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Apr
27

Quem fazia diário antes do blog levanta a mão!

Quem fazia diário antes do blog levanta a mão!
Foi o que pensei quando recebi esta dica ontem. Fala de um livro, Segredos Públicos - Os blogs das mulheres do Brasil, um estudo da pesquisadora Luiza Lobo sobre o fenômeno da passagem do privado para o público em termos de confidências femininas. Vou procurar para ler, depois eu dou minha opinião. Como já diz meu filho Enzo, faço uma “resenha, uma descrição minuciosa”. Tenho orgulho de contar que ele tem feito suas resenhas de filmes em um caderninho! Que fofo!
Concordo com ela, o tom confessional do diário escrito à mão passou a ser um diálogo com o leitor do blog, enfim, deixou de ser solitário para ser pseudo-social. Termo estranho? Mas é a verdade, porque há uma dicotomia no “social” que buscamos com o blog: sabemos que seremos vistos, mas não falamos em tom professoral. A confissão ainda permeia o texto, levando-nos ao prazer de compartilhar algo especial com alguém - mesmo que não saibamos exatamente quem o vê do outro lado da tela!
Enfim, quanto à minha pergunta acima: mantive diário por anos, provavelmente toda adolescência e como diz a autora, desfiz-me de todos ao chegar à idade adulta. Não por casar, mas porque eu mudei para outro país e não queria que meus segredos fossem lidos em vida (risos).
Meu professor de Língua Portuguesa na UFPR, Cristóvão Tezza, uma vez perguntou na aula quem tinha feito diário e quem tinha sido orador da turma. A sala meio que se dividiu. Ele depois falou: quem fez diário vai ser bom redator, porque aprendeu a escrever para si, a desenvolver uma idéia, sem limitações. Fiquei toda cheia, porque jamais fui nem seria oradora de turma. Minhas idéias jamais expressariam um coletivo!
No mais, estou encarando o frio do sul na casa dos meus pais, feliz por não morar mais neste frio e umidade. E os meninos tossem, até o Buddy (cão cocker da família que é do tempo que eu namorava o Gui) está tremendo e vai ganhar uma blusa de tricô à mão. Que feriado de maio!
Ontem eu a Simone encaramos o friozinho do final da tarde para apresentarmos Giorgio e Gabriel, foi muito legal. A princípio uma estranheza natural dos dois, mas depois estavam de mãos dadas, amiguinhos. Se ficássemos mais tempo e fosse num horário menos estressado, eles teriam brincado muito.

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Apr
25

A Fantástica Fábrica de Chocolates

Criança e chocolate são duas coisas deliciosamente doces e – vamos confessar – viciantes. Depois que acostumamos com eles, é muito difícil viver sem. Uma coisa que aqui em casa também é um doce vício, é assistir a filmes de DVD. Quer dizer, ainda temos muitos VHS, pois o Enzo chegou a ter sua videoteca antes da “dvdteca” dele e do irmão. E entre eles temos a Fantástica Fábrica de Chocolate, a mirabolante aventura imaginada pelo escritor inglês (mas filho de noruegueses) Roald Dahl e adaptada às telas duas vezes.
A atual versão reuniu outros dois mestres na arte do fantástico, o ator Johnny Deep e o diretor Tim Burton, e conta com efeitos especiais que nos fazem quase “sentir o cheiro” das cachoeiras de chocolote do sr. Willy Wonka. Os meninos adoram o filme do começo ao fim, especialmente quando a amiguinha (que ama chocolate) Himawari, de 5 anos, faz companhia.

Impressiona notar a atenção que dão ao filme todas as vezes que assistem. Giorgio e Hima já sabem as falas decor e estão naquela idade em que a criança vai antecipando para o adulto ao seu lado o que virá, o exato momento em que Augustus, o menino gordo, cai no rio de chocolate (parte aliás da qual eu jamais esqueci, lembro da imagem do primeiro filme, de 1971) ou Violet (a menina do chiclete) vira uma “blueberry” (no filme eles chamam de amora).
Mas o que impressionou mesmo os meninos, eu notei nas nossas repetidas “sessões de cinema” (Gio adora escurecer tudo, para fingir que é cinema), foi a pobreza de Charlie Bucket. Eles sempre falam: “nossa, ele é muito pobre” e ficam tristinhos. Depois passam a torcer pelo Charlie o tempo todo. Impossível não se encantar por ele, pois o ator, Freddie Highmore, que fez o Peter no filme Em Busca da Terra do Nunca (2004), causa grande empatia em todos com seus olhares meigos.

