Archive for April, 2007

Cozinha? Lugar de mulher é na internet…

midia social, mãe com filhos April 5th, 2007

Minha vida de mãe blogueira e virtual começou a deslanchar de fato no orkut. Lá conheci a Ana Mara, uma professora de Guarulhos que me convidou para o MSN Group dela chamado Nossos Baixinhos, do qual hoje sou moderadora. Lá, como no orkut, muitas mães que nunca cheguei a conhecer me deram dicas de escolas, pediatras e tudo mais quando ia me mudar de Curitiba para São Paulo. Lá também comecei minhas trocas de figurinhas de álbuns de heróis dos meus filhos e acabei conhecendo um site criado só para trocas.

Não consigo imaginar minha maternidade sem a internet, onde troco recados com mães de coleguinhas de escola, desabafo sobre minhas agruras, converso no msn sobre dicas de livros e DVDs, baixo mp3 da minha infância. É, a internet dá um espaço que a mulher precisa ter e nem sempre consegue: a reunião de amigas que acontece como a partidinha de futebol dos maridos na terça à noite, o happy hour com os colegas, o chá com jogo de baralho de antigamente. Minha madrinha até hoje tem chá semanal com as amigas, acho um luxo, uma delícia elas serem amigas desde a adolescência e se encontrarem até hoje, mesmo já sendo avós.

Raras e solitárias são as mães que atualmente não têm ao menos uma amiga com quem chatear no msn no início da noite de sexta ou talvez na segunda de manhã, para contar do final de semana. Enfim, o chat, o painel de recados do orkut e o e-mail estão substituindo com vantagens nossos papos de mulher na cozinha. Cozinha? Lugar de mulher é na internet!

Meus filhos já sabem, ao terminar um desenho, eles correm para mim e pedem: mamãe, você pode postar no meu blog. Sim, ambos têm blogs onde postamos os desenhos, trabalhos de escola, reportagens interessantes, tudo para os avós e tios que moram a quilômetros de distância acompanharem em tempo real. E eles têm que acompanhar tudo: saber o nome do personagem, de onde vem (quer dizer, em que país se passa) e com qual deles Enzo se identifica, com qual é o Giorgio. Raramente é o mesmo e haja hiperlink para os adultos checarem tudo no site indicado.

Os blogs viraram mania e são um caminho sem volta para nós, as mães modernas que aceitam se expor. É claro, pelo bom senso, nada que comprometa sua vida, que deixe claro onde exatamente mora, que contenha fotos de seus filhos ou suas com muitos pixels para não serem roubadas por algum maluco na Internet. Neles acontece a melhor coisa para uma mãe: podemos ser corujas, falar de bobeiras, contar coisas banais (mas lindas!), enfim, ser mães, com uma completude que há tempos não se permitia às mulheres profissionais.

Ainda me pergunto se todas as mães são assim, tão virtuais. Creio que não, que este será um hiperlink entre eu e meus filhos sempre, como tem sido a paixão por figurinhas, por super heróis, a fé em Deus, enfim, tudo misturado e que me faz chegar mais perto deles. Como não sou de deitar no chão e rolar (nem meu ciático deixa), tenho estes outros interesses em comum com eles. Ou eles comigo!

Abraço em todos, amigos e amigas, obrigado pelo carinho sempre e boa páscoa.

criança e consumo

A Vida Como A Vida Quer April 4th, 2007

Sei que depois vou discorrer sobre o tema, que é bárbaro! Glaucia, mãe do melhor amigo do meu filho, acaba de me passar este link. Adorei e estou compartilhando: http://www.criancaeconsumo.org.br

O mesmo site participou da promoção do livro Crianças no Consumo – a infância roubada.

