Archive for April, 2007

Quem fazia diário antes do blog levanta a mão!

Uncategorized April 27th, 2007

Quem fazia diário antes do blog levanta a mão!
Foi o que pensei quando recebi esta dica ontem. Fala de um livro, Segredos Públicos – Os blogs das mulheres do Brasil, um estudo da pesquisadora Luiza Lobo sobre o fenômeno da passagem do privado para o público em termos de confidências femininas. Vou procurar para ler, depois eu dou minha opinião. Como já diz meu filho Enzo, faço uma “resenha, uma descrição minuciosa”. Tenho orgulho de contar que ele tem feito suas resenhas de filmes em um caderninho! Que fofo!
Concordo com ela, o tom confessional do diário escrito à mão passou a ser um diálogo com o leitor do blog, enfim, deixou de ser solitário para ser pseudo-social. Termo estranho? Mas é a verdade, porque há uma dicotomia no “social” que buscamos com o blog: sabemos que seremos vistos, mas não falamos em tom professoral. A confissão ainda permeia o texto, levando-nos ao prazer de compartilhar algo especial com alguém – mesmo que não saibamos exatamente quem o vê do outro lado da tela!
Enfim, quanto à minha pergunta acima: mantive diário por anos, provavelmente toda adolescência e como diz a autora, desfiz-me de todos ao chegar à idade adulta. Não por casar, mas porque eu mudei para outro país e não queria que meus segredos fossem lidos em vida (risos).
Meu professor de Língua Portuguesa na UFPR, Cristóvão Tezza, uma vez perguntou na aula quem tinha feito diário e quem tinha sido orador da turma. A sala meio que se dividiu. Ele depois falou: quem fez diário vai ser bom redator, porque aprendeu a escrever para si, a desenvolver uma idéia, sem limitações. Fiquei toda cheia, porque jamais fui nem seria oradora de turma. Minhas idéias jamais expressariam um coletivo!
No mais, estou encarando o frio do sul na casa dos meus pais, feliz por não morar mais neste frio e umidade. E os meninos tossem, até o Buddy (cão cocker da família que é do tempo que eu namorava o Gui) está tremendo e vai ganhar uma blusa de tricô à mão. Que feriado de maio!
Ontem eu a Simone encaramos o friozinho do final da tarde para apresentarmos Giorgio e Gabriel, foi muito legal. A princípio uma estranheza natural dos dois, mas depois estavam de mãos dadas, amiguinhos. Se ficássemos mais tempo e fosse num horário menos estressado, eles teriam brincado muito.

A Fantástica Fábrica de Chocolates

cinema April 25th, 2007



Criança e chocolate são duas coisas deliciosamente doces e – vamos confessar – viciantes. Depois que acostumamos com eles, é muito difícil viver sem. Uma coisa que aqui em casa também é um doce vício, é assistir a filmes de DVD. Quer dizer, ainda temos muitos VHS, pois o Enzo chegou a ter sua videoteca antes da “dvdteca” dele e do irmão. E entre eles temos a Fantástica Fábrica de Chocolate, a mirabolante aventura imaginada pelo escritor inglês (mas filho de noruegueses) Roald Dahl e adaptada às telas duas vezes.
A atual versão reuniu outros dois mestres na arte do fantástico, o ator Johnny Deep e o diretor Tim Burton, e conta com efeitos especiais que nos fazem quase “sentir o cheiro” das cachoeiras de chocolote do sr. Willy Wonka. Os meninos adoram o filme do começo ao fim, especialmente quando a amiguinha (que ama chocolate) de 5 anos, faz companhia.

