Feliz dia das bruxas…
mãe com filhos October 31st, 2006
Feliz dia das bruxas…
não acredito nelas, mas… andei lendo e descobri que pelo menos nas historinhas infantis elas são bem saudáveis.
Mamãe você parece uma bruxa!
A difícil relação dos primeiros ódios, dilemas e conflitos dos nossos filhos
“Mamãe você parece uma bruxa!” Outro dia escutei isso dos meus filhos porque eu estava pegando no pé deles. Disseram que sou a bruxa da limpeza do quarto, que só pensa em arrumar os brinquedos. Como é que, de repente, a gente passa a ser bruxa para o filho da gente?
Ô pergunta difícil de responder! Afinal quem quer ser a Madastra da Branca de Neve mesmo sendo ela (quase) a mais bela? Que dirá então ser a feia e solteirona Bruxa Onilda, tia que manda as Trigêmeas para dentro dos contos de fadas! Eu queria ser sempre a Princesa dos Power Rangers e não a bruxa malvada dos megazords. Mas as bruxas têm um papel importante no desenvolvimento psicológico do ser humano.
Descobri num artigo muito interessante em que a autora, Cristiane Madanêlo de Oliveira, cita Carl Jung e Jean-Yves Leloup, que as bruxas retratam o medo da gente. Elas são quem nos fazem vencer o medo da separação e o medo de ser rejeitado pela sociedade. E o que é melhor: as crianças (e nós também, daí o sucesso de filmes de terror) lutam e vencem contra o mal sem precisar brigar com ninguém amado.
Quando as crianças começam a perceber que não são parte da mãe — e que, coitados, coincidem com a chegada dos dentes, dos alimentos salgados, enfim da fase das descobertas — também começam a sentir medo de perder a mãe, sua garantia de segurança e proteção. Justamente neste peíodo, nós, mães, começamos a dizer “não!” com mais ênfase e, com isso, deixamos de ser só fadas-madrinhas. Podendo odiar a bruxa, a criança não precisa odiar a mãe. O Giorgio é uma prova dessa teoria: depois que a escola apresentou a Cuca, bruxa do Sítio do Picapau Amarelo, durante um mês, a personagem passou a povoar o imaginário dele, que a culpa até da chuva que o proíbe de brincar no parquinho. E eu deixei de ser a chata que não tem tempo de levá-lo ao parque.
————————–Eu te odeio!—————
Mas até acharmos uma Cuca, eu escutei algumas vezes “eu te odeio, você não é mais minha amiga” no período de egocentrismo dele, dos 3 anos. Sofri no começo, mas menos do que quando o Enzo passou por isso, pois já estava preparada e sabia que não era sério, era uma forma do meu filho manifestar suas emoções, porque as crianças pequenas precisam da ajuda da gente até para conseguir entender o que sentem.
Se eles dizem que te odeiam, na verdade te amam muito e estão ressentidos do tempo dispensado ao trabalho ou ao irmãozinho. Ou gostariam que você não fosse a bruxa da arrumação! (risos) Aqui em casa, o Enzo ainda tem alguns chiliques comigo porque às vezes (muito às vezes) eu ganho nos nossos jogos noturnos de super trunfo. Nesta hora ele me compara à Bruxa dos Megazords, que sempre quer ganhar a batalha contra os Power Rangers.
Fazer o que? Vestir o chapéu de bruxa e aceitar que nem sempre dá para ser fada, é ser Ora Fada, Ora Bruxa, como no conto da Sylvia Orthof, outro livro ótimo para falar das bruxas e do papel delas no mundo. Não uma bruxa clássica, como a de João e Maria, que come crianças ou a madrasta que convence o pai a abandoná-las na floresta, sequer a invejosa bruxa que castigou A Bela Adormecida ao sono porque não foi convidada para a festa de batizado dela ou a bruxa-vizinha dos pais de Rapunzel, que tomou a criança recém-nascida da mãe que desejara uma maçã do seu pomar na gravidez. Mas no imaginário infantil talvez eu seja assim.