Você é o que você lê?

from posterous April 4th, 2007

Foi a frase que me passou pela cabeça. Ando voltando à minha dieta mais naturalista (vegetariana, meio macrobiótica, da adolescência, alterada por um “pedido” do meu namorado -hoje meu marido- sulista) por conta do programa Você é o que você come que apresentei à minha mãe para ajudá-la com a diabetes e acabou me levando junto! (risos).
Comida não tem muito a ver  com leitura, dirão alguns? Quem sabe? Um dos livros incríveis que comprei em 2006 na Bienal do Livro (não, foi no dia dos pais) foi História do Mundo em Seis Copos (Como seis bebidas mudaram a humanidade). Não é papo de bar, três das bebidas não são alcoólicas – café, chá e coca-cola- mas daria bons papos de bar, aliás, já me deu momentos agradáveis com o Gui, meu melhor companheiro para divagações de filosofia, sociologia, história. Quer melhor papo de bar que este? E melhor companhia?
Mas comecei a falar de leitura porque hoje na newsletter do Digestivo Cultural tinha uma chamadinha que gostei e cliquei. Só depois vi que era da Ana Elisa Ribeiro. Cliquei porque dizia: “Sou uma leitora obsessiva, como já disse. Leio desde criança, muito, livrões e livrinhos“… na hora, me vi, que espelho engraçado! O texto não é um espelho (e eu não sou tão narcisista assim), apesar de eu me encaixar em vários momentos do que a linguista escreve. Realmente li muito e estou formando dois leitores que, como eu, se encaixariam na fotocrônica do texto: “bom leitor é aquele que lê o que vê pela frente”. Enzo já me cansa com suas leituras – até o fim – de tudo, caixa de gelatina, capa de revista e haja livros e revistas. Aliás, aprendi uma palavra nova hoje que vou usar, porque é uma coisa que eu tenho e até organizada:
he.me.ro.te.ca
(gr hémera+teca) sf 1 Conjunto de revistas, jornais e outras publicações periódicas (para estudo ou consulta). 2 Lugar onde se arquivam essas publicações.
Gostei! E juro que nunca tinha escutado. Ainda bem que tenho o bom hábito de usar o dicionário e este ano Enzo ganhou com o dele (criança de 6 anos já leva dicionário para escola hoje em dia, pode?) um Cd que instalei no computador, uma mão na roda para quem trabalha com as palavras!
Mas a Ana Elisa falava sobre o que alguns amigos dela estavam lendo no final do ano, traçando um perfil de acordo com as preferências de leitura, profissão, quantidade de livros lida no ano que findava (2006). Aí entra meu você é o que você lê?
Não sei responder, assim como não seria capaz de contar aqui, rapidamente, tudo que li em 2006. No mínimo foram mais de 25 livros (fora os meus profissionais, que, no meu caso, são boa literatura infantil, graças a Deus, e alguns de educação e auto-ajuda para pais). Lembro que depois da Bienal li Danuza Leão e Rui Castro, que ganhei O Caçador de Pipas de dia dos namorados (meu marido sabe mesmo me agradar), como o amigo dela li Cavalo de Tróia, mas não lembro se foi em dezembro ou janeiro… não sei mais dizer, li muito, mas não foi nada diferente de outros anos da minha vida. Li coisas como Musashi e O Senhor dos Anéis com os meninos bebês e tem gente que diz que não consegue ler por conta dos filhos. Enzo ouvia aventuras do Frodo com 2 anos, sabe muito do Musashi (quando ele começa a “perder o controle de si” eu o chamo de Takezo, para trazer Musashi à tona) e já lemos alguns clássicos no original, em inglês ou francês. Ah, outro livro do primeiro semestre de 2006 foi Charlie and the chocolate factory, que nos fez ficar ansiosos por outros livros do Dahl. Realismo fantástico não é mesmo maravilhoso para as crianças expandirem seus horizontes?
Enfim, vou trabalhar e deixo aqui a frase do Ministério da Educação e Cultura (era assim o nome antigamente?)

Ler faz bem. Ler é saber. Leia, leia, leia mais.