Impressiona notar a atenção que dão ao filme todas as vezes que assistem. Meu filho e a amiga já sabem as falas decor e estão naquela idade em que a criança vai antecipando para o adulto ao seu lado o que virá, o exato momento em que Augustus, o menino gordo, cai no rio de chocolate (parte aliás da qual eu jamais esqueci, lembro da imagem do primeiro filme, de 1971) ou Violet (a menina do chiclete) vira uma “blueberry” (no filme eles chamam de amora).
Mas o que impressionou mesmo os meninos, eu notei nas nossas repetidas “sessões de cinema” (meu filho adora escurecer tudo, para fingir que é cinema), foi a pobreza de Charlie Bucket. Eles sempre falam: “nossa, ele é muito pobre” e ficam tristinhos. Depois passam a torcer pelo Charlie o tempo todo. Impossível não se encantar por ele, pois o ator, Freddie Highmore, que fez o Peter no filme Em Busca da Terra do Nunca (2004), causa grande empatia em todos com seus olhares meigos.

Não sei dizer se o filme seria mais indicado para os pequenos ou pré-adolescentes, que, afinal, estão na faixa etária dos felizes ganhadores dos convites dourados para visitar a fábrica de chocolates: Augustus, Veruka, Violet, Mike Teavee, Charlie. Sei que meu filho de 4 anos, ao me ver agora nomeando imagens do filme, gritou: “é a Fábrica de Chocolates, eu adoro!!! Eu falei para você escrever da fábrica de chocolates, mamãe!”. Precisa dizer mais?

A competição de Violet, a gula de Augustus, a soberba de Mike (que apesar de se chamar TV tem muito dos nossos nerds da internet), a presunção de Veruka e a genrosidade de Charlie tem muito a nos mostrar sobre os pais que somos e os filhos que queremos criar, como conta a Aline, no bem-humorado texto neste link aqui.

Qual é a história do filme: Willy Wonka (Johnny Depp) é o excêntrico dono da maior fábrica de doces do planeta, que decide realizar um concurso mundial para escolher um herdeiro para seu império. Cinco crianças de sorte, entre elas Charlie Bucket (Freddie Highmore), encontram um convite dourado em barras de chocolate Wonka e com isso ganham uma visita guiada pela lendária fábrica de chocolate, que não era visitada por ninguém há 15 anos. Encantado com as maravilhas da fábrica, Charlie fica cada vez mais fascinado com a visita.

O filme se baseia no livro fantástico de Roald Dahl, lançado em 1964, que inspirou o filme de 1971 também intitulado A Fantástica Fábrica de Chocolate.

Leiam o livro. Nós lemos e a experiência foi fantástica mesmo!


Einstein teve tempo para brincar…

livros, mãe com filhos, pais e filhos April 24th, 2007

… e nossos filhos, será que eles têm tido?

Esta tem sido uma pergunta que nós temos nos feito, acho que mais ainda com a história do Vinícius repercutindo no coração de todas. Será que temos dado a eles tempo de serem crianças, pura e simplesmente crianças? De que vale sermos generais (como disse a Karim), de que vale ficarmos gerenciando a rotina de nossos filhos?

Nós, as mães do sul e Japão, temos pensado nisto nas nossas conversas on line e hoje resolvi fazer minha estréia no blog do Desabafo comentando o começo de uma idéia que achei bárbara e a cara das mães que compõem este espaço cultural. O post está originalmente no aqui no blog do Desabafo de Mãe!

As mudanças na sociedade nos últimos 50/60 anos foram muito grandes, considero que temos ferido não só a camada de ozônio, mas igualmente a capacidade de sermos humanos, tratando as crianças e a nós mesmos como máquinas. Penso muito nisto desde que comecei a ler sobre o ócio criativo e as mudanças no regime de horas trabalhadas na Europa. É preciso repensar e repensar tudo! Será que realmente precisamos trabalhar tantas horas, para ter tanto status e dinheiro, para não ter mais tempo para as coisas simples, como um sábado no clube fazendo churrasco e jogando com os filhos? (é, estou falando da foto! Nosso dia de Tiradentes familiar, delícia!!!)
Este livro é muito terno e tem me feito, mais do que refletir (porque graças a Deus muita coisa estava lá, latente, na dúvida, dentro de nós), reforçar minha postura mais ancestral sobre educação e família.