Não sei dizer se o filme seria mais indicado para os pequenos ou pré-adolescentes, que, afinal, estão na faixa etária dos felizes ganhadores dos convites dourados para visitar a fábrica de chocolates: Augustus, Veruka, Violet, Mike Teavee, Charlie. Sei que meu filho de 4 anos, ao me ver agora nomeando imagens do filme, gritou: “é a Fábrica de Chocolates, eu adoro!!! Eu falei para você escrever da fábrica de chocolates, mamãe!”. Precisa dizer mais?

A competição de Violet, a gula de Augustus, a soberba de Mike (que apesar de se chamar TV tem muito dos nossos nerds da internet), a presunção de Veruka e a genrosidade de Charlie tem muito a nos mostrar sobre os pais que somos e os filhos que queremos criar, como conta a Aline, no bem-humorado texto neste link aqui.

Qual é a história do filme: Willy Wonka (Johnny Depp) é o excêntrico dono da maior fábrica de doces do planeta, que decide realizar um concurso mundial para escolher um herdeiro para seu império. Cinco crianças de sorte, entre elas Charlie Bucket (Freddie Highmore), encontram um convite dourado em barras de chocolate Wonka e com isso ganham uma visita guiada pela lendária fábrica de chocolate, que não era visitada por ninguém há 15 anos. Encantado com as maravilhas da fábrica, Charlie fica cada vez mais fascinado com a visita.

O filme se baseia no livro fantástico de Roald Dahl, lançado em 1964, que inspirou o filme de 1971 também intitulado A Fantástica Fábrica de Chocolate.

Leiam o livro. Nós lemos e a experiência foi fantástica mesmo!

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Apr
24

Einstein teve tempo para brincar…

… e nossos filhos, será que eles têm tido?

Esta tem sido uma pergunta que nós temos nos feito, acho que mais ainda com a história do Vinícius repercutindo no coração de todas. Será que temos dado a eles tempo de serem crianças, pura e simplesmente crianças? De que vale sermos generais (como disse a Karim), de que vale ficarmos gerenciando a rotina de nossos filhos?
Nós, as mães do sul e Japão, temos pensado nisto nas nossas conversas on line e hoje resolvi fazer minha estréia no blog do Desabafo comentando o começo de uma idéia que achei bárbara e a cara das mães que compõem este espaço cultural.
O post está originalmente no aqui no blog do Desabafo de Mãe!
As mudanças na sociedade nos últimos 50/60 anos foram muito grandes, considero que temos ferido não só a camada de ozônio, mas igualmente a capacidade de sermos humanos, tratando as crianças e a nós mesmos como máquinas. Penso muito nisto desde que comecei a ler sobre o ócio criativo e as mudanças no regime de horas trabalhadas na Europa. É preciso repensar e repensar tudo! Será que realmente precisamos trabalhar tantas horas, para ter tanto status e dinheiro, para não ter mais tempo para as coisas simples, como um sábado no clube fazendo churrasco e jogando com os filhos? (é, estou falando da foto! Nosso dia de Tiradentes familiar, delícia!!!)
Este livro é muito terno e tem me feito, mais do que refletir (porque graças a Deus muita coisa estava lá, latente, na dúvida, dentro de nós), reforçar minha postura mais ancestral sobre educação e família.

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Apr
18

O medo é um inimigo ferrenho

O medo é um inimigo ferrenho.
Trava, inibe, prejulga, enfraquece a nossa consciência.
Pior que ter medo é ser vítima dos medrosos.

