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Feb
23

Na cozinha ou na sala?

Estou aqui conversando com a Aline sobre os desabafos virtuais de mãe como as antigas conversas na cozinha. Explicando que eu adoro conversa de cozinha, adoro cozinhar, quem vem na minha casa fica na minha cozinha horas. Creio que seja porque eu tenho duas irmãs, fui criada com duas avós, tias, em algumas ocasiões era meio como aquela cozinha do filme A walk in the clouds, em que todo mundo dá palpite, sei lá, um mundo à parte.

Para me ajudar, meu marido ama cozinhar, é metido a gourmet, é um momento que compartilhamos com os meninos no final de semana, fazendo longas refeições, bem dentro do espírito slow food. Percebo que mesmo que a gente esteja discordando de um tema ou eu esteja com TPM, por exemplo, é começar a preparar uma refeição e entramos numa sintonia, simbiose que afina tudo. (Esta simbiose completa 11 anos oficiais depois de amanhã, nosso aniversário de casamento.)
Então eu acredito que na cozinha se confessa, se confabula, se filosofa muito, tudo com uma liberdade e sem cerimonia que o sofá da sala não permite.

Mas foi na sala de TV da casa dos meus pais que passei horas bem agradáveis com minha irmã neste carnaval, dando a ela aulas de costura em doses homeopáticas, copiando modelos de roupas de uma para outra e nos divertindo muito. Fizemos cópia de uma camiseta modelo legítimo anos 1980 (moda, um revival delicioso) da nossa mãe para nós três!

Meu cunhado ficou com o Enzo e o Giorgio, tentanto ver desenhos com eles no sofá ao lado da máquina singer barulhenta que apoiamos na escrivaninha da nossa infância. Imaginam a cena?Em tempo: hoje, 23 de fevereiro, é aniversário de 35 anos do meu amor!

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Feb
23

Justiça e quadrinhos

Quadrinhos? Não sei, hoje eles estão por aí, na TV, em desenhos ou no horário nobre da TV paga. Aqui na minha casa eles também estão nos albuns de figurinhas, nos bonecos dos personagens, nas camisetas, nas brincadeiras e nas conversas. Nas conversas, pasmem, com a mãe, que é fanática por herois e quadrinhos e seriados (vi tanto As aventuras de Louis and Clark que sei decor) e dos tios.
Passei o feriado nos meus pais e lá encontrei minhas irmãs e cunhados… no primeiro jantar juntos estávamos nós, todos animados e falando alto, relembrando do episódio de Smallville em que os fundadores da Liga da Justiça agem juntos pela primeira vez. Eu vi na companhia do Enzo e do Giorgio, jantamos em frente à TV, quase sem respirar para não perder nada! Mesmo legendado, pois o seriado passa às 21h das terças-feiras, meus filhos acompanharam comigo! E foi uma delícia ver depois como esta mania é familiar e como ela nos une, cria laços, amizade, faz nossa própria liga, “a league of our own”… e viva superman, arqueiro verde, flash, aquaman e ciborg.

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Feb
22

Jornada do herói é o foco do grupo Cincoincena

Entrevista que fiz com o Cincoincena e foi publicada no Desabafo de Mãe.

Jornada do herói é o foco do grupo Cincoincena

21 de fevereiro de 2007

Samantha Shiraishi, mãe de Enzo e Giorgio

São Paulo, SP - Em seu mais recente trabalho infantil, o grupo Cincoincena conseguiu uma proeza que considero fantástica: transpor para o teatro alguns dos memoráveis personagens da deliciosa obra poética de Cecília Meireles, o livro Ou Isto Ou Aquilo, na peça teatral O Menino e o Burrinho . Segundo o grupo, o espetáculo surgiu da vontade de falar sobre escolhas. "Quando lembramos do livro entendemos que queríamos contar uma fábula de coragem", explica a diretora Bia Borin. "Cecília começou a escrever quando menina e não parou mais. É uma de nossas maiores poetisas e tinha uma preocupação profunda com as crianças". Trabalhar com poesias, dar-lhes forma no palco, foi um desafio para o grupo, que construiu o texto coletivamente.
Cincoincena é um núcleo da Cooperativa Paulista de Teatro, constituído há nove anos por ex-alunos da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero e da Fac. de Artes Cênicas da ECA-USP. Dentre seus trabalhos, chama atenção um estudo coordenado com a atriz Bia Borin sobre Teatro de Rua, que resultou no auto de natal "A quem buscais?", apresentado em parques, em unidades do Sesc e do CEU, além de participação em mostras e festivais como o de Curitiba.
Conversei com as atrizes depois da peça de teatro e com Bia no dia seguinte, resultando no bate-papo a seguir:

Desabafo de Mãe: Escolher é muito difícil, diz o texto de divulgação do espetáculo. Como foi escolher as histórias de Ou isto ou aquilo para a peça? E por que este livro?

Cincoincena: Este é um livro que marcou nossas infâncias, ainda lembrávamos de várias das poesias da Cecília e então foi natural querer levá-las para o palco. Num primeiro momento, cada uma escolheu as poesias de que mais gostava. Depois, escolhemos como norte da nossa pesquisa dramatúrgica a poesia "O menino azul", porque ela trazia uma história sobre a dificuldade do menino de trilhar seu próprio caminho.

2. Transformar várias poesias, aparentemente desconexas, numa história uníssona é uma tarefa incrível. Que caminho vocês tomaram para escolher, por exemplo, a bailarina e o Chico Bolacha como companheiros de viagem do Menino Azul?

Cincoincena: Desenvolvemos a trajetória do nosso herói, o Menino Azul, e selecionamos poesias que traziam personagens que pudessem interferir nesta história. Para isso, estudamos textos de Aristóteles, Campbell e Christopher Vogler, que nos revelaram a estrutura da jornada do herói mitológico. O Chico Bolacha, por exemplo, representa o falso mentor; a Bailarina, por sua vez, representa o encontro com o amor e a possibilidade da jornada encontrar o seu fim.

3. Não assisti a outros espetáculos da companhia, como a Bicicleta do Condenado e Para ver com o coração. O que eles tem em comum com o Menino e o Burrinho? E com ao público infantil?

Cincoincena: "Para ver com o coração", de Nelson Albissú, era um espetáculo infantil e foi a primeira montagem do grupo voltada a esse público. Contava a história de uma menina que brincava no seu jardim com um amigo de outro mundo. "A Bicicleta do Condenado", de Fernando Arrabal, era uma peça para adultos. A história de um pianista que luta incessantemente para criar sua música também apresentava vários obstáculos. Portanto, o tema da jornada do herói é universal. A forma é que muda. No caso do Cincoincena, sempre procuramos conjugar dramaturgia às áreas da criação teatral. Um ponto importante em "O menino e o burrinho" é a relação com a trilha sonora, por exemplo. Os trechos de Villa-Lobos e Bela Bartók complementam as ações das personagens e ajudam a criar a atmosfera sugerida pelas poesias.

4. Notei que as crianças se encantaram com a sonoplastia sendo feita ali, à sua vista. É uma característica do trabalho de vocês? Que expectativas vocês tinham sobre a reação dos pequenos quando planejaram esta exposição?

Cincoincena: É uma característica desde o Auto de Natal, nosso trabalho com Teatro de Rua. Em "O Menino e o Burrinho", o Andarilho sobe no palco e inventa sons e histórias com o que encontra e carrega consigo. Observa o que está à sua volta, assim como faz a poesia de Cecília Meireles. Cria um universo mágico com objetos simples, assim como qualquer criança que encontra numa bacia um mundo de possibilidades imaginativas.

5. A criança deve ir ao teatro com os pais ou com a escola? Há diferenças nas apresentações para estes públicos? E quanto ao teatro de rua, como do no auto de natal "A quem buscais"? Como as crianças reagem no ambiente aberto?