Supernanny

from posterous April 2nd, 2007



Recebi hoje a revista Sotaque Brasileiro, edição de outono de 2007, com a reportagem que fiz sobre o fenômeno da Supernanny brasileira. Posto aqui meu papo com ela.
O livro é finalmente a chance de termos a visão da Cristina Poli educadora, mãe e avó, mais livre do formato do programa internacional?
Certamente o livro é minha visão como educadora abordando os temas que tem a ver com o programa.
Antes mesmo do lançamento do programa do SBT, cerca de 5 mil famílias se inscreveram e hoje as pessoas falam da Supernanny em todo lugar e dizer “chama a Supernanny” virou quase um jargão. Na sua opinião, o que fez esta formula dar tão certo no Brasil?
A necessidade que as famílias tem de uma orientação para trazer a unidade, a harmonia , a ordem, o amor e a disciplina para cada lar. A sociedade precisa resgatar os princípios morais básicos que se perderam com o tempo e aplica-los no dia a dia .
A inglesa JoJo enfatiza em seu programa o espaço individual da criança, repetindo um dos valores característicos da cultura deles, que é “fisicamente mais distante” que a nossa. Quais as outras diferenças culturais a senhora leva em consideração ao planejar suas ações para a família brasileira?
Cada família é uma família, com suas características e sua história, então quando entro nas casas planejo cada método com muito cuidado. Nós somos latinos e isso nos faz diferentes, somos mais afetivos, mais comunicativos e agimos bastante com o coração. O que tenho tentado resgatar nas famílias é o tempo de qualidade de todos juntos e as refeições em família, entre outras coisas.
A revista Sotaque Brasileiro é lida por casais inter-étnicos, formados por brasileiros e canadenses. Quais desafios a senhora considera mais difíceis para estas famílias multiculturais?
Um desafio para esses casais é entrar num acordo e encontrar um ponto em comum na educação de seus filhos. Nada impossível, mas que requer muito diálogo, boa vontade e disposição para acertar as diferenças.
Sua experiência como educadora é em escola bilíngüe, que agrega crianças de outros países e submete os locais à atividades diferenciadas e com carga horária mais puxada. O pouco tempo na escola e excesso de tempo livre das crianças brasileiras é prejudicial? Podemos considerar a falta de atividades uma das razões para o mau comportamento em casa?
O tempo livre fora da escola em si não é prejudicial, o que colabora para o mau comportamento é não ter nenhuma atividade programada para esse tempo livre. Tenho encontrado famílias com muito tempo ocioso, não há criatividade nas crianças ou nos adultos, fora da tv, o vídeo game ou o computador, e isso afasta os membros da família entre si e promove o mau comportamento.
O livro aborda os temas tratados com mais ênfase nos programas de TV: conflitos de relacionamentos (entre os cônjuges e entre os irmãos) e a responsabilidade. A maior dificuldade da educação atual é a falta de responsabilidade dos pais que não querem mais ser tão duros quanto seus ancestrais?
Muitos pais estão perdidos com respeito à educação de seus filhos e não sabem como assumir a autoridade ou a responsabilidade nessa situação. Um tempo atrás a educação era muito rígida, depois foi para o outro extremo e tornou-se muito permissiva, hoje eles não sabem como agir, estão inseguros, não querem ver seus filhos como muitos jovens que andam por ali, estão assustados e sem rumo. Precisam de ajuda.
Lembro de ter visto um programa em que o pai era muito rígido e criava-se um clima de terror para a mãe e as três filhas pequenas quando ele chegava em casa. É mais grave ser um pai agressivo e intimidador ou omisso?
As duas situações são prejudiciais. Tanto um quanto o outro precisam ser ensinados a assumir sua posição de pai e de autoridade na família para trazer a ordem e a disciplina de maneira adequada.
Todos os programas que assisti mostravam famílias com pai, mãe e filhos, mas me parece que as famílias de pais solteiros (cada dia mais comuns) ou até de crianças que moram com um dos pais e os avós (e visitam a outra familia nos finais de semana) são muito problemáticas também. Não mostra-los foi uma opção do programa? Porque?
Certamente queremos mostrar casos como os descritos na sua pergunta, mas não tem se inscrito famílias com o perfil adequado para o programa. Esperamos que na terceira temporada possamos contar com esses casos que hoje em dia são tão freqüentes e que precisam de muita ajuda.
E quanto aos filhos únicos? É mais difícil para os pais imporem limites para um só?
Não é mais difícil para os pais imporem limites para um filho só. Com um ou mais filhos a fórmula é a mesma: amor e limites.
Pode parecer estranho, mas quando vejo os programas eu penso: “eu não preciso da Supernanny”, porque meus filhos não brigam, comem bem, fazem sua higiene sem problemas, dormem e acordam sem dramas e são cordatos no relacionamento conosco. Qual é o conselho para mães e pais que já venceram estas etapas iniciais repetidamente mostradas no programa?
Quero dar os Parabéns! Para vocês e para todos os outros pais que compartilham de sua experiência. Estejam preparados porque cada fase dos filhos é diferente da outra, mas, se vocês já foram bem sucedidos nas etapas iniciais, com certeza conseguirão vencer as dificuldades que eventualmente virão a aparecer. Agradeço a vocês pela oportunidade de compartilhar minhas experiências e opiniões com os leitores. Fico à disposição para qualquer outra ocasião. Deus abençoe todos vocês.