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Apr
16

A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro

A semana pós-Páscoa foi cheia e em boa parte “turva” por conta de uma enxaqueca que me acompanhou dia e noite. No entanto, apesar de tudo, foi produtiva em termos de trabalho. Menos mal!
Entrei para o Jornal de Debates, foi uma boa sugestão que recebi nesta semana, poderá ser um bom espaço para minhas divagações sobre a maioridade penal, a necessidade do ser humano parar de ostentar, os presídios privados, apadrinhar uma criança necessitada, o papel da mulher na sociedade atual, como zerar suas emissões de carbono - aliás, quantas árvores você já plantou na sua vida? Há quanto tempo isto aconteceu pela última vez?
Enfim, ando pensando no futuro, na vida, em vivê-la mais plenamente e protelar menos os momentos felizes. Duas situações sinalizaram para mim esta necessidade, duas histórias que não aconteceram comigo diretamente, mas tocaram meu coração tão fundo que me fizeram realmente parar e orar pelos envolvidos várias vezes ao dia. Soube quase na mesma data das histórias: Marinheira e Seus Dois Meninos, que lutava bravamente contra a leucemia devastadora do pequeno menino de apenas dois anos, e a perda de um amigo (não tão íntimo, mas de longa data) de Curitiba, o Dudu, que faleceu subtamente num acidente de automóvel e deixou esposa e dois filhos pequenos que brincavam com os meus lá. Que coisa doída e triste. Estas duas famílias, sem saber, mudaram muito meu foco, minha direção na vida nas últimas semanas, foram tema de muitas divagações que tive com o Gui e - agradeço a Deus - não me saíram da mente por dias, a ponto de me rever.
Ontem vi no blog do desabafo de mãe que o Vinicius morreu no sábado, não aguentou. O irmão dele nasce em 6 semanas, imaginem uma mãe vivendo esta situação de nascimento e morte dos filhos, tudo junto. Que Deus abençoe esta família! Não conheço, nem virtualmente, os pais do Vini, mas a luta deles foi como uma corrente entre as mães blogueiras do Brasil, uma comentando com a outra e nos seus respectivos blogs, muitas orações de todos os credos, enfim, uma coisa linda de se ver. Vinícius é certamente uma alma muito iluminada e acredito que a missãozinha dele neste mundo era grande e foi cumprida cabalmente.
Sempre acreditei que o sofrimento das pessoas tem que servir para, pelo menos, o mundo ficar um pouco melhor. Deve ser uma visão cristã arragaida, a do sacrifício de um em prol de muitos, da salvação, enfim, as razões, “Freud explica”, mas as mudanças, estas eu estou constatando. Espero que eu consiga melhorar minha forma de encarar a vida em família, deixar de protelar os momentos, encontrar tempo e ser feliz com meus pequenos. Nunca se sabe se teremos mais chances. Como dizia Lennon, numa frase que adoro:
“A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro”
P.S. No domingo tivemos um momento especialíssimo juntos que não posso deixar de comentar aqui: estivemos nos Grandes Encontros, uma promoção da Eldorado FM. O show era do Toquinho e, apesar de Gui e eu gostarmos muito das músicas dele, foi o Enzo quem nos avisou, pois ele e Giorgio viram propaganda e sabiam quem era, graças aos comerciais “cultura no intervalo” da TV Cultura. A conjunção de fatores positivos não podia ser melhor: acabamos de ver o filme do Vinícius (meus pais, lembrando da minha adolescência regada a MPB e fã dos sonetos dele, me deram de aniversário) e apresentei mp3 de Casa de Brinquedos, Arca de Noé e outros discos da minha infância para os meninos recentemente. Tudo isto, somado à nossa nova forma de viver, resultou em horas muito felizes, em pé, com calor e sol (mesmo dentro de um shopping), mas em família.

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12

Uma Páscoa bem feliz…


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Apr
05

Cozinha? Lugar de mulher é na internet…

Minha vida de mãe blogueira e virtual começou a deslanchar de fato no orkut. Lá conheci a Ana Mara, uma professora de Guarulhos que me convidou para o MSN Group dela chamado Nossos Baixinhos, do qual hoje sou moderadora. Lá, como no orkut, muitas mães que nunca cheguei a conhecer me deram dicas de escolas, pediatras e tudo mais quando ia me mudar de Curitiba para São Paulo. Lá também comecei minhas trocas de figurinhas de álbuns de heróis dos meus filhos e acabei conhecendo um site criado só para trocas.