Quando o Giorgio quebra alguma coisa na cozinha, eu costumo dizer: “sai daqui, tem vidro, machuca”. E ele entra sempre num choro doído falando: “você me mandou embora, mamãe?”, porque eu falei “sai daqui”. Para as crianças da idade dele tudo é exacerbado, uma avalanche de emoções.
Trancando-os na torre
E a figura da bruxa ajuda a vencer estas situações, pois elas fazem coisas que lembram (vagamente) o que a gente faz no dia-a-dia. Algumas trancam as princesas na torre (Rapunzel e A Bela Adormecida, e até a Fiona, do Shrek) ou até submetem os heróis a trabalhos pesados (como Hades com Hércules, a bruxa de João e Maria e a madrasta-bruxa de Cinderela), como eu faço com meus pequenos mandando-os arrumar a bagunça ou ficar de castigo no quarto sem TV “para pensar um pouco”.
Assim, concluí que as bruxas, sejam elas do Power Rangers, das Princesas Disney ou do Harry Potter são uma vitamina a mais, talvez (ô chavão) “um mal necessário”. Mas na atualidade temos que apresentá-las para nossas crianças sem rotular este tipo de personagem como mau ou bom e sim mostrando que ele pode “estar” bom ou mau diante diferenciadas situações que enfrenta e da forma como reage a elas.
Ao se identificar com os heróis (como meus pequenos heróis em casa) ou os vilões, a criança está resolvendo, inconscientemente, sua situação pessoal. Se esta experiência for boa, garantem os especialistas, ela conseguirá enfrentar e superar o medo presente à sua volta e alcançar o equilíbrio na fase adulta. Não é exatamente isto que sonhamos para eles?
Então vamos aos livros para contar estorinhas de bruxas, princesas e heróis.
Amigo estou aqui!
from posterous October 26th, 2006
Hoje acordei cedo como há quatro anos. É engraçado, todo aniversário minha mãe costumava lembrar dos acontecimentos do dia do meu nascimento e vejo que hoje eu faço o mesmo, a cada hora lembrando o que fazia quando do nascimento dos meus filhos. Assim, em maio e outubro tenho dias diferentes na minha rotina. Como eu estava contando: acordei (sem relógio, hein?) às cinco e meia da manhã, nesta primavera que agora resolveu ser quente em São Paulo. Fiz pão de queijo fresquinho para levar na escola do Giorgio, pois acho que brigadeiro às nove da manhã (é a hora do lanche e do parabéns) já é pesado, mas com saldaginho frito, aí é demais. E também, repetindo o exemplo de maternidade que tive, quis fazer tudo eu mesma, para pôr meu amor por meu filhotinho em tudo. Bolo com recheio de doce de leite e cobertura de brigadeiro, docinhos e o pão de queijo. Coisa simples, mas que deixou o Gio bem feliz. Ele, claro, meu petit gourmet, ajudou a preparar muita coisa.
Aí às sete horas Gui acordou, chamou o Giorgio que tinha migrado para nossa cama de madrugada. E ele saiu em disparada para a sala, pois já sabia que lá estaria o presente de aniversário! Estávamos ansiosos, nós três, para ele ver, pois os bonecos do Toy Story que falam em inglês (Gio adora ver filmes em inglês) são a cara dele. Pois ele abriu, ficou feliz, mas foi acordar o irmão mais velho para mostrar. E deu o Buzz de presente para o Enzo! Falamos, em uníssono, “Giorgio, estes presentes são seus”, mas ele insistia que o Buzz era do Enzo e o Woody é que era dele. Quase chorei, nunca vi nada igual. Tem presente maior do que um filho assim?Gui na hora começou a cantarolar a musiquinha do Woody no filme:
“Amigo estou aqui, amigo estou aqui
Se a fase, é ruim e são tantos problemas que não tem fim
Não se esqueça o que ouviu de mim
Amigo estou aqui”
O Enzo é mesmo um cara de sorte. E eu mais ainda por ter estes dois tesouros.
