo mostrar para uma amiga, que ao ver falou: – Ai Enzo, você já era inteligente, agora é que você vai saber tudo mesmo!
Uma frase tão espontânea, mas que nos deu a noção de que ele está sendo compreendido. E que diluiu o colega que queria poção para ele desaparecer. Que ele seja aceito e mais que tudo, amado, é o que espero. Quem deseja sucesso maior?
O "show" das mães na escola
Postado em from posterous no dia 11/05/2007
Estou para contar a aventura da comemoração do Dia das Mães na escola, antecipada para ontem à noite por conta da visita do Papa e da canonização do Frei Galvão, mas confesso que estou me enrolando. Até fiz uma fotomontagem legal, postei no blog, mas cadê a história do “show”? Mas tenho que postar, pois já na saída da escola a Débora, mãe da Gabi, me falou rindo: esta eu vou contar no Desabafo de Mãe! Falo com orgulho que ela nos visita com assiduidade, o que me deixa muito honrada, pois é uma mãe incrível para a Gabi e a Manu, duas coreaninhas lindas. Deb, Glaucia e Simone estavam à minha volta na hora do meu “show”.
Aí há pouco entrei no Desabafo e li o texto da Elizabeth Dereti “ De que tamanho é o cobertor da mamãe” e chorei quieta aqui quando cheguei ao seu parágrafo da gripe coletiva, porque ainda vejo meus filhos como o Lucas, às vezes quietinhos, tentando entender a situação coletiva em que estão inseridas na família… e eu só tenho dois, tive-os com uma diferença normal (2 anos e 5 meses), mas também pirei como você querendo fazer “o mesmo” para ambos. Andei mexendo nas fotos para fazer uma retrospectiva do Enzo para o aniversário dele e vi tanta coisa… ele parecia sempre tão grande, mas na verdade era tão pequeno! Quanta coisa o mais velho tem que encarar! E quantas coisas o caçula perde, porque não dá tempo!
Mãe é assim, a gente às vezes queria ser um polvo, para ter mais braços, não é? Foi assim que me senti ontem: Giorgio teve que ficar na atividade da classe do Enzo comigo, ofuscado. Quando era uma mãe para mais de um filho, a escola optou por deixar o menor com o maior. Todo mundo, como disse a Deb, apertado na salinha com cadeirinhas para crianças! Fazíamos um belo ikebana e não é que eu cortei o dedo do Giorgio? Correria, sangue pelo corredor da escola e quem ficou ofuscado? O Enzo… ai, meu Deus! Nem terminei nada, não ganhei o presente dele, só fui ver tudo no final. Depois do sangue estancado, sentei no ginásio para ver a apresentação e o Giorgio quis ir lá, pois ele tinha ensaiado muito para o show! Não sei o que me emocionou mais: as fotos que passaram no telão, com as mães e filhos bebês, os seresteiros que foram contratados para cantar para nós (lindo), o Enzo por sorte ter ficado na minha frente no círculo de crianças que envolveu as mães ou o Giorgio sorrindo com o dedinho cheio de gaze na hora que me viu na platéia!
Como cantaram as crianças: “ Você me abraça e a tristeza vai embora“…
Em tempo, sobre o Dia das Mães: cheguei em casa com o Enzo, da maternindade, num dia das mães, grande emoção. Batizei o Giorgio em outro, três anos depois. Nunca foi um dia de grandes presentes e sim de acordar com mil beijos na cama e se posíivel com café na cama, como fazíamos com minha mãe quando éramos crianças. Quem precisa de mais para ser feliz? Até os comerciais de TV mostram estas cenas singelas para vender seus produtos!
P.S. O portal ClickRBS destacou o Desabafo em uma matéria hoje: Internet é espaço para reunir mães – Modernas, mamães usam a tecnologia para falar com e dos filhos.
