Archive for May, 2007

"O intelectual brasileiro tem obsessão pelo fracasso"

Uncategorized May 30th, 2007

Ontem recebi minha revista História Viva e me surpreendi com o volume a mais. O brinde era o novo título da Editora Duetto, a revista BrHistória. Eu tinha até pensado em assinar quando soube do lançamento, em março, mas com a falta de tempo crônica (e o dinheiro não está sobrando também), deixei passar.
Ao passar os olhos na edição já decidi assinar – além do mais, História Viva é a favorita do Gui, já agrada a dois! Os temas da primeira edição são bons, mantendo a mesma qualidade da similar universalista, que traz a história à tona com sabor de atualidade. Uma das matérias assim é a da capa, que fala do Araguaia e tem um box interessante sobre o petista José Genoíno.
Mas me chamou atenção mesmo a entrevista com Evaldo Cabral de Mello, que, não bastasse todos os temas tocados, abre com uma frase bárbara:

O intelectual brasileiro tem obsessão pelo fracasso

Já não é uma convite suficiente para a leitura?
A entrevista está disponível no podcast do site da revista. Para ouvir, clique aqui.

Ah, hoje, passei a cadastrar o blog no Rec6 e no Blogblogs.

Futebol do coração

Uncategorized May 29th, 2007

Acabei de ler, ao acaso (clicando num link do Z de Zebra), um texto intulado Eu odeio futebol e ao ler achei graça, pois eu aprendi a gostar. Aqui em casa não tem quartas à noite, sábado das 16h às 18h, nem domingão depois das 16h sem a voz do Galvão Bueno ou do Milton Neves! Gui quis me ensinar a gostar e o tiro saiu pela culatra, porque no namoro ele me levava para ver jogos em que iam times da primeira divisão lá para Curitiba e na época Coxa e CAP estavam rebaixados e só dava Paraná Clube. Cá estou eu, tantos anos depois, ainda torcedora fiel do time da Vila Capanema. Claro que ouço mil piadas, mas nem me deixo abater… nestas horas vejo que já “entendo” o coração de torcedor! E hoje o meu está bem feliz: Paraná fez bonito jogando contra o Cruzeiro em Minas, num jogo de sete gols e um jogador a menos (para nós) e é líder isolado do Brasileirão! Que lindo!

Curitiba

sam May 27th, 2007

Inclusão social

sam May 27th, 2007

Duas notícias sobre inclusão social me chamaram a atenção nesta semana. Não são furos não, coisas de uma semana atrás na revista semanal que assino e nem sempre consigo ler na semana certa! , Tenho notado muitas notícias na mídia sobre a casa própria, que, segundo Silvio Santos detectou no seu finado “Show do Milhão”, é o maior sonho do brasileiro comum… tá bom, ninguém precisa ser o Patrão para saber disto, muito menos eu, que, após ralar no Japão para ter a minha moradia, vendi-a em Curitiba e agora estou na luta por ter uma na maior cidade do Brasil.
Um programa de urbanização em Belo Horizonte chamado Vila Viva me chamou atenção: lá não se pretende mudar a população de lugar, mas sim urbanizar (sim, traçar ruas, dar esgoto, etc) a própria favela. O sistema me lembrou o Cingapura aqui de São Paulo sobre o qual não sei muito a fundo, mas que na aparência me faz pensar que consiste na construção de edifícios simples no lugar onde estavam favelas. Daí o fato de os vermos em vários locais inusitados da Capital.
Como jovem repórter que ainda cobria Geral em Curitiba, acompanhei a “limpeza da cidade” feita pelo prefeito Rafael Grecca (sim, o que disse na Veja que até cemitério lá tinha que ser bonito) e lembro nitidamente de como foi feito. Os moradores de favela eram convidados a se retirar, com prazo marcado, e a policia militar os “ajudava” a retirar os pertences e desmontar os barracos, “conduzindo-os” com tudo a um novo bairro (Bairro Novo, no qual a palavra longe é um eufemismo exacerbado), onde ganhavam uma quantidade de lona para se estabelecer no novo terreno sobre o qual finalmente teriam uma escritura! Isto em pleno inverno de Curitiba, diga-se de passagem. Esta gente era gente como nós, mesmo na iminência da saída me ofereciam café em suas casas (sim, passamos por várias saias justas na vida) e procuravam sobreviver a tudo isto.
As diferenças do projeto curitibano de 12 anos atrás e da atual em BH é que hoje se pensa mais no social e, talvez, que o PT, que já foi muito envolvido e motivado neste movimento nacional pela moradia, seja prefeitura em BH há vários anos. O social não é só manter a pessoa perto de suas raízes (na favela mineira tinha uma senhora que há 40 anos mroava e criava cabras em plena cidade) e de seu emprego, mas também oferecer estrutura para as pessoas viverem e trabalharem. Em Curitiba o prefeito fez furor na época ao dar o nome de sua avó para a creche que abrigaria 40 crianças (num bairro onde se estabeleceriam cerca de 10 mil familias). Em BH, como a população local participava das decisões, uma das exigências foi a construção de três escolas de educação infantil, além das quadras de esportes e parques, que, como comprovam projetos na Mangueira e na Bahia, ajudam muito a tirar as crianças da linha do crime. Ter onde e com quem deixar as crianças seguras para trabalhar tem que ser um dos pilares para a inclusão social. Posso estar voltando à minha visão de mundo feminina e maternal, mas é um fato: criança sem escola, sem apoio, é um candidato ao submundo, ao crime.
Por falar em crime, remeti-me ao medo que temos dele na outra reportagem que me chamou atenção. Falava de David Cavallo, americano radicado na Bahia que coordena no Brasil o projeto One Laptop Per Child (OLPC), que pretende vender PCS especiais por cerca de 100 dólares para educação em lugares pobres. Cavallo diz que o interesse por nosso país veio do estudo de textos do educador Paulo Freire e que ele acredita que a informática ajuda a colocar em prática a pedagogia crítica de Freire, de ensinar a partir da realidade dos alunos. Na hora, ao ler que o projeto consiste em disponibilizar os computadores para que os alunos os levem para casa e possam continuar os estudos lá, com conexão sem fio e interface com os computadores de colegas, o crime organizado me veio à mente e temi. Num país em que os presos cariocas usam celulares para simular seqüestros em São Paulo e que apostam suas fotos fazendo churrasco no grill George Foreman dentro da cela na cadeia, como podemos confiar que o uso do computador em casa será para as crianças estudarem?
São vários fatores que fazem as crianças não conseguirem avançar no nosso país, não apenas a falta de acesso ao computador, mesmo que eu a considere importante. Mas não é tudo, há outros pré-requisitos para este acesso ser válido. Vivo uma experiência aqui com o filho da empregada doméstica que retrata bem o caso: separada do pai do menino, ela trabalha em vários locais, ficando pouquíssimo com ele, que almoça só depois da escola e não tem incentivo para nada, mesmo tendo vários confortos como TV a cabo e, claro, um computador próprio. Mas como estuda em escola pública, que agora tem aprovação automática, tenha o aluno aprendido ou não, o garoto aos nove anos não sabe ler o suficiente. De que adianta um computador se ele não vai ler o que tem nele? Enfim, eu e uma vizinha, uma senhora de 70 anos e com visão muito critica da sociedade, estamos fazendo um reforço com ele, ela dando aulas, eu emprestando livros para a mãe ler com ele em casa. Ainda acredito, como o fazem alguns críticos do OLPC no Brasil, que é preciso mais consistência pedagógica num plano de inclusão do que meramente oferecer um computador, é preciso ensinar a usar e pensar nas informações que ele pode nos oferecer.