P.S. Por falar em dia do nascimento do Gio, há quatro anos eu entrei em trabalho de parto, depois de um mês e meio de repouso forçado, enquanto assistia ao ultimo debate presidencial! e hoje tem um tb, mas não será tão emocionante, pois a corrida está ganha e a expectativa de mudança já não existe nos nossos corações.
Quem é Meu Amor hoje em dia?
from posterous October 24th, 2006
Ontem estava comentando com minha vizinha que agora aqui em casa quando eu falo “quer mais um pouco, MEU AMOR”, três amores se voltam para mim respondendo. Fico sem jeito e raramente consigo admitir qual dos amores eu estava chamando. Um dia “meu amor” foi exclusividade do Gui, mas ele aceita bem dividir isto e outros carinhos meus com os meninos, até porque ele também os ama com esta intensidade inexplicável. Hoje estava aprovando o pedido de participação para uma comunidade minha do orkut (a do movimento dekassegui) e vi este texto que colo abaixo, creio que seja mesmo do Drummond, cuja obra amo tanto e cujas crônicas (Para Gostar de Ler, quem não leu?) me compeliram à vida através das palavras. Nas poesias dele eu vi muitos dos meus sentimentos pelo Gui no nosso início de namoro e foi tão curioso ler hoje estes conselhos de um velho apaixonado porque eu identifiquei tanto sentimentos meus pelo meu marido quanto pelos meus filhos, os mesmos anseios, os pedidos de perdão, o pensamento ligado neles o tempo todo. Enfim, o conselho deve ser seguido por mães também:
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia a deixem cega para a melhor coisa da vida.
CONSELHOS DE UM VELHO APAIXONADO
(Carlos Drummond de Andrade)
Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.Se o 1º e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Algo do céu te mandou um presente divino : O AMOR.Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e,em troca,receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue- se: vocês foram feitos um pro outro.Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado…Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados…Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite…Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado…Se você tiver a certeza que vai ver a outra envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela…Se você preferir fechar os olhos, antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Às vezes encontram e, por não prestarem atenção nesses sinais, deixam amor passar,sem deixá-lo acontecer verdadeiramente. É o livre-arbítrio.Por isso, preste atenção nos sinais. Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!
A casa monstro
from posterous October 23rd, 2006
Sabem aquela velha história do Velho do Saco? Não sei bem quais nomes este personagem tem nas demais
regiões do Brasil, mas lá no Paraná, onde passei a minha infância, quando alguém queria deixar a gente com medo dizia: “olhe, lá vem o homem do saco”. Quer dizer, quando eu era pequena mesmo, tinha até um velhinho sobre o qual todas as crianças da rua tinham histórias e em cujo quintal (enorme) estavam as melhores árvores frutíferas, sempre, claro, super carregadas. A casa dele era de madeira, acinzentada, e ninguém tinha coragem de bater lá, nem que “aquela bola” do jogo caísse no terreno.
Pois eu lembrei muito destes momentos de infância quando fui assistir no cinema “A Casa Monstro”, novo filme de animação de Steven Spielberg, ainda em cartaz. O velhinho até lembrava levemente meu ex-vizinho na pequena Siqueira Campos, mas não nos traços, pois o personagem do filme parece o mal em pessoa e o “meu” velhinho no fundo era super bonzinho. A impressão que tive do dono da Casa Monstro não era infundada, mas eu nem pensei que a Casa em si fosse viva e tão assustadora.
Fomos ao cinema porque a Himawari, filha de minha amiga Sayuri, falava do filme há semanas. Ela é companheira inseparável dos meus filhos Enzo e Giorgio, então uma sexta-feira à noite as mães foram ao programa “lanche + cinema” no shopping para ver a tal Casa. Li a sinopse, a censura era livre e não tinha fila no caixa: tudo perfeito. Até entrarmos na sala e o filme de fato começar. Foi realmente assustador, em menos de um minuto, Giorgio, 4 anos, e Hima, 5, se escondiam no colo das mães. Enzo tapava os olhos, mas tentava ver, num misto de medo e curiosidade. Agüentamos quinze minutos esta tortura e saímos, sob os protestos do Enzo que, aos seis anos e meio já está numa fase mais próxima deste tipo de entretenimento. Detalhe: nem mesmo quando tinha o Giorgio bebê (nosso primeiro filme no cinema foi Simbad, quando ele tinha 9 meses), nós tínhamos saído antes do filme terminar.