Cincoincena: São experiências bem diferentes e importantes. Com a escola, existe uma liberdade diferenciada, que é a de mesclar-se a um grupo e ser não somente um indivíduo, mas parte de um todo. Torna-se necessário um pacto desse coletivo: se esse grupo não quiser que a peça aconteça, é fácil. Mas, geralmente, existe um respeito grande pelos atores e os espetáculos acontecem lindamente. Nesta vivência é importante frisar o papel do professor que, preferencialmente, prepara o aluno para assistir a peça, dando-lhe embasamento intelectual. O trabalho antes e depois do espetáculo aprofunda a relação com os temas abordados e com o papel cívico do Teatro.
A experiência da criança ir ao teatro com os pais viabiliza o aprofundamento dessa relação, pois ambos vivenciam o mesmo acontecimento. E existe também o fato dos pais levarem a criança a um evento social e, portanto, ensiná-los as "regras" sociais: como ir ao teatro? Onde estacionar? Dar dinheiro pro guardador de carros? Onde é a bilheteria? Quantos ingressos? Onde esperar? Onde eu jogo o saco de pipoca? Onde é a fila? Pais e filhos se divertem, mergulham no jogo, e saem do Teatro companheiros, marujos da mesma viagem.
Já no Teatro de Rua, existe o indivíduo, um coletivo e o espaço público. Na rua, todos os indivíduos são iguais. Executivos e mendigos ocupam o mesmo espaço e representam o mesmo papel: a platéia. Apresentamos, por exemplo, a peça "A quem buscais?" no Parque Villa Lobos. Era incrível como as crianças e adultos interagiam com o espetáculo, faziam silêncio e nos respeitavam. Todos, atores e público, estavam no mesmo jogo: por ser um espaço aberto, é difícil falar e escutar. Portanto, cada um fazia a sua parte. Quanto às interferências negativas, apenas não dávamos foco aos engraçadinhos e eles acabavam se cansando! Temos que nos fortalecer em cena com quem está atento e jogando junto!

6. A linguagem clownesca é o que aproxima Íris das crianças? Meu filho caçula ficou absolutamente encantado com a proximidade dela na fila, à espera do inicio do espetáculo. E o mais velho não foi embora sem uma conversa e um autógrafo. Como você sente que as crianças reagem a esta "intimidade"? É uma troca?

Cincoincena: A ligação não é direta, mas já trabalhei bastante com essa linguagem e percebo que a referência é inevitável. O palhaço deve estar sempre permeável e livre para interagir. O Andarilho passa por um teatro e resolve entrar para assistir ao espetáculo, o que ele quer é entrar na sala para ver uma peça pela primeira vez, o que vai fazer para conseguir vai depender do que acontecer na fila. A reação das crianças é que determina como ele precisa agir, às vezes ajudam ele a se esconder, vão junto com ele na bilheteria para tentar consegui um ingresso ou até mesmo dividem seu convite com ele. É uma troca direta e muito especial.

7. Notei que a Lívia tem experiência no ensino de teatro, com a AABB e nas escolas públicas. Qual a importância que você vê no ensino de teatro para crianças de diferentes classes sociais?

Cincoincena: Eu vejo importância no ensino de teatro para crianças de um modo geral. Criança embarca facilmente na viagem do teatro, usando a imaginação, usando todos os recursos disponíveis com a ajuda da criatividade. Mas, às vezes, é preciso lembrá-las que a regra é brincar, é inventar e não copiar um modelo pronto que seja "o certo". A influência da televisão e dos filmes de ação se faz muito presente hoje, independentemente da classe social: na linguagem, na estrutura das histórias, na estética mesmo. Então, procuro sempre encaminhar as aulas no rumo do que é realmente importante para elas, no que toca o cotidiano dessas crianças, do que está no imaginário, na cabeça e no coração delas, no que elas podem criar - em grupo e com propriedade. Elas podem descobrir que um guarda-chuva pode ser um remo mas, ao mesmo tempo, podem descobrir tanta coisa que nem tem a ver com o teatro!… Que a gente tem acesso a um montão de histórias se souber ler; que o pai ou a avó tem umas músicas bacanas para ensinar, se a gente quiser ouvir; que chegar a um acordo em grupo é difícil, mas, quando acontece, é muito legal; que a gente pode ver o mundo com olhos diferentes…tanta coisa!