Love, Reign over Me
Postado em from posterous no dia 10/05/2007
Love, Reign over Me é o trecho de um filme que me chamou atenção numa noite em que “zapeava” a TV nos intervalos de meus “TV shows” favoritos. Naquelas entrevistas de promoção do filme (que estreou nos cinemas americanos em março, sem previsão aqui) Adam Sandler (que passei a respeitar com o ótimo Spanglish) e Don Cheadle falavam sobre seus papéis e o quanto serem casados fizera diferença neste trabalho, que mostrava a família, de um, que perde (esposa, 3 filhas e um cão, enfim, tudo) nos atentados de 11 de setembro, e de outro, que as tem mas não dá o menor valor, focando tudo na bem-sucedida carreira. Nem sei mais do filme em si, mas a idéia “Amor, reine em mim” me convenceu.
Na manhã seguinte não é que minha maninha me manda o link para uma entrevista com a atriz do filme, com quem também simpatizo: Jada Pinkett Smith. Esposa de Will Smith e mãe do fofo Jaden, de The Persuit of HappYness, sobre o qual já falei aqui, ela fazia afirmações que minha irmã já ouviu de mim (que honra!): Jada diz que “a maternidade é seu foco principal na vida e agora se uniu à campanha de segurança infantil chamada “The power of parents” (O poder dos pais), lançada em 2006 pelo Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas. Ela também escreveu o prefácio de um livro, The Great Tomato Adventure – a story about smart safety choices, que orienta as crianças sobre o mundo que as cerca. Ação verdadeiramente filantrópica, porque o livro é lançamento mas já pode ser baixado em pdf neste link. Já estou lendo com o Giorgio, ao mesmo tempo que posto aqui, porque ele vai e vem…
Admiro-a por ser mãe e conseguir trabalhar com crianças exploradas. Já fui voluntária de movimentos de crianças de rua e cheguei a fazer reportagens sobre o tema, mas depois que me tornei mãe, não consigo mais me envolver nestes projetos, dói fundo demais em mim, não consigo não me envolver. Tenho duas amigas que trabalham com isto em Minas Gerais, a Cris Torisu, que faz uma pesquisa numa entidade legal de lá, e a Renata Roman, que é mestre neste tema pela universidade de Salamanca, na Espanha. Mas ambas ainda não são mães, veremos como será depois.
A maternidade nos muda muito fundo e realmente faz o Amor reinar sobre nós… no sábado, dia 12, terei a alegria de completar 7 anos como mãe do Enzo. Uma honra que vou contar num desabafo, que depois eu linkarei aqui. Às vésperas disto e do Dia das Mães, posso ser meio piegas e dizer: sou uma antes, outra depois do Enzo e do Giorgio. Não é por padecer no paraíso, não tenho este enfoque sobre a vida, mas porque fui presenteada por Deus com duas pessoas incríveis.
P.S. Curiosidade: O nome do filme vem da música “Love, Reign o’er Me” do The Who, mas no filme quem toca é Pearl Jam.
Viagem (musical) à infância da mamãe e do papai
Postado em Música no dia 03/05/2007
Ontem esqueci de comentar, mas tem texto meu no desabafo, na aba de música e como o texto ficou legalzinho mesmo (a minha cara, uma mistureba só) vou postar inteirinho aqui.
A revista Crescer também fez uma lista dos 10 mais que é parecida com a minha e eu descobri por puro acaso fazendo busca no google das imagens abaixo.
Viagem à infância da mamãe e do papai![]()
Perdi o sono e estava rolando na cama pensando em várias músicas. Engraçado como a memória da gente funciona, pois pensava em várias músicas da minha infância com tanta nitidez que levantei e aqui estou escrevendo. Creio que estava influenciada pelo texto da Tatiana, que é destaque hoje no Desabafo, em que ela fala que o gosto musical “tá no sangue“.