Censura livre
Abandonei a sessão e fiquei pensando: porque será que era censura livre? Tinha que ter algum aviso para os pais de que não era indicado para crianças muito pequenas, pois nem mesmo nos artigos de jornais no lançamento eu imaginei que o filme não seria bom para os meus filhos. Enfim, como a censura mais parte de 10 anos e este filme não soou tão estranho para o Enzo com 6, tive que admitir que a censura teria que ser feita pelo bom senso da mãe.
Agora Sayuri e eu sempre que falamos de cinema dizemos em uníssino: “desde que não seja A Casa Monstro”! Virou uma piada para nós. Mas também ficou um gostinho de quero mais, tenho certeza de que assim que sair em DVD para locação, Enzo e eu vamos pegar para conferir o que não pudemos ver naquela ocasião.
Qual é a história?
Três crianças notam que uma casa em seu bairro é muito estranha. Tudo começa na véspera do Dia das Bruxas, quando DJ Walters, 12 anos, e seu amigo comilão de doces, Chowder, se deparam com o Senhor Nebbercracker depois que a bola de basquete dos dois cai no terreno dele e some misteriosamente para dentro da casa. Depois da bola, a casa tenta devorar Jenny, nova amiga deles. Como ninguém acredita no trio amedrontado, cabe a eles investigar o mistério.
O filme foi classificado como uma “animação perfeita” pela crítica e conta com o que há de melhor em tecnologia de animação. Os personagens, embora sejam bonecos desenhados, falam, andam e agem fisicamente com a mesma sincronia de seres humanos, como no filme Expresso Polar, conto natalino da mesma dupla (Steven Spielberg e Robert Zemeckis).
Encho a boca para falar meus filhos
from posterous October 17th, 2006
Uma ex-colega da faculdade de comunicação teve gêmeas. Alguns dias após o nascimento das meninas, ela me manda a seguinte frase via messenger:”hora de mamar, hora de trocar, hora de levar na escola… ufa!” Lembrei imediatamente da minha experiência com esta fase. Que loucura e que cansaço!
Quando soubemos da gravidez do Giorgio, hoje com quatro anos, o Enzo tinha um ano e nove meses e ainda mamava no peito. Foi uma loucura, deixou tudo de cabeça para baixo, como, aliás, noto que acontece muitas vezes com os segundos bebês das famílias.
Porque mesmo que eles sejam programados, como foram no caso da minha ex-colega (eles já tinham um, queriam o segundo), pode acontecer um imprevisto. No nosso caso sempre quisemos mais de um filho, era um assunto que nem discutíamos porque era “ponto pacífico”. Mas aumentar a família é algo que a gente precisa pensar bem antes de colocar em prática. Na teoria, antes que tenhamos filhos, é um cenário. Na prática, ter uma criancinha inserida na rotina diária do casal, é outro.
Mas tudo bem. Vencemos o desafio de sermos três, acostumamos a praticamente nunca mais ficar sós e mesmo quando estávamos sós, sentir a presença do terceiro o tempo todo. E foi natural passar a colocar toda força vital na felicidade e bem-estar daquele serzinho. E, de repente, vem o outro, que será o quarto.
Na minha cabeça passaram mil coisas quando eu engravidei do Gio. Não queria em hipótese alguma que o bebê sentisse que estava dividida, que a nova gravidez protelaria meus planos de retomada profissional, que eu não sabia onde e como ia colocá-lo no apartamento, que eu já tinha dado todos os objetos de bebê porque não planejava outro para “tão cedo”. Mas principalmente eu não queria que o Enzo sentisse que a vinda do irmão mudaria meu amor e meu tempo para ele, queria minimizar as experiências de perda que, no caso dele começaram já por literalmente “perder o peito”. (Para me ajudar, ele demorou dois anos depois disto para voltar a tomar leite)
Não vou dizer que foi super pesado emocionalmente, porque não foi. O amor pelo Giorgio foi surgindo, meus receios foram diminuindo ao mesmo tempo em que o cansaço físico aumentava. Ao contrário da primeira gestação, precisei parar de verdade, o bebê encaixou e quase nasceu com 30 semanas, descansei forçada por oito semanas e meia para segurar o apressadinho. Confesso que até o parto eu ainda pensava, temerosa, se ele seria tão bonitinho quanto o Enzo, tão inteligente, se eu conseguiria amar de modo tão incondicional outra pessoa, enfim, se seria a mesma coisa.