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Feb
20

COMO É BOM TER FAMÍLIA!!!!

Ontem foi aniversário de 19 anos do falecimento de minha avó Maria, uma pessoa de quem sinto uma falta imensa (imensurável, na verdade) e cuja presença permanece no meu dia-a-dia. Ao me dar conta de quanto tempo passou, eu até me surpreendi, porque para mim não parece.

Também, para bênção de toda família, comemoramos nesta data o aniversário da minha prima mais nova, Lê, filha da Sheila -nunca chamei a Shê de tia, porque tem praticamente a minha idade. A Lê fez 16 anos e tivemos um churrasco em familia lá no clube da Lagoa, onde eu brinquei de criança… que legal.
Mais engraçado é que a aniversariante me chamava de tia quando era pequena, porque ela já me conheceu namorando o Gui (começamos a namorar quando ela era bebêzinha) e ela achava que a gente era um casal, como tios. Com o irmão Vitor, ela foi nosso test drive como pais e também foram nossos “padrinhos de aliança” no casamento, lindos! Lembro ainda dos dois discutindo no altar porque, na lógica da Lê com 5 aninhos, a aliança menor tinha que ser da tia Samanthinha (e eles devem entregar trocado, para a gente dar um ao outro), mas ela não aceitava e discutia com o irmão! Muitos risos e lembranças maravilhosas, não?

Adorei conhecer o namorado, o noivo e a namorada que estão pleiteando entrar na parte da familia que ainda mora em Ponta Grossa, onde os Faria Hofmann moraram sempre. Por mim os novos membros foram todos aprovados (gargalhadas… será que opinião de sobrinha e prima mais velha conta alguma coisa?!!!).
Como é bom ter família!

Feb
17

Um guia para o irmão mais velho

A chegada de um novo bebê na família sempre traz novidades e nos força a uma reacomodação dos papéis. Se acontece de nascer mais de um bebê, então vira uma revolução. A gente até pensa naquela velha pergunta sobre bebês: tem manual?
Eu descobri um guia, mas voltado para orientar o irmão e a irmã mais velhos. Precisei dele para explicar a chegada de novas sobrinhas em 2007. Não imaginava, mas a chegada delas na família teve um efeito inesperado no meu filho caçula, Giorgio. Ele começou a fazer aquelas perguntas sobre bebês que acometem as crianças quando vão ganhar irmãos. Ainda bem que ele não pediu uma irmã porque já consideramos a “fábrica fechada”.
Um dos bebês será a irmã mais nova da nossa afilhada, Dora, que faz quatro anos em março.Temos pouco contato, infelizmente e contrariando todos os meus sonhos de madrinha, mas ela está presente nos meus pensamentos, sempre. Então, quando vi o lançamento do livro Um Novo Bebê Está Chegando – Um Guia para o Irmão e a Irmã Mais Velhos, de Emily Menendez-Aponte, eu pensei imediatamente na minha bonequinha.
Lembrei do quanto nós trabalhamos a chegada do Giorgio e dela com o Enzo, na época com dois anos e perdendo de uma vez por todas o trono de irmão-sobrinho-neto único. Claro, hoje a Dorinha é mais velha que ele na época, tem mais chances de absorver bem as informações e é uma menina muito cordata. Mas vai passar pela crise de forma parecida com o Enzo porque há poucos dias nasceu a Alice, outra prima deles, de outro tio (Padrinho do Enzo, o que também aumentou o drama aqui em casa, porque Enzo ficou com um pouco de ciúme) e ela já deixou de ser a única na casa dos avós.
A Chegada do Bebê
Aliás, quando o Enzo viveu esta fase, minha sogra, a vovó Sônia, que é pedagoga, nos presenteou com um livrinho bem legal chamado A Chegada do Bebê, de Beth Robbins, que contava uma estoria de uma família de gatinhos. Para os dois aninhos dele, foi excelente, porque ele se identificou com os personagens.
No livro de Emily Menendez-Aponte, a autora traça realmente um guia prático para a criança compreender a chegada do bebê, com um prefácio aos pais e professores. Os desenhos são especialmente voltados para as crianças, mostrando situações relacionadas à chegada do novo membro da família nas quais a(o) irmã(o) se sente excluído, como o chá de bebê (que eu preferi até não fazer, com receio disto), as ecografias e arrumação do novo quarto.
Lembro que a pediatra que nos atendia na época falava que para a criança a gravidez demora muito e que Enzo reagiria conforme as fases. No início, com a noticia, e no final, com a constatação da barriga grande, dos movimentos do bebê e das mudanças em casa. Uma das atitudes que tomamos foi deixá-lo participar das nossas escolhas, do enxoval, do nome, enfim, ensinando que o maninho seria um “presente de Deus”, como ele foi para nós.
Vejo que quatro anos atrás seguimos alguns passos do livro, neste esquema de participação, mostrando fotos e filmes dele bebê (comparávamos as ecografias para ele se ver também) e meu marido fez questão de ficar com ele em casa quando fui para maternidade. Ele contou também muito com a madrinha e todos tios, sentindo-se bem quisto e importante por ser o mais velho.
Este livro-guia fala também das visitas e presentes do bebê – que na época nós nem lembramos que trariam certo desconforto para o Enzo- e é interessante por mostrar para a criança que o bebê vai crescer e ser um companheiro de brincadeiras, falar que a criança pode ajudar os pais com o irmão e que não tem nada errado em se irritar porque o bebê faz barulho demais!