Há duas semanas fomos a um show do Toquinho no Shopping Anália Franco. Quem soube do evento gratuito e nos avisou foi o Enzo, pois ele e o Giorgio já reconhecem vários ícones culturais (da minha infância, penso eu, da deles, pensam meus filhos) de um clipe televisivo chamado Cultura no Intervalo, da TV Cultura. Assim, pouco a pouco, vamos revivendo em casa a pedido deles o Renato Aragão (eles não falam Didi!), Toquinho e Vinícius, Ruth Rocha, Cecília Meirelles e muito mais.
Música e literatura sempre foram importantes para nós, eu li para os bebês na barriga -para se acostumarem com o ritmo do idioma materno, para reconhecerem minha voz- e coloquei muita música com fone na barriga para eles nas gestações. Mas não eram necessariamente do meu tempo. Eram do Palavra Cantada! Não sabia que as coisas do meu tempo podiam ser intessantes e, sinceramente, tudo que tinha era vinil e não tinha “toca-discos” em casa. Aí Enzo ganhou uma coletânea chamada Millennium Infantil no primeiro aniversário e se apaixonou perdidamente pela música do Pato.
“Lá vem o pato,
Pata aqui, pata acolá,
Quá quá…”
E assim revivi um dos vinis, da Arca de Noé. Levei para escutar no quarto da Bisavó, único lugar com toca-discos que ainda funciona. Descobri que eu e meus irmãos tínhamos um volume, o Gui e os irmãos tinham o outro. Ver aquela bolachona e não um CD tocar virou programa de domingo e fomos redescobrindo vários discos de vinil como a Casa de Brinquedos (com Caderno, Bicicleta, Super Heróis), enfim, todos com ternura e uma verve imperdoável misturados. A ternura sempre veio do Toquinho, vejo hoje… risos! Ainda lembro de como Caderno, parceria dele com Chico, falava alto ao meu coração de escritora mirim:
“Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco até o be-a-bá.
Em todos os desenhos coloridos vou estar
(…) O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado, se lhe dá prazer.
A vida segue sempre em frente, o que se há de fazer.
Só peço a você um favor, se puder:
Não me esqueça num canto qualquer.”
Mas não creio que a malícia do Vinicius de Moraes tenha feito mal à nossa geração na infância, pois ele era tão inteligente que não conseguimos, pelo menos na nossa época, sacar muita coisa. Mas nos divertíamos com a Aula de Piano dele e das Frenéticas e outras canções dúbias, mas muito divertidas e naturais, como a do Vento:
“Quando sou forte,
Me chamo vento.
Quando sou cheiro,
Me chamo pum!”
Quando Toquinho tocou esta música no show nos matamos de rir. Engraçado que os outros pais também queriam ver as crianças revivendo com suas crianças interiores aquela diversão. Não é muito fácil, como já disse, os temas são difíceis e uma coisa que noto é que as faixas musicais da fase 1977-1985 (fase da minha infância propriamente dita) são muito lentas e os versos se repetem duas ou três vezes, deixando os nossos “teleguiados” meio cansadinhos antes de ouvir tudo.
Até nisto hoje temos pressa: não aguentamos uma música de muitos minutos seguidos. Mas as crianças podem aprender a rir das rimas, a reconhecê-las (acredito que criança adora rima e poesia) e aprender a apreciar a qualidade das composições e dos instrumentistas. Os meninos aqui de casa já falam: isto é guitarra, onde está o som do baixo? Você ouviu esta bateria, que radical? (risos)
Outras preciosidades televisivas (os discos de que falo eram especiais musicais produzidos pela TV Globo) da infância da mamãe e do papai foram aumentando o repertório doméstico: Plunct Plact Zum (quem diria que a música tema deste musical infantil era com Raul Seixas e Planeta Doce era cantada pelo Jô Soares?), Pirlimpimpim (quando o novo Sitio do Picapau Amarelo surgiu relembramos as velhas canções e só a Cuca da Cássia Eller é melhor que as antigas), A Turma do Pererê (do Ziraldo mesmo, com direção musical de Guto Graça Melo, mas anterior ao seriado infantil produzido na década de 1990 pela TV Educativa do Rio), Saltimbancos (com Trapalhões, Lucinha Lins e música de Chico Buarque). Este último, um dos poucos já remasterizados e relançados comercialmente, é um dos nossos CDs favoritos para passear de carro.