Não foi. Foi melhor. Olhei para aquela carinha magrinha de bebê levemente prematuro e falei o que vinha no coração, com uma intensidade que na primeira vez eu não tinha sentido: “meu filho, vem para perto da mamãe”. Assim, simples, o amor surgiu imenso e nos uniu de forma indelével até hoje, uma ligação que ele compartilha com o irmão. Não posso imaginar a vida do Enzo sem o Giorgio. Nem a minha. E encho a boca para falar “Meus Filhos”, sim, eu tenho dois!
Carros que são gente como a gente
from posterous October 17th, 2006
Alguns filmes nos marcam para sempre. Estou percebendo que os da parceria Disney Pixar
fazem parte deste seleto grupo. Ao ver no cinema as chamadas para Carros, o novo filme da Pixar, tanto eu quanto meus filhos Enzo e Giorgio ficamos empolgadíssimos. Nem importava o tema, pois sabíamos que seria um filme lindo.
Bem, já foi engraçado antes da sessão começar. Fomos à matinê de sábado, onze horas da manhã, e surpresa: a platéia estava lotada de pais e mães, animados, de várias faixas etárias. Inclusive, pasmem, muitos adolescentes na companhia do pai e da mãe, coisa que eu nem sabia que acontecia. E muitas criancinhas pequenas naquele linguajar típico:
“Mamãe, o brum brum, calo”…
Ao que o Giorgio, atualmente na fase de “palmatória do mundo”, respondia:
“Não é calo, é carro”
Enfim, ele desistiu e aceitou ficar quieto no cinema, afinal, já tinha três anos e meio! Giorgio não se encantou muito com o filme no começo, mais interessante para o Enzo, que aos seis anos gosta de competições (o filme começa numa corrida), mas ambos se renderam aos moradores da bucólica Radiator Springs. Na nossa família, fora o Relâmpago, as crianças se encantaram com o caipira Mate (“Tow” – alusão ao fato de ele ser um guincho – “Mate”, companheiro, colega) e o caricato Luigi, dono da loja de pneus Ferrari. Tenho grande curiosidade por saber se as meninas que viram o filme se identificaram com as femininas Flo (dona do posto) e Sally (Porsche azul, namorada do Relâmpago).
Como aqui em casa tudo que é de menina “é da mamãe”, eu ganhei as duas quando lanchamos após o filme –nem preciso contar em que lanchonete havia réplicas perfeitas dos personagens como brindes dos lanches.
Super divulgação: Apesar das muitas matérias que jornais e revistas publicaram contando a história do filme e as declarações de John Lasseter (diretor) sobre o fato de Relâmpago McQueen ser inspirado em sua própria vida pregressa como workahoolic e pouco atento à convivência familiar, eu não esperava tanto de Carros. Quer dizer, entrei lá certa de que seria tão bom quanto Toy Story, Monstros S.A., Vida de Inseto, Procurando Nemo, os outros sucessos da parceria Disney Pixar. E saí certa que é um “filme com F maiúsculo”, não um filme infantil, mas uma linda história na qual todos podemos nos espelhar e da qual tiramos muitos conceitos e conselhos. Tanto que a gente esquece das falhas do filme e da impossibilidade de existir um mundo só de carros. É o filme mais fora da realidade da Pixar, ao mesmo tempo em que é o mais real de todos, por nos colocar diante de conflitos pelos quais passamos.