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17

Novos bebês e nova realidade

Chegamos ontem para uma semana longa na casa dos meus pais, aproveitando o feriado de carnaval. Viemos sozinhos, meu amor foi pescar, aproveitar ele também sua folga da rotina de metrópole numa pousadinha ribeirinha. Viajar só com os meninos, presenciar seu comportamento no aeroporto, na chegada, na convivência familiar aqui, enfim, tudo me faz confirmar como eles amadureceram, que não tenho mais bebês, que vivemos uma nova realidade.
Hoje logo cedo Gui já me ligou para saber do pai. Meu sogro se submete a exames cardíacos há algumas semanas e o filho mais velho tem procurado acompanhar tudo, daquele jeito reservado e amoroso dele. O nome do meu marido significa aquele que protege e ele faz jus ao nome. Foi tudo bem no exame, como me contou minha irmã, cardiologista e justamente do hospital onde foi realizado o exame. Enfim, uma nova realidade também para eles, mas com um prognóstico mais leve do que esperavam.
A realidade inclui as sobrinhas do Gui, que eu nem chamo de minhas… não sei se um dia acostumarei, pois não tenho as minhas e as crianças amigas dos meus filhos não me chamam de tia. Engraçado, né? Mas trouxe presente, de madrinha, não de tia. Conto sobre o livro presente num dos meus desabafos desta semana, que posto a seguir.

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13

The pursuit of happYness

Os repetitivos traillers e reportagens na TV a cabo quase tinham me convencido a ir assistir o filme A procura da felicidade , com Will Smith e Jaden Cristopher Smith, mas ainda não sabia se valeria o esforço (e o gasto) de fazer um programa familiar no cinema. Em geral, eu espero os filmes sairem em DVD e alugo, para evitar todo o transtorno de levar os meninos ou de pensar em quem ficará com eles para irmos sozinhos. Mas minha irmã e meu cunhado foram ver na estréia e o e-mail entusiasmado dela nos convenceu a arriscar um filme com legendas com meninos que não lêem bem ainda.
Uma das primeiras cenas é o personagem principal contando que a procura da felicidade foi prevista há muito tempo como um dos direitos constitucionais do cidadão americano. Em nome da sanidade e da sobrevivência, é preciso acreditar neste direito . Até nossa ida ao cinema, domingo, pela primeira com Enzo e Giorgio para ver um filme que não era desenho e mesmo sendo censura livre não era infantil, foi uma busca assim, de algo melhor, algo além da luta para abastecer a casa, pagar escola, ter uma boa moradia, um carro confortável. Era a busca por uma vida completa.
Quando minha irmã falou que não houve uma pessoa no cinema que não tenha chorado, achei um exagero. Mas não era. É impossível não se identificar, em algum ou em vários pontos , com o momento de vida que o pai Cris Gardner passa com seu filho. Há a busca dele por uma vida melhor, é o mot do filme, mas em especial há o amor entre pai e filho (mais real ainda porque Will contracena com seu próprio filho) e no nosso caso a identificação com a época. Quem não sai correndo e tem que fazer em 6 horas o que os outros fazem em 9 porque precisa buscar o filho na escola? E quem não desanima ao saber que no horário de aulas da escola seu filho assiste TV?

