Ano Novo Chinês na Liberdade
Postado em teatro no dia 11/02/2007
Enzo e Giorgio viram de camarote os festejos do Ano Novo Chinês, hoje, na Liberdade. Até que a mãe ir ao trabalho no sábado tem suas compensações!
Mas tínhamos um teatro para ver e não conseguimos sair da muvuca em tempo! Que pena!
P.S. O teatro era O Menino e o Burrinho, fomos na semana seguinte e fiz texto para o Desabafo:
O Menino e o Burrinho
Ponto positivo: a chegada do “andarilho” ao teatro e sua interação com as crianças até o início da peça
Ponto negativo: a superlotação na estréia, que fez muita gente ficar sem entradas, inclusive nós.
Local: a sala não é muito grande e as cadeiras são confortáveis, com certo “balanço” que ajudou as crianças a ficarem nos seus lugares. Vi crianças que insistiam em passear ou deitar no chão e havia espaço para elas nas escadas laterais.
Confesso que já fomos ao teatro com expectativa positiva, pois meus filhos adoram o livro “Ou Isto Ou Aquilo”, de Cecília Meireles desde bebês – poesia combina com bebês, porque é sonora. E encanta os que estão em fase de alfabetização, como Enzo e Giorgio, que já compreendem as rimas.
Chico Bolacha, um dos personagens pinçados pelo grupo CincoInCena para compor a história do menino que busca um burrinho, é um “amigo antigo” do Enzo, do qual falamos sempre que chove muito e tudo vira um charco. Ou quando perdemos alguma coisa, porque “na Chácara do Chico Bolacha, o que se procura, nada se acha”. Na peça há também a menina bailarina, que o Menino encontra numa ponte e que quase o faz desistir de sua jornada. Personagens lindos e encantadores, que envolveram e causaram muita empatia nas crianças.
O tema é tratado pelo grupo como uma seqüência de escolhas do menino, que é um menino estranho porque vive com a cara virada para uma parede sonhando com um burrinho:
“Um burrinho para passear,
um burrinho manso
que não corra nem pule
mas que saiba conversar.”
Ele resolve sair em busca do seu burrinho, navegando num rio, e neste caminho encontra situações que o fazem aprender e viver, deixando para trás caminhos antigos. Até as crianças já deixaram para trás etapas e escolhas que lhes pareciam sérias, como escolher entre a futura profissão de lixeiro e de astronauta, ver desenho animado ou ir ao parquinho, comprar sorvete ou chocolate, e sabem que tudo traz conseqüências.
O ponto alto do espetáculo é a grande participação do público, que já começa antes de entrarmos na Sala Paulo Emilio Salles Gomes no Centro Cultural São Paulo. Para Giorgio foi delicioso interagir com o Andarilho (interpretado pela atriz Íris Yasbek) que chegava com uma mala com cara de cachorro e conversava com todos, querendo entrar no teatro sem pagar! E a interação continuou, pois ele foi uma das muitas crianças que falavam espontaneamente com os atores, aquelas tiradas em alto e bom som que fazem toda platéia rir, como “mas este menino é uma mulher” (referindo-se à atriz Lívia Lisboa, que interpretava o Menino, entre outros personagens, pois ela e Íris trocavam de papéis). O legal é que a peça foi concebida assim mesmo, com eles interagindo.
As crianças também apreciaram o uso de bacias metálicas para compor o rio e, com sementes que caiam nelas, fazer parte da sonoplastia da chuva. Enzo e Giorgio imediatamente sacaram e copiaram o modelo para suas brincadeiras domésticas. Assim, música e ritmo produzido com os objetos e os adereços se somam aos jogos sonoros das palavras dos poemas de Cecília e luz e sombra dão contorno aos personagens e histórias, que em parte é contada em desenhos que transparece nas sombras. Meus pequenos desenhistas amaram e senti que outras crianças também.
Como em toda experiência cultural com crianças, acho importante o embasamento teórico antes do passeio, se for possível programá-lo com antecedência. E neste caso, vale duplamente, porque o livro no qual a peça se baseia é fantástico.
Para antes ou depois: O legal do Centro Cultural é mesmo a espera ou os momentos depois da experiência cultural (não é só teatro: tem cinema, exposições, shows e gibiteca lá) podemos passear, pois há muito espaço seguro para as crianças passearem, correrem e os lanches são ótimos.