Vida inteligente na Blogosfera

Uncategorized May 26th, 2007

Recebi esta provocação na minha caixa de e-mails hoje, vinda do Via6. Abri na hora o fórum para dar minha opinião, mas aí fiquei presa no preconceito, no meu próprio. Ainda temos uma visão muito preconceituosa do papel social da mulher. Nesta semana li um no Desabafo de Mãe que comentava uma experiência meio “Candid Camera” que foi gravada num restaurante americano e veiculada posteriormente na TV, mostrando que ao ver uma criança mal-educada as pessoas logo reputam os erros à mãe, excusando o pai dos ônus.

Mas o que isto tem a ver com vida inteligente na blogosfera?

Bom, eu pensei em responder ao fórum do Wagner Fontoura em Bommbust , mas na verdade me travei. Parei, pensei, pensei, será que vale a pena eu tentar escrever lá que faço parte de uma comunidade de mães blogueiras, que noto que grande parte da vida inteligente na blogosfera brasileira deve ser feminina? E aguentar (na minha imaginação) os caras lendo e pensando que só trocamos posts e coments sobre fraldas, receitas e papo cri-cri? (para quem não sabe, papo criança-criada)

Enfim, sabe, considerei que, seguindo a idéia dele, isto dá um meme.

Como muitos blogs hoje citam, e eu repito aqui, “segundo Richard Dawkins (O Gene Egoísta), um meme é uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada“.

O Boombust propõe alguns paradigmas para discutirmos: monetização da web, o papel das redes de relacionamento social, empreendedorismo viral, intraempreendedorismo, gestão do capital pelo empreendedor. Decidi incluir um novo, a presença feminina nos blogs. Visitando o site da revista Você S/A vi que os blogs deles são de três, claro, mulheres. E a entrevistada do mês para ensinar a dar um upgrade na carreira usando blog é uma mulher, Penélope Trunk, que escreve conselhos para um encontro entre a vida pessoal e carreira em Brazen Careerist. Minha pergunta a mim mesma enquanto escrevo é: cito Você S/A para evitar preconceitos ou para fugir dos meus próprios? Espero fazê-lo apenas porque lá os temas monetização da web e empreendedorismo social são sempre abordados, inclusive na edição deste mês, como comentei.

Como jornalista e mãe do Desabafo, há 10 meses trabalhando na consolidação deste projeto que começou sendo da Ceila Santos e da Sueli Sueishi mas hoje já conta com dezenas de mães (e alguns pais), eu não tenho dúvida de que há vida inteligente na blogosfera. Um único evento neste ano deve ser suficiente para comprovar a força das redes de relacionamento social e da presença feminina nos blogs, fazendo os vidrados em empreendorismo vislumbrarem a capacidade empreendedora deste grupo. Este evento é a história do menino capixaba Vini, que foi contada no blog de sua mãe (Marinheira e seus meninos), alimentada pela Michele (também colega de Desabafo) e com memes por todo o Brasil. Já pensaram na capacidade desta mulherada se reunida comme il fault? Pois é esta a idéia do Desabafo de Mãe!

P.S. Sabiam que apenas 2% da blogosfera fala português? Ainda temos muito chão pela frente, mas numa sociedade que ainda usa a internet de forma passiva (apenas recebendo, raramente criando ou criticando o conteúdo) já acho um grande avanço. Isso sem comentar que somos poucos com acesso à internet e com cultura para blogar.

Para acompanhar a discussão:

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