Não consigo imaginar minha maternidade sem a internet, onde troco recados com mães de coleguinhas de escola, desabafo sobre minhas agruras, converso no msn sobre dicas de livros e DVDs, baixo mp3 da minha infância. É, a internet dá um espaço que a mulher precisa ter e nem sempre consegue: a reunião de amigas que acontece como a partidinha de futebol dos maridos na terça à noite, o happy hour com os colegas, o chá com jogo de baralho de antigamente. Minha madrinha até hoje tem chá semanal com as amigas, acho um luxo, uma delícia elas serem amigas desde a adolescência e se encontrarem até hoje, mesmo já sendo avós.

Raras e solitárias são as mães que atualmente não têm ao menos uma amiga com quem chatear no msn no início da noite de sexta ou talvez na segunda de manhã, para contar do final de semana. Enfim, o chat, o painel de recados do orkut e o e-mail estão substituindo com vantagens nossos papos de mulher na cozinha. Cozinha? Lugar de mulher é na internet!

Meus filhos já sabem, ao terminar um desenho, eles correm para mim e pedem: mamãe, você pode postar no meu blog. Sim, ambos têm blogs onde postamos os desenhos, trabalhos de escola, reportagens interessantes, tudo para os avós e tios que moram a quilômetros de distância acompanharem em tempo real. E eles têm que acompanhar tudo: saber o nome do personagem, de onde vem (quer dizer, em que país se passa) e com qual deles Enzo se identifica, com qual é o Giorgio. Raramente é o mesmo e haja hiperlink para os adultos checarem tudo no site indicado.

Os blogs viraram mania e são um caminho sem volta para nós, as mães modernas que aceitam se expor. É claro, pelo bom senso, nada que comprometa sua vida, que deixe claro onde exatamente mora, que contenha fotos de seus filhos ou suas com muitos pixels para não serem roubadas por algum maluco na Internet. Neles acontece a melhor coisa para uma mãe: podemos ser corujas, falar de bobeiras, contar coisas banais (mas lindas!), enfim, ser mães, com uma completude que há tempos não se permitia às mulheres profissionais.

Ainda me pergunto se todas as mães são assim, tão virtuais. Creio que não, que este será um hiperlink entre eu e meus filhos sempre, como tem sido a paixão por figurinhas, por super heróis, a fé em Deus, enfim, tudo misturado e que me faz chegar mais perto deles. Como não sou de deitar no chão e rolar (nem meu ciático deixa), tenho estes outros interesses em comum com eles. Ou eles comigo!

Abraço em todos, amigos e amigas, obrigado pelo carinho sempre e boa páscoa.

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Apr
04

criança e consumo

Sei que depois vou discorrer sobre o tema, que é bárbaro! Glaucia, mãe do melhor amigo do meu filho, acaba de me passar este link. Adorei e estou compartilhando: http://www.criancaeconsumo.org.br

O mesmo site participou da promoção do livro Crianças no Consumo - a infância roubada.

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Apr
04

Você é o que você lê?