O livro Einstein teve tempo para brincar é escrito por três especialistas em educação: Kathy Hirsh-Pasek, Diane Eyer e Roberta Michinick Golinkoff. Quem publica é a Editora Guarda-Chuva. ;)

O medo é um inimigo ferrenho

sam April 18th, 2007

O medo é um inimigo ferrenho.
Trava, inibe, prejulga, enfraquece a nossa consciência.
Pior que ter medo é ser vítima dos medrosos.

A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro

música April 16th, 2007

A semana pós-Páscoa foi cheia e em boa parte “turva” por conta de uma enxaqueca que me acompanhou dia e noite. No entanto, apesar de tudo, foi produtiva em termos de trabalho. Menos mal!
Entrei para o Jornal de Debates, foi uma boa sugestão que recebi nesta semana, poderá ser um bom espaço para minhas divagações sobre a maioridade penal, a necessidade do ser humano parar de ostentar, os presídios privados, apadrinhar uma criança necessitada, o papel da mulher na sociedade atual, como zerar suas emissões de carbono – aliás, quantas árvores você já plantou na sua vida? Há quanto tempo isto aconteceu pela última vez?
Enfim, ando pensando no futuro, na vida, em vivê-la mais plenamente e protelar menos os momentos felizes. Duas situações sinalizaram para mim esta necessidade, duas histórias que não aconteceram comigo diretamente, mas tocaram meu coração tão fundo que me fizeram realmente parar e orar pelos envolvidos várias vezes ao dia. Soube quase na mesma data das histórias: Marinheira e Seus Dois Meninos, que lutava bravamente contra a leucemia devastadora do pequeno menino de apenas dois anos, e a perda de um amigo (não tão íntimo, mas de longa data) de Curitiba, o Dudu, que faleceu subtamente num acidente de automóvel e deixou esposa e dois filhos pequenos que brincavam com os meus lá. Que coisa doída e triste. Estas duas famílias, sem saber, mudaram muito meu foco, minha direção na vida nas últimas semanas, foram tema de muitas divagações que tive com o Gui e – agradeço a Deus – não me saíram da mente por dias, a ponto de me rever.
Ontem vi no blog do desabafo de mãe que o Vinicius morreu no sábado, não aguentou. O irmão dele nasce em 6 semanas, imaginem uma mãe vivendo esta situação de nascimento e morte dos filhos, tudo junto. Que Deus abençoe esta família! Não conheço, nem virtualmente, os pais do Vini, mas a luta deles foi como uma corrente entre as mães blogueiras do Brasil, uma comentando com a outra e nos seus respectivos blogs, muitas orações de todos os credos, enfim, uma coisa linda de se ver. Vinícius é certamente uma alma muito iluminada e acredito que a missãozinha dele neste mundo era grande e foi cumprida cabalmente.
Sempre acreditei que o sofrimento das pessoas tem que servir para, pelo menos, o mundo ficar um pouco melhor. Deve ser uma visão cristã arragaida, a do sacrifício de um em prol de muitos, da salvação, enfim, as razões, “Freud explica”, mas as mudanças, estas eu estou constatando. Espero que eu consiga melhorar minha forma de encarar a vida em família, deixar de protelar os momentos, encontrar tempo e ser feliz com meus pequenos. Nunca se sabe se teremos mais chances. Como dizia Lennon, numa frase que adoro:
“A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro”
P.S. No domingo tivemos um momento especialíssimo juntos que não posso deixar de comentar aqui: estivemos nos Grandes Encontros, uma promoção da Eldorado FM. O show era do Toquinho e, apesar de Gui e eu gostarmos muito das músicas dele, foi o Enzo quem nos avisou, pois ele e Giorgio viram propaganda e sabiam quem era, graças aos comerciais “cultura no intervalo” da TV Cultura. A conjunção de fatores positivos não podia ser melhor: acabamos de ver o filme do Vinícius (meus pais, lembrando da minha adolescência regada a MPB e fã dos sonetos dele, me deram de aniversário) e apresentei mp3 de Casa de Brinquedos, Arca de Noé e outros discos da minha infância para os meninos recentemente. Tudo isto, somado à nossa nova forma de viver, resultou em horas muito felizes, em pé, com calor e sol (mesmo dentro de um shopping), mas em família.

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