A contextualização é muito boa e nos remete a 1981, quando eu tinha 8 anos, três mais que o menino da história. Como não se ver naquela vida? Como pai/mãe ou como filho, somos levados a pensar nas nossas próprias oportunidades, na nossa eventual ingratidão ou capacidade de aproveitá-las, naquilo que realmente queremos e que importa em nosso cotidiano e na nossa busca de um futuro melhor.

Mas, calma, o filme não é só reflexão. Tem bons atores, indicações a prêmios e é uma ótima produção de Hollywood. Mas não é exatamente um típico filme americano: Smith conseguiu ser mais humano que os blockbusters e encontrou o ponto certo de equilíbrio na história do homem que faz o impossível em busca da felicidade sem deixar de viver a felicidade de cada dia ao lado do filho . Numa das passagens mais lindas, que lembra A vida é Bela, de Roberto Benini , eles são obrigados a dormir no banheiro do metrô para não ficar na rua e o pai faz o menino imaginar que está entre dinossauros, numa floresta, procurando refúgio e o banheiro se torna a caverna deles.

Curiosidade do filme: o título em inglês, The Pursuit of HappY ness , está grafado propositalmente assim, com Y, porque remete a uma palavra que está na porta da “escolinha” na qual a criança estuda, em Chinatown, e que incomoda profundamente o personagem principal.

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13

Para rir!

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Feb
11

Ano Novo Chinês na Liberdade

Enzo e Giorgio viram de camarote os festejos do Ano Novo Chinês, hoje, na Liberdade. Até que a mãe ir ao trabalho no sábado tem suas compensações!

Mas tínhamos um teatro para ver e não conseguimos sair da muvuca em tempo! Que pena!

P.S. O teatro era O Menino e o Burrinho, fomos na semana seguinte e fiz texto para o Desabafo:

O Menino e o Burrinho
Ponto positivo: a chegada do “andarilho” ao teatro e sua interação com as crianças até o início da peça

Ponto negativo: a superlotação na estréia, que fez muita gente ficar sem entradas, inclusive nós.

Local: a sala não é muito grande e as cadeiras são confortáveis, com certo “balanço” que ajudou as crianças a ficarem nos seus lugares. Vi crianças que insistiam em passear ou deitar no chão e havia espaço para elas nas escadas laterais.

Confesso que já fomos ao teatro com expectativa positiva, pois meus filhos adoram o livro “Ou Isto Ou Aquilo”, de Cecília Meireles desde bebês - poesia combina com bebês, porque é sonora. E encanta os que estão em fase de alfabetização, como Enzo e Giorgio, que já compreendem as rimas.

Chico Bolacha, um dos personagens pinçados pelo grupo CincoInCena para compor a história do menino que busca um burrinho, é um “amigo antigo” do Enzo, do qual falamos sempre que chove muito e tudo vira um charco. Ou quando perdemos alguma coisa, porque “na Chácara do Chico Bolacha, o que se procura, nada se acha”. Na peça há também a menina bailarina, que o Menino encontra numa ponte e que quase o faz desistir de sua jornada. Personagens lindos e encantadores, que envolveram e causaram muita empatia nas crianças.

O tema é tratado pelo grupo como uma seqüência de escolhas do menino, que é um menino estranho porque vive com a cara virada para uma parede sonhando com um burrinho:

“Um burrinho para passear,
um burrinho manso
que não corra nem pule
mas que saiba conversar.”

