Arquivo: October 17th, 2006

Encho a boca para falar meus filhos

Postado em from posterous no dia 17/10/2006

Uma ex-colega da faculdade de comunicação teve gêmeas. Alguns dias após o nascimento das meninas, ela me manda a seguinte frase via messenger:”hora de mamar, hora de trocar, hora de levar na escola… ufa!” Lembrei imediatamente da minha experiência com esta fase. Que loucura e que cansaço!

Quando soubemos da gravidez do Giorgio, hoje com quatro anos, o Enzo tinha um ano e nove meses e ainda mamava no peito. Foi uma loucura, deixou tudo de cabeça para baixo, como, aliás, noto que acontece muitas vezes com os segundos bebês das famílias.

Porque mesmo que eles sejam programados, como foram no caso da minha ex-colega (eles já tinham um, queriam o segundo), pode acontecer um imprevisto. No nosso caso sempre quisemos mais de um filho, era um assunto que nem discutíamos porque era “ponto pacífico”. Mas aumentar a família é algo que a gente precisa pensar bem antes de colocar em prática. Na teoria, antes que tenhamos filhos, é um cenário. Na prática, ter uma criancinha inserida na rotina diária do casal, é outro.

Mas tudo bem. Vencemos o desafio de sermos três, acostumamos a praticamente nunca mais ficar sós e mesmo quando estávamos sós, sentir a presença do terceiro o tempo todo. E foi natural passar a colocar toda força vital na felicidade e bem-estar daquele serzinho. E, de repente, vem o outro, que será o quarto.

Na minha cabeça passaram mil coisas quando eu engravidei do Gio. Não queria em hipótese alguma que o bebê sentisse que estava dividida, que a nova gravidez protelaria meus planos de retomada profissional, que eu não sabia onde e como ia colocá-lo no apartamento, que eu já tinha dado todos os objetos de bebê porque não planejava outro para “tão cedo”. Mas principalmente eu não queria que o Enzo sentisse que a vinda do irmão mudaria meu amor e meu tempo para ele, queria minimizar as experiências de perda que, no caso dele começaram já por literalmente “perder o peito”. (Para me ajudar, ele demorou dois anos depois disto para voltar a tomar leite)

Não vou dizer que foi super pesado emocionalmente, porque não foi. O amor pelo Giorgio foi surgindo, meus receios foram diminuindo ao mesmo tempo em que o cansaço físico aumentava. Ao contrário da primeira gestação, precisei parar de verdade, o bebê encaixou e quase nasceu com 30 semanas, descansei forçada por oito semanas e meia para segurar o apressadinho. Confesso que até o parto eu ainda pensava, temerosa, se ele seria tão bonitinho quanto o Enzo, tão inteligente, se eu conseguiria amar de modo tão incondicional outra pessoa, enfim, se seria a mesma coisa.

Não foi. Foi melhor. Olhei para aquela carinha magrinha de bebê levemente prematuro e falei o que vinha no coração, com uma intensidade que na primeira vez eu não tinha sentido: “meu filho, vem para perto da mamãe”. Assim, simples, o amor surgiu imenso e nos uniu de forma indelével até hoje, uma ligação que ele compartilha com o irmão. Não posso imaginar a vida do Enzo sem o Giorgio. Nem a minha. E encho a boca para falar “Meus Filhos”, sim, eu tenho dois!

Carros que são gente como a gente

Postado em from posterous no dia 17/10/2006

Alguns filmes nos marcam para sempre. Estou percebendo que os da parceria Disney Pixar fazem parte deste seleto grupo. Ao ver no cinema as chamadas para Carros, o novo filme da Pixar, tanto eu quanto meus filhos Enzo e Giorgio ficamos empolgadíssimos. Nem importava o tema, pois sabíamos que seria um filme lindo.

Bem, já foi engraçado antes da sessão começar. Fomos à matinê de sábado, onze horas da manhã, e surpresa: a platéia estava lotada de pais e mães, animados, de várias faixas etárias. Inclusive, pasmem, muitos adolescentes na companhia do pai e da mãe, coisa que eu nem sabia que acontecia. E muitas criancinhas pequenas naquele linguajar típico:

“Mamãe, o brum brum, calo”…

Ao que o Giorgio, atualmente na fase de “palmatória do mundo”, respondia:

“Não é calo, é carro”

Enfim, ele desistiu e aceitou ficar quieto no cinema, afinal, já tinha três anos e meio! Giorgio não se encantou muito com o filme no começo, mais interessante para o Enzo, que aos seis anos gosta de competições (o filme começa numa corrida), mas ambos se renderam aos moradores da bucólica Radiator Springs. Na nossa família, fora o Relâmpago, as crianças se encantaram com o caipira Mate (“Tow” – alusão ao fato de ele ser um guincho – “Mate”, companheiro, colega) e o caricato Luigi, dono da loja de pneus Ferrari. Tenho grande curiosidade por saber se as meninas que viram o filme se identificaram com as femininas Flo (dona do posto) e Sally (Porsche azul, namorada do Relâmpago).

Como aqui em casa tudo que é de menina “é da mamãe”, eu ganhei as duas quando lanchamos após o filme –nem preciso contar em que lanchonete havia réplicas perfeitas dos personagens como brindes dos lanches.

Super divulgação: Apesar das muitas matérias que jornais e revistas publicaram contando a história do filme e as declarações de John Lasseter (diretor) sobre o fato de Relâmpago McQueen ser inspirado em sua própria vida pregressa como workahoolic e pouco atento à convivência familiar, eu não esperava tanto de Carros. Quer dizer, entrei lá certa de que seria tão bom quanto Toy Story, Monstros S.A., Vida de Inseto, Procurando Nemo, os outros sucessos da parceria Disney Pixar. E saí certa que é um “filme com F maiúsculo”, não um filme infantil, mas uma linda história na qual todos podemos nos espelhar e da qual tiramos muitos conceitos e conselhos. Tanto que a gente esquece das falhas do filme e da impossibilidade de existir um mundo só de carros. É o filme mais fora da realidade da Pixar, ao mesmo tempo em que é o mais real de todos, por nos colocar diante de conflitos pelos quais passamos.

Qual é a história: Relâmpago McQueen é um carro de corridas ambicioso, que já em sua primeira temporada na Copa Pistão torna-se um astro. Ele sonha em se tornar o primeiro estreante a vencer o campeonato, o que possibilitaria que assinasse um patrocínio com a cobiçada Dinoco. A fama faz com que Relâmpago acredite que não precisa da ajuda de ninguém, sendo uma “equipe de um carro só”. Mas ele se perde quando é levado para a corrida que decidirá o título, o que o faz conhecer uma cidade do interior totalmente diferente do seu estilo de vida. Radiator Springs tem pouquíssimo movimento e a cidade jamais ouviu falar de Relâmpago ou até mesmo da Copa Pistão. Porém, por ter destruído a principal rua da cidade, Relâmpago é condenado a reasfaltá-la. Obrigado a permanecer na cidade contra a sua vontade, aos poucos ele conhece os habitantes locais e começa a se afeiçoar por eles, mudando seus próprios conceitos e valores.

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