Maternidade
mulher, mãe com filhos February 8th, 2007
Outro dos meus comentários em textos dos outros que me fizeram pensar na vida:
Estreou ontem no Desabafo uma jornalista que, caiam de costas, não é mãe. Mas o que faz no Desabafo de MÃE? Ela se diz uma mãe teórica muito boa. E me fez lembrar do texto da Badinter sobre a maternidade não ser natural. Quando descobri o tal texto, numa EntreLivros de 2005, foi uma coisa revolucionária na minha vida. Tirei um caminhão de peso das costas, pensando que não era minha culpa não ter nascido para isto, que era apenas natural! E que dava para eu ir aprendendo, como fazemos com tudo que não é natural mas a gente insiste em querer. Afinal amar é natural do ser humano e eu conseguia amar muito, mesmo sem ser uma mãe perfeita.
Mas afinal, sobre o desabafo dela, respeito toda esta geração de homens e mulheres que se assumem como pessoas, não titeres da sociedade. Parece exagero, mas do jeito que as pessoas vão nos conduzindo com suas perguntinhas sobre a vida da gente, parecemos marionetes. -”Quando vai casar? Quando vai ter filhos? E o segundo?”
Eu tenho dois e agora me perguntam:
-”Ah, não vai mesmo tentar uma menininha?”
Puxa, quem merece?! Eu tenho certeza de que não mereço!
Lembro de uma vez que jantava com uns amigos que não tem filhos (embora tenham uma relação ótima, estável e longa) e outro casal (tb na época sem filhos) lhes perguntava: não tem filhos? E cachorro? E gato? E passarinho?… Minha amiga respondeu: tenho sobrinhos! E ela é uma excelente mãe teórica, aliás, os dois são pais teóricos maravilhosos. Mas adoram viajar por semanas direto, são apaixonados pelo trabalho, estão sempre estudando e têm uma casa tão organizada para suas coisas pessoais que não caberia um quarto de bebê. No entanto, jamais saíram com meus filhos sem colocá-los no banco de trás com cinto de segurança adequado ao tamanho deles. Quer gente mais responsável?
Deve ser este senso de responsabilidade e de seus próprios limites que faz algumas pessoas maravilhosas optarem por não ter filhos. É bem duro admitir que é preciso dom para ser mãe; eu admiti tarde, depois de passar a vida achando que tinha nascido para isto. Agora sei que não nasci, mas ainda assim amo esta opção (sim, escolha) que fiz.
A obra da feminista francesa Elizabeth Badinter de que falei acima é L’Amour em plus (Um amor conquistado – o mito do amor materno). Para ela, que é mãe e avó, a mulher deve sempre se perguntar se realmente quer ser mãe e em que condições. Ela diz:
E discute o mito do amor materno, tido como natural mas por ela comprovado (em pesquisas sobre gestação e aleitamento nos séculos passados) como mais um fruto de convivência do que um instinto natural! Por isso homens e mulheres podem ser bons nisto, igualmente. E por isso hoje, por conquistarem o direito de ser, alguns optam por não ser pais. Nada mais justo, não é verdade?
Outras estréias do desabafo que valeram muito a pena e das quais tenho certo orgulho de mãe coruja são a Aline Dexheimer, do RS, que com seu texto As três pipas do vovô deixou todo mundo com saudade dos avós, e Simone Zelner, do PR, que foi campeã de comentários e acessos no portal com seu texto Autismo não é sinônimo de frieza e falta de carinho, em que conta do comportamento amoroso do Gabriel, 5 anos, meu companheiro de dia de aniversário que vou conhecer em Curitiba no carnaval. Quer mais? O emocionante texto da Emanuelle Albuquerque, do RN, chamado Como nossos pais e a divertida narrativa de Valeria Leandro, do PR, sobre sua rotina em Nasci para ser mãe, não para ficar em casa.
Obs: em 28/02/2006 o comentário que a Andréa deixou aqui virou desabafo.
A mídia educa?
TV February 8th, 2007

Há tempos não tenho escrito especificamente aqui, mas faço muitos comentarios por aí (risos). Hoje escrevi num forum da comunidade Temos Meninos e os Amamos sobre os Power Rangers. E os defendi! (Minha amiga Jija ia pirar ao ler este post!) Na verdade, há tempos penso em escrever um desabafo sobre os herois que os meninos tanto amam.
Lá eu contei que eu também proíbia os meninos de assistirem Power. Mas em 2005 reprisou desde o começo na Globo e eu vi com eles todos os episódios de uma das séries, tenho o compromisso de ver tudo antes de liberar, mesmo os lançamentos do Discovery Kids eu faço assim. E assistindo notei que não tem nada de tão grave, ao contrário, realmente é até educativo e eles se identificam mesmo com o mocinho que vence o mal. O bem contra o mal é uma luta universal e acho que até os personagens biblicos brincavam de lutas imaginárias quando eram crianças – no controvertido livro Operação Cavalo de Tróia há comentários de que Jesus entalhava soldadinhos com as aparas de madeira de José para brincar de guerras com os irmãos. É importante saber que o bem vence o mal… oauvi isto outro dia num episódio do seriado Seventh Heaven, que eu redescobri há algumas semanas nas manhãs de sábado (9h) na Sony. Eu via este seriado, como Beverly Hills 90210 e Touched by an angel com minhas irmãs e minha mãe quando era solteira! Pois no seriado agora a familia tem dois gêmeos, meninos da idade do Enzo, que adoram brincar de guerra com o avô (pai do pastor) que é coronel (reformado). Pai e filho brigam por conta da mania de luta do avô e o coronel fala: eu brincava disto com vc e assim vc aprendeu que o bem vence o mal. É importante para as crianças experimentar e comprovar que o bem vence o mal, lhes dá força.
Mas se as crianças lutam com amiguinhos de forma desmedida, os pais devem avaliar o que pode estar acontecendo na interioridade desta criança. Meus dois brincam muito de tudo e, apesar de às vezes eu ter que apartar umas briguinhas, não é nada grave e acho que os heróis não afetam tanto.
As questões de preconceito, consumismo e a necessidade de ser popular para não ser excluido que aparecem nos desenhos do Disney Channel e alguns do Nickelodeon me parecem coisas mais graves para a formação do carater!