Mãe/Pai com açúcar

A Vida Como A Vida Quer April 2nd, 2007

Após uma semana cheia, um final de semana mais ainda. Mas por uma boa causa: meus pais vieram me visitar, para um encontro antecipado de Páscoa e para conferir a feira do livro da escola dos netinhos. Como sempre foi muito agradável recebê-los e as crianças ficaram radiantes com a companhia, tão especial e diferente, que os avós oferecem. A conversa, o ritmo, a troca é tão diferente daquela que os pais podem ter com os filhos, que me lembra aquele papo de “mãe/pai com açúcar”. Para reforçar, fomos à casa de minha prima Ina para jantar e falamos tanto de nossa Batian (e a comida lá me lembra a casa da tia Olga, que considero uma avó tb), que ficou mesmo nesta nostalgia. Fiquei feliz por fazer a ponte, pois minha mãe não via a Ina há 29 anos e meu pai não a via há 26! Foi tudo, como sempre com meus primos Fujimori Shiraishi, muito afável, descontraído e generoso.
Não quero nem posso deixar de comentar a Feira do Livro da Escola. Meu primogênito foi Peter Pan numa pequena encenação em que a classe dele falava de histórias de aventura. Nada de fantasias prontas, nenhum gasto foi exigido de nós pais. Gosto disto, não por “pão-durice”, mas porque sempre noto que as crianças aprendem a criar com as ferramentas que têm à mão, o que considero fundamental (e maravilhoso) para a formação deles. Tivemos professores como monitores para um passeio muito interessante, no qual eu e mais duas mães do segundo ano ficamos antevendo as fases que virão para nossos filhos. Felizmente não foi uma visão assustadora, porque a escola tem uma visão muito positiva e construtiva de verdade das ações, das proposições e procura sempre enaltecer a construção coletiva sem deixar de lado a individualidade de cada um. Tanto que Enzo, que provavelmente sabia as falas do filme do Peter totalmente de cor, foi o protagonista de um dos grupos. Nota dez para a escola.
Por falar em escola, vi uma enquete do orkut que perguntava se tínhamos como ensinar ecologia para os filhos. Até aí, normal, né? Mas a pessoa incluiu uma opção “não é possível ensinar”… ri sozinha.
Não sou professora, sou mãe, mas não deixo de ser educadora. Meus filhos, de 4 e 6 anos, são vidrados em ecologia, do tipo de pessoinha que termina de tomar iogurte e lava sozinho o copinho de plástico antes de colocar no lixo reciclável.
Fomos inserindo os conceitos no dia-a-dia, com atividades lúdicas e conversas descontraídas nos momentos em que as situações apareciam. Creio que é a melhor fórmula para todo aprendizado: regras de português, conceitos de matemática, física e química (sim, explicamos estas coisas para eles brincando) e idiomas. Por que não com a ecologia?
Para quem é professor, indico uma excelente série em vídeo que o Readers Digest (Seleções) vende, chamada Natureza Sabe Tudo. E as crianças sabem naturalmente ainda mais!

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