Foi a frase que me passou pela cabeça. Ando voltando à minha dieta mais naturalista (vegetariana, meio macrobiótica, da adolescência, alterada por um “pedido” do meu namorado -hoje meu marido- sulista) por conta do programa Você é o que você come que apresentei à minha mãe para ajudá-la com a diabetes e acabou me levando junto! (risos).
Comida não tem muito a ver  com leitura, dirão alguns? Quem sabe? Um dos livros incríveis que comprei em 2006 na Bienal do Livro (não, foi no dia dos pais) foi História do Mundo em Seis Copos (Como seis bebidas mudaram a humanidade). Não é papo de bar, três das bebidas não são alcoólicas - café, chá e coca-cola- mas daria bons papos de bar, aliás, já me deu momentos agradáveis com o Gui, meu melhor companheiro para divagações de filosofia, sociologia, história. Quer melhor papo de bar que este? E melhor companhia?
Mas comecei a falar de leitura porque hoje na newsletter do Digestivo Cultural tinha uma chamadinha que gostei e cliquei. Só depois vi que era da Ana Elisa Ribeiro. Cliquei porque dizia: “Sou uma leitora obsessiva, como já disse. Leio desde criança, muito, livrões e livrinhos“… na hora, me vi, que espelho engraçado! O texto não é um espelho (e eu não sou tão narcisista assim), apesar de eu me encaixar em vários momentos do que a linguista escreve. Realmente li muito e estou formando dois leitores que, como eu, se encaixariam na fotocrônica do texto: “bom leitor é aquele que lê o que vê pela frente”. Enzo já me cansa com suas leituras - até o fim - de tudo, caixa de gelatina, capa de revista e haja livros e revistas. Aliás, aprendi uma palavra nova hoje que vou usar, porque é uma coisa que eu tenho e até organizada:
he.me.ro.te.ca
(gr hémera+teca) sf 1 Conjunto de revistas, jornais e outras publicações periódicas (para estudo ou consulta). 2 Lugar onde se arquivam essas publicações.
Gostei! E juro que nunca tinha escutado. Ainda bem que tenho o bom hábito de usar o dicionário e este ano Enzo ganhou com o dele (criança de 6 anos já leva dicionário para escola hoje em dia, pode?) um Cd que instalei no computador, uma mão na roda para quem trabalha com as palavras!
Mas a Ana Elisa falava sobre o que alguns amigos dela estavam lendo no final do ano, traçando um perfil de acordo com as preferências de leitura, profissão, quantidade de livros lida no ano que findava (2006). Aí entra meu você é o que você lê?
Não sei responder, assim como não seria capaz de contar aqui, rapidamente, tudo que li em 2006. No mínimo foram mais de 25 livros (fora os meus profissionais, que, no meu caso, são boa literatura infantil, graças a Deus, e alguns de educação e auto-ajuda para pais). Lembro que depois da Bienal li Danuza Leão e Rui Castro, que ganhei O Caçador de Pipas de dia dos namorados (meu marido sabe mesmo me agradar), como o amigo dela li Cavalo de Tróia, mas não lembro se foi em dezembro ou janeiro… não sei mais dizer, li muito, mas não foi nada diferente de outros anos da minha vida. Li coisas como Musashi e O Senhor dos Anéis com os meninos bebês e tem gente que diz que não consegue ler por conta dos filhos. Enzo ouvia aventuras do Frodo com 2 anos, sabe muito do Musashi (quando ele começa a “perder o controle de si” eu o chamo de Takezo, para trazer Musashi à tona) e já lemos alguns clássicos no original, em inglês ou francês. Ah, outro livro do primeiro semestre de 2006 foi Charlie and the chocolate factory, que nos fez ficar ansiosos por outros livros do Dahl. Realismo fantástico não é mesmo maravilhoso para as crianças expandirem seus horizontes?
Enfim, vou trabalhar e deixo aqui a frase do Ministério da Educação e Cultura (era assim o nome antigamente?)

Ler faz bem. Ler é saber. Leia, leia, leia mais.