Ele resolve sair em busca do seu burrinho, navegando num rio, e neste caminho encontra situações que o fazem aprender e viver, deixando para trás caminhos antigos. Até as crianças já deixaram para trás etapas e escolhas que lhes pareciam sérias, como escolher entre a futura profissão de lixeiro e de astronauta, ver desenho animado ou ir ao parquinho, comprar sorvete ou chocolate, e sabem que tudo traz conseqüências.

O ponto alto do espetáculo é a grande participação do público, que já começa antes de entrarmos na Sala Paulo Emilio Salles Gomes no Centro Cultural São Paulo. Para Giorgio foi delicioso interagir com o Andarilho (interpretado pela atriz Íris Yasbek) que chegava com uma mala com cara de cachorro e conversava com todos, querendo entrar no teatro sem pagar! E a interação continuou, pois ele foi uma das muitas crianças que falavam espontaneamente com os atores, aquelas tiradas em alto e bom som que fazem toda platéia rir, como “mas este menino é uma mulher” (referindo-se à atriz Lívia Lisboa, que interpretava o Menino, entre outros personagens, pois ela e Íris trocavam de papéis). O legal é que a peça foi concebida assim mesmo, com eles interagindo.

As crianças também apreciaram o uso de bacias metálicas para compor o rio e, com sementes que caiam nelas, fazer parte da sonoplastia da chuva. Enzo e Giorgio imediatamente sacaram e copiaram o modelo para suas brincadeiras domésticas. Assim, música e ritmo produzido com os objetos e os adereços se somam aos jogos sonoros das palavras dos poemas de Cecília e luz e sombra dão contorno aos personagens e histórias, que em parte é contada em desenhos que transparece nas sombras. Meus pequenos desenhistas amaram e senti que outras crianças também.

Como em toda experiência cultural com crianças, acho importante o embasamento teórico antes do passeio, se for possível programá-lo com antecedência. E neste caso, vale duplamente, porque o livro no qual a peça se baseia é fantástico.

Para antes ou depois: O legal do Centro Cultural é mesmo a espera ou os momentos depois da experiência cultural (não é só teatro: tem cinema, exposições, shows e gibiteca lá) podemos passear, pois há muito espaço seguro para as crianças passearem, correrem e os lanches são ótimos.


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09

Peter Pan e a alegria de viver

Hoje me deparei com um texto da Patricia Konishi, uma professora que eu não conheço e é colaboradora do Desabafo, Uma mãe com síndrome de Peter Pan. Achei engraçado o título, me remeteu imediatamente àqueles livros célebres da década de 1980 de Dan Kiley da Sindrome de Peter Pan e Complexo de Cinderela … na verdade Patricia falava sobre o tempo de brincar e ser criança com a filha e da sensação doída de que ela está crescendo.
Sempre invejei as mães que conseguem brincar com os filhos como se fossem iguais a eles. Minha sogra, que é pedagoga, também consegue esta proeza de deixar no chão e se esconder sob a escada com os netos. Acho lindo, mas não tenho esta habilidade, naturalidade, vontade, sei lá. Algo me falta.
Mas eu sinto a mesma coisa que ela e muitos pais quando tenho “sinais dos tempos”: um dentinho que caiu, a bicicleta que mudou de aro, a piscina grande do clube que agora dá pé... dá uma sensação de que o tempo passou e não aproveitei tudo, mesmo tendo certeza de que eu estava lá, o tempo todo (porque graças a Deus eu tenho estado). Queria que durasse mais, eu tb às vezes queria estar no meio dos meninos perdidos.
Infelizmente, acho que tenho Síndrome de Jane - a continuação do desenho animado da Disney sobre Peter Pan conta que o Capitão Gancho volta a Londres e seqüestra a filha de Wendy por engano. Ela é uma menina que perdeu a infância por conta da guerra (2a guerra mundial) na qual seu pai luta. Ela acaba com os meninos perdidos e depois de muito esforço dele, a mini-adulta recupera a infância e se torna a Primeira Menina Perdida.

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