“Uma camabolhota
Duas cambalhotas
Bravo Bravo”
(com som de risadinhas e tiradas de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias ao fundo)
E é assim, cantando e dando cambalhotas musicais que vamos construindo, como uma colcha de retalhos, estes elos com os nossos filhos. Já presenteamos alguns amigos com nossa coletânea particular (que inclui Castelo Rá-Tim-Bum que ouvimos com outras gerações de crianças da família, Cocoricó, Canções Divertidas e de Brincar) e creio que para todos esta viagem no tempo foi fenomenal.
Ainda não tive coragem de apresentar a meus filhos a remasterização da coleção Disquinho (aqueles discos coloridos e pequenos, com historinhas, para ouvir na vitrolinha, e produzidos com a qualidade de um Radamés Gnatalli), mas com o sucesso que o CD Mil Pássaros* fez aqui em casa, já estou considerando a idéia! Será mais uma viagem no túnel do tempo!
*Mil Pássaros mescla músicas que o grupo Palavra Cantada fez para sete histórias de Ruth Rocha, que no CD são narradas pela própria autora e que, com Bia Bedran e Hélio Zizkind, merecem um desabafo de mãe à parte!
Como entender
Postado em from posterous no dia 02/05/2007
Esta é a semana das mães do sul e do Japão, e começamos bem com desabafo da Tatiana na segunda feira contando que “Tá no sangue” o gosto pela música que a tem aproximado do filho Yudi, que prestes a completar 13 anos já faz sua transição entre o pokemon e o rock. No dia seguinte, Aline também falou do legado que deixa para seus filhos, relembrando o quanto “Uma infância com livros” foi significativa para si mesma e seus ancestrais. Amanhã tem texto da Adriana que discute “A Falta de incentivo à cultura em nosso país” e na sexta a Valéria nos pergunta “Como explicar, como entender” a morte de um parente próximo? Que pergunta difícil!
Precisamos pensar no que estamos deixando para os filhos, na nossa forma de encarar a vida. Depois de uma temporada de tristeza e de “revisão” de valores que passei por conta do Dudu e Vini, sexta-feira eu soube que uma amiga de infância faleceu de infarto. Patrícia era mais velha que eu apenas 3 meses e deixou uma filha quase da idade do Enzo. Foi um choque, eu confesso, pois eu tinha reencontrado a prima dela, Simone, minha ultra-melhor-amiga-de-infância há poucas semanas no orkut e planejava uma viagem para visita-las. Ela ia se casar em setembro. Liguei para lá, falei horas no telefone e prometo que vou tentar ver mais as pessoas – mas as que quiserem me ver também. Estou cada dia mais “mestre de bonsai” (como me auto-intitulo -a risos), cortando na carne se for preciso para ter uma vida mais harmônica. Sem dó vou lá e “iááááá”!
(tá bom, quem me imaginou de barbicha e roupa de samurai tipo Myagi Sensei do filme Karatê Kid pode rir da minha cara! Eu estou rindo aqui! Háháhá)
E estou ficando velha, porque já não consigo mais topar viajar para ficar desconfortável, logo quero voltar para meu cantinho. Passear é bom, mas voltar para casa é melhor ainda!
Como meu final de semana teve alguns momentos em que me senti no meio de um furacão, a imagem da Dorothy dizendo “não há lugar como o nosso lar” é uma metáfora para mim… tive meus companheiros maravilhosos nesta aventura (não estou chamando meus filhos e minha querida maninha de espantalho, homem de lata e leão sem coração -ela está mais para fada boa e linda- nem qualquer outra pessoa de bruxa malvada do norte), mas enfim, me senti de volta ao querido Kansas ao me deparar com a Marginal Tietê!