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Apr
02

Supernanny



Recebi hoje a revista Sotaque Brasileiro, edição de outono de 2007, com a reportagem que fiz sobre o fenômeno da Supernanny brasileira. Posto aqui meu papo com ela.
O livro é finalmente a chance de termos a visão da Cristina Poli educadora, mãe e avó, mais livre do formato do programa internacional?
Certamente o livro é minha visão como educadora abordando os temas que tem a ver com o programa.
Antes mesmo do lançamento do programa do SBT, cerca de 5 mil famílias se inscreveram e hoje as pessoas falam da Supernanny em todo lugar e dizer “chama a Supernanny” virou quase um jargão. Na sua opinião, o que fez esta formula dar tão certo no Brasil?
A necessidade que as famílias tem de uma orientação para trazer a unidade, a harmonia , a ordem, o amor e a disciplina para cada lar. A sociedade precisa resgatar os princípios morais básicos que se perderam com o tempo e aplica-los no dia a dia .
A inglesa JoJo enfatiza em seu programa o espaço individual da criança, repetindo um dos valores característicos da cultura deles, que é “fisicamente mais distante” que a nossa. Quais as outras diferenças culturais a senhora leva em consideração ao planejar suas ações para a família brasileira?
Cada família é uma família, com suas características e sua história, então quando entro nas casas planejo cada método com muito cuidado. Nós somos latinos e isso nos faz diferentes, somos mais afetivos, mais comunicativos e agimos bastante com o coração. O que tenho tentado resgatar nas famílias é o tempo de qualidade de todos juntos e as refeições em família, entre outras coisas.
A revista Sotaque Brasileiro é lida por casais inter-étnicos, formados por brasileiros e canadenses. Quais desafios a senhora considera mais difíceis para estas famílias multiculturais?
Um desafio para esses casais é entrar num acordo e encontrar um ponto em comum na educação de seus filhos. Nada impossível, mas que requer muito diálogo, boa vontade e disposição para acertar as diferenças.
Sua experiência como educadora é em escola bilíngüe, que agrega crianças de outros países e submete os locais à atividades diferenciadas e com carga horária mais puxada. O pouco tempo na escola e excesso de tempo livre das crianças brasileiras é prejudicial? Podemos considerar a falta de atividades uma das razões para o mau comportamento em casa?
O tempo livre fora da escola em si não é prejudicial, o que colabora para o mau comportamento é não ter nenhuma atividade programada para esse tempo livre. Tenho encontrado famílias com muito tempo ocioso, não há criatividade nas crianças ou nos adultos, fora da tv, o vídeo game ou o computador, e isso afasta os membros da família entre si e promove o mau comportamento.
O livro aborda os temas tratados com mais ênfase nos programas de TV: conflitos de relacionamentos (entre os cônjuges e entre os irmãos) e a responsabilidade. A maior dificuldade da educação atual é a falta de responsabilidade dos pais que não querem mais ser tão duros quanto seus ancestrais?
Muitos pais estão perdidos com respeito à educação de seus filhos e não sabem como assumir a autoridade ou a responsabilidade nessa situação. Um tempo atrás a educação era muito rígida, depois foi para o outro extremo e tornou-se muito permissiva, hoje eles não sabem como agir, estão inseguros, não querem ver seus filhos como muitos jovens que andam por ali, estão assustados e sem rumo. Precisam de ajuda.
Lembro de ter visto um programa em que o pai era muito rígido e criava-se um clima de terror para a mãe e as três filhas pequenas quando ele chegava em casa. É mais grave ser um pai agressivo e intimidador ou omisso?
As duas situações são prejudiciais. Tanto um quanto o outro precisam ser ensinados a assumir sua posição de pai e de autoridade na família para trazer a ordem e a disciplina de maneira adequada.
Todos os programas que assisti mostravam famílias com pai, mãe e filhos, mas me parece que as famílias de pais solteiros (cada dia mais comuns) ou até de crianças que moram com um dos pais e os avós (e visitam a outra familia nos finais de semana) são muito problemáticas também. Não mostra-los foi uma opção do programa? Porque?
Certamente queremos mostrar casos como os descritos na sua pergunta, mas não tem se inscrito famílias com o perfil adequado para o programa. Esperamos que na terceira temporada possamos contar com esses casos que hoje em dia são tão freqüentes e que precisam de muita ajuda.
E quanto aos filhos únicos? É mais difícil para os pais imporem limites para um só?
Não é mais difícil para os pais imporem limites para um filho só. Com um ou mais filhos a fórmula é a mesma: amor e limites.
Pode parecer estranho, mas quando vejo os programas eu penso: “eu não preciso da Supernanny”, porque meus filhos não brigam, comem bem, fazem sua higiene sem problemas, dormem e acordam sem dramas e são cordatos no relacionamento conosco. Qual é o conselho para mães e pais que já venceram estas etapas iniciais repetidamente mostradas no programa?
Quero dar os Parabéns! Para vocês e para todos os outros pais que compartilham de sua experiência. Estejam preparados porque cada fase dos filhos é diferente da outra, mas, se vocês já foram bem sucedidos nas etapas iniciais, com certeza conseguirão vencer as dificuldades que eventualmente virão a aparecer. Agradeço a vocês pela oportunidade de compartilhar minhas experiências e opiniões com os leitores. Fico à disposição para qualquer outra ocasião. Deus abençoe todos vocês.

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