Qual é a história: Relâmpago McQueen é um carro de corridas ambicioso, que já em sua primeira temporada na Copa Pistão torna-se um astro. Ele sonha em se tornar o primeiro estreante a vencer o campeonato, o que possibilitaria que assinasse um patrocínio com a cobiçada Dinoco. A fama faz com que Relâmpago acredite que não precisa da ajuda de ninguém, sendo uma “equipe de um carro só”. Mas ele se perde quando é levado para a corrida que decidirá o título, o que o faz conhecer uma cidade do interior totalmente diferente do seu estilo de vida. Radiator Springs tem pouquíssimo movimento e a cidade jamais ouviu falar de Relâmpago ou até mesmo da Copa Pistão. Porém, por ter destruído a principal rua da cidade, Relâmpago é condenado a reasfaltá-la. Obrigado a permanecer na cidade contra a sua vontade, aos poucos ele conhece os habitantes locais e começa a se afeiçoar por eles, mudando seus próprios conceitos e valores.
Uma série muito Lelé
mãe com filhos October 10th, 2006
Com um texto recheado de rimas e ilustrações simples, os livros encantam as crianças.
Imaginem um plâncton, aquele nadinha no meio do mar. Pois ele não quer ser comida de peixe, quer pintar os peixes e tudo mais com cores lindas e berrantes…. este é o começo de uma das estorinhas da série Lelé da Cuca, que a editora Ática edita e cujos desenhos agora estampam jogos de lençóis e edredons infantis (neste caso, com o nome em inglês, série Bang on the Door).
Os desenhos, praticamente garatujas, que qualquer criança (ou mãe, no meu caso) copia para se divertir, chamam a atenção tanto quando as rimas:
-Mas em sua casa, num certo dia, sentiu muita falta de companhia(…)
-Procuro um amigo – lhe disse o cão, Pra morar comigo, como um irmão. Sim, até o cão, o melhor amigo da gente, não quer ser sozinho, quer ter um animalzinho. E saí à cata de um, no zoológico, no mar, passando por experiências risíveis, com as quais as crianças, pequeninas ou já letradas, se divertem e se identificam.
Fala-se em aranha que não consegue ter amigos, o gato de rua que é um relaxado, na lesma que devora tudo que é verde. Enfim, os personagens são animais que mexem com o imaginário dos pequenos.
Com frases curtas e palavras simples, as rimas encantam e estimulam a memorização. Como são livros escritos em “caixa alta” (ou bastão), aquela que as mães de criança em idade de alfabetização preferem para ver seus pimpolhos identificando as letras sozinhos, aqui em casa eles serviram para concluir um processo natural de alfabetização do meu filho mais velho. Foram presente da avó paterna, pedagoga e mestre em educação matemática, enfim, uma avó cujos presentes a gente não discute.
Com os desenhos que até esta mamãe sem talento copia, fomos criando livrinhos de TNT (aquele não-tecido que se usa para coisas descartáveis e se compra em metro, por centavos), grampeados em casa e escritos a canetinha. Saíram algumas estórias orais, inventadas nos desenhos e nas palavras simples.
-GATO – MACACO – CASA – ARANHA – LESMA – FEDIDO – SABOROSO
Eu não saberia dizer a idade adequada para esta série. Enzo ganhou com 2 anos, Giorgio nasceu escutando as histórias e arregalando os olhos para o colorido dos desenhos. Foram os primeiros livros que o Enzo levou para cama para ler sozinho, antes de dormir, e para contar histórias para o Giorgio quando tinha 5 anos.
Sobre a série:
São vários os temas transversais que podem ser trabalhado na sala de aula a respeito do livro e que, claro, os pais podem abordar informalmente em casa com as crianças: a pluralidade cultural (preconceitos, como na estória do gato de rua), questões de saúde e higiene pessoal, artes visuais e diversos itens de língua portuguesa – o texto é recheado de onomatopéias engraçadas, rimas e há o discurso direto (inserido no quadrinho do desenho) ou indireto. São estes os pontos que a fazem interessante até o segundo ou terceiro ano do ensino fundamental.








